quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Lambanças do poder

Na recente visita de Dilma Roussef à Cuba, ao responder uma pergunta sobre direitos humanos na ilha, a presidente se enfiou   numa  saia justa, ao comparar Cuba aos Estados do Brasil e EUA, este principalmente por causa dos eventos de  Guantánamo. Conseguiu com isso um dos piores incidentes diplomáticos já vividos por um primeiro mandatário nacional, repetindo e agravando, o desastre que foi a declaração de Lula em visita anterior, comparando os dissidentes cubanos à bandidos e traficantes brasileiros. Nossa autoridade máxima queria fechar, romântica e perigosamente os olhos, para homenagear seu passado de guerrilheira e revolucionária- que hoje respeitamos, mas o mundo mudou presidente, e prova disso é que a senhora é a primeira mulher presidente deste País. Não precisava acrescentar esta lambança ao seu belo currículo Lattes.

Todavia, não é só os representantes do PT no executivo do planalto central que reproduzem tais erros. Governos municipais, estaduais de vários partidos além do judiciário em todo território nacional, nos brindam com situações dignas do velho trio, ”Os trapalhões”- com o perdão aos artistas ainda vivos e exemplos de profissionalismo e arte. Por exemplo, o PSDB de São Paulo ao promover a bárbara desocupação da localidade Pinherinhos com sua truculenta polícia, atendendo uma decisão judicial insensível e polêmica de reintegração de posse, em favor de um notório usurpador social-construiu uma efeméride negativa, e um vexame perante a comunidade mundial, mostrado pelas mídias aos quatro ventos - uma vergonha!

Já o PSD de Kassab, fez coisa pior: resolveu higienizar a região da Cracolândia também com a polícia do PSDB de Alkimin, tudo visando confundir o eleitor que vota em novembro para prefeito da cidade de São Paulo- o terceiro maior orçamento do País. Note-se que este realmente é um problema - chaga da cidade que se arrasta há pelo menos dez anos e atravessou várias administrações. Sabe-se também que é mais fácil trabalhar o tangível, qual seja demolir casas, pintar muros e lavar calçadas-difícil, e foi o que não fizeram, é promover um sistema que promova recuperação física, emocional e espiritual de pessoas, escravas de um vício que incorpora a rua como parte da doença. Cadê os profissionais de saúde pública destes governos? Não viram que só fizeram espalhar estas vidas por outras ruas da metrópole causando mais dor e sofrimento inclusive para familiares co-dependentes?

Concluo saudando a decisão do STF, que autorizou o CNJ a investigar as contas milionárias dos barões da justiça nacional que segundo a procuradora nacional -“alguns são bandidos de toga”, fazendo uma ressalva: foi o próprio STF em 12 de agosto de 1992 - em seção administrativa, presidida por Nelson Jobim-que encheu as burras do judiciário e MPF, ao criar a PAE, ou norma que estabelece isonomia entre poderes com efeitos retroativos à década de 90: uma derrama de bilhões de reais, pois foi estendida ao poder judiciário e ministérios públicos estaduais. O que o STF fez, cumprindo agora sua missão, foi garantir ao CNJ o poder de abrir processos contra magistrados expostos no COAF e suspeitos de malversação de recursos, sem ter de esperar as corregedorias locais viciadas muitas vezes pelo compadrio. Isto não aconteceria naquela ilha, senhora presidente!

José Carlos Nunes Barreto
Professor doutor

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Empregados x Pessoas

É sempre inspiradora a releitura de Peter Drucker. Chamou-me a atenção um profético artigo publicado em abril de 2002 na Harvard business Review /Exame, intitulado “Eles não são Empregados, são Pessoas”. Trata-se de algo espantoso: milhares de pessoas que trabalham para grandes conglomerados, não são  empregados tradicionais destas organizações- são trabalhadores temporários. E as empresas que ainda têm relações formais com seus funcionários estão terceirizando suas administrações de RH, justamente aí, no desenvolvimento de talentos, onde as principais águias da administração moderna ensinam ser a tarefa sine qua non de uma economia do conhecimento.

