sexta-feira, 29 de maio de 2026

Cultura e Poder Nas Organizações

“Valores transcendentes como a confiança e a integridade, traduzem-se literalmente em receita, lucros e prosperidade” Patrícia Aburdene Nos últimos 10 anos orientei 6 mestres, 12 especialistas, além de 40 TCCs de graduação em Administração e Engenharia, além de participar de outras 20 bancas de especialização mestrado e doutorado, como convidado. Fico feliz de participar deste