A tarefa enfadonha de administrar empregados (plano de aposentadoria, pagamentos de pensão, contratações, demissões, cortes, treinamentos), sua mutante legislação, seus custos- maior que 40% para quem contrata diretamente nos EUA, e por aqui mais que o dobro disso, dizem os especialistas- fica delegada à uma Organização de Empregados Profissionais(OEP),que foi o serviço empresarial que mais cresceu nos anos 90 nos EUA. Segundo P. Drucker até o final de 2005 as OEPs tornar-se-ão co-empregadoras  de 10 milhões de trabalhadores americanos de baixo e alto escalão e esta é uma mega-Trend (tendência predominante no cenário). Todos os dias úteis um dos maiores empregadores do mundo, a empresa suíça Adecco, coloca 700.000 cadastrados em funções administrativas, industriais, técnicas em negócios espalhados pelo mundo. Estima-se em 8 milhões/dia o número de trabalhadores temporários disponibilizados pelas OEPs pelo mundo. A Exult, provavelmente a OEP mais conhecida, é co-empregadora de 500 companhias World Class que fazem parte da lista da revista Fortune, teve suas receitas aumentadas em 48% em 2001 superando o de crescimento médio de 30% ao ano das OEPs observados desde então.

Afinal como empregados são fardos se as pessoas são o nosso maior patrimônio? O que as empresas e seus executivos querem é não perder 25% do tempo resolvendo problemas típicos de empregados, e se concentrar na administração dos negócios, deixando esta parte espinhosa para as co-empregadoras que podem gerir também com maior eficácia as especificidades das fragmentadas carreiras dos trabalhadores do conhecimento, que são extraordinariamente especializados e na maioria das vezes não são ouvidos pela média e alta administração que, apesar de precisar deles (seus conhecimentos, habilidades e atitudes) não consegue entendê-los dada a complexidade e quantidade de áreas envolvidas (ex: eng de software, oncologia, advocacia tributarista  etc). Sem oportunidade de crescimento na carreira, nenhum deles quer ser administrador, porque ama o que faz e porque não tem chance de obter o cargo, daí a importância de uma OEP com gerente especializado, que dê voz e instrumentos para fazer a organização  trabalhar para cada um dos envolvidos, buscando sua satisfação, crescimento e consequente aumento de produtividade dos  co-empregadores.

Como P. Drucker, concluo: “A economia do conhecimento vai exigir mais do que alguns novos programas e práticas. Os empregados podem ser nosso passivo, mas as pessoas a nossa maior oportunidade”.

José Carlos Nunes Barreto
Professor Doutor

debatef@debatef.com

Veja o que mudou desde 2005 Sierra Maestra e Sun Tzu



“Aprenda a lutar”
   Sun Tzu

O senador e ex-ministro da educação Cristovam Buarque, escrevendo artigo sobre educação no jornal Valor Econômico de 7/01/2005 demonstra que apenas 1,09% do orçamento de 683 bilhões da república são necessários para se fazer uma revolução educacional no Brasil, 12o economia do mundo. Segundo o professor- senador o Brasil é um dos raros países com maioria de população de baixa renda em  que o PIB e a carga fiscal já permitem a realização de um choque de políticas públicas para superar a exclusão social. Ivan Santos, meses atrás em editorial do CORREIO, destacou as migalhas do orça mento da União–6 bilhões de reais- para o “bolsa–esmola”, que caem da mesa do banquete de 147 bilhões de reais pagos religiosamente à banca internacional. A sobra, primeiro é disputada a unhas e dentes pelos representantes dos falcões de  nossas elites nos parlamentos. A revista veja de12/02/2005 mostra a revolução que a educação básica fez no PIB da Coréia do sul. Eis o ponto, também destacado na revista Carta Capital de 29/12/2004 por Gustavo Ioschpe: A educação básica é o nó que precisa ser desatado. A repetência passa de 20% ao ano, a evasão faz com que 2,5 milhões de alunos/ano deixem a escola todo ano. Os resultados do sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) mostram que mais  da metade das crianças de quarta série estão em nível crítico ou muito crítico. Só um quarto da população brasileira  consegue ler e entender uma notícia de jornal ou realizar operações aritméticas concatenadas. Em suma enquanto o mundo entra na era do conhecimento, nós mal conseguimos alfabetizar. Porque isso acontece? Impossível falar de alunos sem olhar de perto seus professores e estes não consegue transmitir conhecimentos porque eles mesmos não os têm em nível necessário. Não discutiremos a tão decantada questão do salário, já que empiricamente estudos mostram não existir relação significativa entre ele é a performance dos alunos.(deixo claro a indignidade do salário da maioria de professores deste país). O que realmente “pega” é a falta da educação de base para os futuros professores, além da parca existência de cursos de magistério que burilem competências técnicas e desestimulem a forte carga ideológica do professorado nacional- uma questão de foco. Ainda segundo Ioschpe (autor de “A ignorância custa um mundo-o valor da Educação no Desenvolvimento do Brasil”-ed.W11-2004)é necessário instituir incentivos que premiem a qualidade, além de desmontar as conexões políticas que nomeiam diretores, e que por isso não utilizam ferramentas de avaliação da Qualidade(como é feito em  empresas que conseguem chegar à excelência) para não  desagradar seus professores-eleitores, os quais preferem culpar pelo seu fracasso o capitalismo, o governo, ou  pasmem, seus próprios alunos!

No século passado Fidel Castro fez uma revolução em Cuba, gostemos ou não dela. Concordo com o senador: nossa  Sierra Maestra está nas comissões de orçamento dos parlamentos federal, estadual e municipal. Você já aprendeu a lutar?

José Carlos Nunes barreto
Professor Doutor

nunesbarreto@debatef.com
     


Economia da água

                    

Em época de aquecimento global, elevação  do nível do mar e tsunamis, ficamos encharcados e  ao mesmo tempo horrorizados, com o paradoxo da crescente falta de água doce no planeta. Mas, que tal refletirmos sobre a “economia da água”?

Alguns especialistas nos fazem entender sua importância  ao transformar em litros de água todos os bens e serviços que chegam até nós. Assim para  um simples galeto que tenha chegado à nossa mesa, 1.200 litros   foram necessários. Naquele quilo de carne consumido durante a semana mais 2.000  mais 2.000 litros. Em cada quilo de grãos que compramos em média mais 1000litros, Se você está em uma grande cidade, precisa de cerca de 150 litros dia para seu uso diário, e por aí vai. Os números acima nos dão segurança para considerar que utilizamos em média 4000 litros de água por dia para vivermos no conforto estabelecido pela sociedade baseada na “economia da agua”. Quanto custa isso para a sociedade? Esta é a questão, cujas ameaças e oportunidades precisamos entender. Segundo a ONU em 2050 mais de 45% da população mundial não desfrutará de água potável, tal é a marcha inexorável dos usos e contaminações das águas superficiais e subterrâneas do mundo E esta é uma  previsão otimista, em função da estarrecedora velocidade das mudanças climáticas globais, que dia a dia nos mostram que esta perspectiva virá muito antes de 2050. Apesar de sermos planeta água, somente 0,02% dela está disponível para beber em lagos e rios e a continuar assim este pouco se tornará quase nada. Basta olharmos nos entornos das nossas cidades. O ciclo hidrológico tornou-se caótico: transformou-se em enchentes com a ação antrópica de impermeabilizações, canalizações de rios, adição de esgotos industriais e urbanos - destruição pura. Será que o que aconteceu no Iraque, com relação ao petróleo, não acontecerá no futuro com o Brasil, já que possuímos 12% das reservas de água doce do mundo? E o que é exportar etanol e grãos senão toneladas de água, enviadas para fora do País?

As bacias hidrográficas são áreas adjuntas ao rio e seus tributários. E elas, são uma inteligente forma de fazer política da água, com centenas de cidades a cobrar pelo seu multiuso, para aplicar na preservação deste bem,  adequando  legislações já amadurecidas aqui e em várias partes do mundo. Um famoso “case” é a bacia do rio Paraíba do Sul  que atende mais de 300 cidades no sudeste do país, sendo o rio, para a maioria delas a única fonte de água.  Isto em um país  possuidor de um aquífero chamado “Guarani”, um dos maiores reservatórios de água doce do mundo, que se estende por aproximadamente 840 800 Km2 no Brasil, Distribuídos por 8 estados, entre eles SP, RJ e MG atendidos pela bacia do rio São Francisco. As reservas disponíveis de água filtrada, e auto-depurada bio-geo-químicamente, neste aquífero são da ordem de 45 trilhões de m3, e a população que poderia ser atendida sustentavelmente, seria em torno de 15 milhões de pessoas, sem necessidade de tratamento da água (ABAS-Associação Brasileira de Águas Subterrâneas). Uma riqueza desprezada pelo setor público, que nela não investe. Agora que já preocupei você também( espero)Dê uma olhada no que o governo federal está fazendo no Rio São Francisco: desrespeitando  orientações da ANA - Agência Nacional de Aguas, O Comitê de Bacia, as decisões do plenário da CONAMA, e  sociedade civil organizada, além de toda tecnologia de gestão de bacias em uso  no mundo, para fazer a qualquer custo, e com empreiteiras sem EIA/RIMA, uma sangria num rio que exige cuidados de preservação como um organismo vivo - Alguém que está ambientalmente na UTI, porque foi violentamente agredido todos estes anos - poluição de toda ordem, extinção da  mata ciliar, assoreamentos, escassez de água: O governo federal perpetra um crime ambiental. Desrespeita leis, pessoas, nação, em um universo que clama por água doce. Até quando? 

José Carlos Nunes Barreto
Professor Doutor

debatef@debatef.com.br

Relembrando artigo de 15 anos atrás, ainda atual, sobre a produção Científica Brasileira

                   
     
Os professores Jean Pierre Férézou e Roberto Nikolsky, analisaram a produção científica brasileira  em instigante artigo publicado na Folha de São Paulo intitulado “Excelência científica e Crescimento”, sob o impacto da publicação pela revista científica “Nature” do ranking de países que concentram 98% dos artigos das publicações mais citadas. Nele o Brasil ocupa o 19º lugar de um grupo de 31 países de vanguarda. Estamos na frente de 174 países e passamos de 0,84% dos artigos  publicados em Ciência e Engenharia no quinquênio de 1993-1997, para 1,21% em 1997-2001, o que representa um crescimento de 45% acima da média mundial. Porque esse desempenho não correspondeu a um crescimento expressivo do nosso PIB, no mesmo período? Segundo os autores a resposta é que não é a ciência (Geração de Conhecimentos), mas sim o domínio da tecnologia industrial(ou seja a competência no uso de conhecimento capaz de gerar inovações) é  que torna nossa indústria mais competitiva e faz a economia crescer de modo sustentado e rápido. Exemplo: os países orientais chegam a ter 30 vezes mais patentes que o Brasil (caso da Coréia do Sul) concedido no maior mercado, o americano.

Lancemos  luz sobre a estratégia destes países: 1)As Indústrias em parceria com as  universidades criam o saber no chão de fábrica focando em inovações tecnológicas e só então publicam; 2) Há uma sinergia entre inovações e ciência e dispêndios maiores de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) não acadêmicos, mas são proporcionados pelos resultados em todas as cadeias produtivas; 3) No conceito 80/20, 80% dos pesquisadores trabalham nas indústrias e em projetos industriais é 20% na universidade.

Como participante de congressos internacionais tenho presenciado milhares de jovens doutores chineses, coreanos e indianos na faixa de  28 anos tendo seus trabalhos financiados por  corporações   e os resultados maiores se dão no mercado e no PIB daqueles países.   Voltando os olhos para nosso país, temos um excelente case endógeno desta estratégia oriental: trata-se da EMBRAPA, que hoje sozinha responde por 3% dos artigos científicos do mundo em sua área e possui dezenas de patentes homologadas em NY no Escritório de marcas e patentes dos EUA - o USPTO, explicando o nosso atual aumento do PIB, e superávit comercial baseado no agronegócio. Quanto as demais publicações, salvo raras exceções, seguem o 20/80 da lei de PARETO, ou seja, o substancial, que está em um número muito maior que 80% talvez 95%, está sendo realizado na universidade e muito longe dos meios de produção, daí sua alienação, “num processo elitizante e estéril para o desenvolvimento econômico e social do país”.

Concluindo gostaria de fazer um chamamento aos candidatos a reitor da UFU E DEMAIS UNIVERSIDADES BRASILEIRAS: Não formemos doutores para a dicotomia desemprego ou aulista! Vamos quebrar  este ciclo de desperdício do capital intelectual brasileiro! A questão é de estratégia e não de recursos!  Façamos melhor Gestão da Excelência Científica!

Prof. Dr José Carlos Nunes Barreto
Sócio-diretor da DEBATEF SOLUÇÕES E CONHECIMENTO
debatef@debatef.com

Lembrando o “fora Bush”!


“Longa é a arte/ Breve é a vida”  
Tom Jobim

A tecnologia do etanol ocupou corações e mentes na semana que passou. Bush veio. Ficou 24 horas e trouxe com ele um exército.  O macaco Simão afirmou na “Folha” que isto foi uma invasão. Concordo. Em todos os sentidos, inclusive no da privacidade. Pessoas em pleno século 21 ficaram em SP sem poder sair de casa por horas, em virtude da passagem da comitiva do imperador da “pax americana”. Outros tiveram prejuízos de diversas formas. Restaurantes, profissionais liberais, médicos, artistas, com suas vidas paralisadas por alguém que tem nas mãos uma máquina de mentir e sensibilizar: A arte de Holyood.  Desta vez  eu e Chavez estamos do mesmo lado: Bush veio nos dar uma esmola e, subservientes aceitamos. Chavez exporta petróleo com tarifa cheia, e nós continuaremos sendo sobretaxados em 0,14 dólares o litro de etanol, para não “prejudicar” os produtores americanos até 2009. Bush que é sócio de empresas petrolíferas está ligado até a alma com os barões sauditas do petróleo e com o aquecimento do climático - um vilão. Mandou fazer a guerra do Iraque, para atender inclusive a seus interesses  empresariais. Porque ele estaria interessado em nosso etanol de cana de açúcar se as pesquisas de sua bilionária área de C&T em breve lançarão o etanol de baixo custo oriundo de qualquer biomassa, inclusive capim? Estaria o Sr.  Bush tentando ganhar tempo?

Desde Alexandre - o grande, os impérios só movem o imperador quando se vêem ameaçados. Foi daí que começou o uso de “estratégias de marketing”,  o uso da mentira como política de estado para engrupir povos conquistados. Ao cunhar moedas com seu rosto, e espalhar estátuas nas terras conquistadas, aliadas a divulgação de vitórias antecipadas, completava sua  dominação. Mais a frente já na “pax romana” Augustus seguiu a mesma linha. Conseguiu reunificar Roma, 43 AC conquistando os republicanos com uma falsa mensagem (em estátuas) de humildade, despojo, e cidadania. Mentira que inaugurou uma ditadura de 400 anos com tudo ao contrário do que pregou. (Alguma semelhança com o PT de Lula?). A arte nas moedas e  estátuas foram usadas para mentir e iludir como fazem as “campanhas de marketing” de Odelmo, Lula, Chavez, Stalin, do PC chinês, de Hitler, e de  tantos ocupantes do poder, quantos formos analisar. Interessante notar  que de todos, Hitler foi o mais eficiente. Gostava de arquitetura, de quadros caros e relíquias que saqueava após invadir nações. Chegou ao absurdo matar a influente classe média judia, com a complacência de toda sociedade alemã, dita cristã, mas anestesiada pela propaganda feita  para iludir a todos utilizando a arte escrita, falada, esculpida e musicada. Dizer que pessoas eram piores que animais e por isso teriam que ser primeiramente e sorrateiramente afastadas do convívio social. Depois eliminadas como animais peçonhentos. E todo mundo acreditar, salvo alguns “loucos” gritando no deserto? Finalizando e voltando para a tal visita, o que precisamos fazer é investir pesadamente nesta nossa tecnologia, inclusive com planejamento estratégico para área de cultivos. Mercados já têm na EU, JP e no USA – que quer taxem ou não terão de nos engolir! E para mim já chega: Fora Bush!

José Carlos Nunes Barreto
Professor doutor
debatef@debatef.com

Khobani vive!

“Por isso eu vou/ esquecer de tudo/das  dores do mundo/Não quero saber e err errr...”
Cancioneiro popular

Escrevo no rastro da maior crise humanitária desde a segunda guerra, com cerca de 700.000 refugiados atravessando o mar mediterrâneo em direção ao Reino Unido e Alemanha, os milhares de mortos (por afogamento, asfixia, e por toda sorte de privações) além de outros 4 milhões se deslocando entre as fronteiras da síria , Líbia, Iraque, em direção a Turquia e arredores, além de  países  norte da África, todos correndo da morte certa, dos horrores da guerra contra a besta do apocalipse – o ISIS  ou Estado Islâmico, em sua  cruzada contra o ocidente e sua cultura judaico cristã representada pela cruz de Cristo. Neste cenário, algo me  iluminou de esperança: um exército de mulheres em Khobani, que, mesmo com armamentos precários, venceu os jiradistas do ISIS, ao  coloca-los em retirada, isso após 25 mil homens dos exércitos regulares do Iraque e Líbia recuarem, dando espaço para esses rebeldes,  mesmo contando com os melhores armamentos cedidos por forças americanas.

Esse nosso mundo não aprende mesmo: o atual estado da arte é resultado do vazio de poder propiciado por erros dramáticos dos americanos no Iraque e na Líbia, sob o olhar atônito da ONU e a complacência  da União  Europeia.  E o que se viu, foram menos esforços e ações do que o momento exigia - quando os EUA e suas forças invasoras mataram líderes regionais que amalgamavam tribos e nações, com histórias de rivalidades e  guerras há milhares de anos. O vácuo se estabeleceu e foi preenchido pelos extremistas financiados por islamistas do mundo inteiro.

O mais perto que se chega deste dramático tempo simbolizado pelo menino sírio de três anos morto nas praias da Turquia, é o holocausto dos judeus na segunda grande guerra. Também naquela época, o vácuo de poder contra a Alemanha de Hitler, começou a ser arquitetado pelo tratado de Versalhes, que impôs à Alemanha penas impagáveis, como resultado da capitulação na primeira guerra mundial e que fizeram nascer o nazismo e o ódio aos prósperos judeus que viviam em seus territórios. O resto da história é conhecida. Agora temos um “deja vi”: O que dizer das decapitações do EI?  Dos padres e pastores queimados vivos em gaiolas?

Não quero ver crianças brasileiras mortas nas areias  da praia de Copacabana, para acordar sobre a importância de combatermos  o EI e o Jiradismo em suas atuais fronteiras, antes de cooptarem nossos jovens,  contra nossa cultura ocidental libertária. Todavia, como ensina o cancioneiro popular, quero afirmar, que “Minha dor é perceber, que apesar de tudo que fizemos,  ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”.

O torpor da Europa contra o Dragão hitleriano é o mesmo que observo hoje nos líderes europeus que armaram cercas e resoluções para impedir os migrantes  de caminharem rumo a seus objetivos de sobrevivência. O êxodo não se extinguiu, só ganhou força - apesar do racismo, e do ódio contra imigrantes presentes hoje no solo europeu – como nunca antes observado. Alerto  que um novo holocausto poderá  acontecer daí, agora em tempo real em nossas redes sociais. Precisamos agir como as meninas de Khobani, e,  orar  como o salmista para que “Deus nos aguce os dedos para a batalha”.

José Carlos Nunes Barreto
Professor Doutor e Presidente da Academia de Letras de Uberlândia (ALU)

debatef@debatef.com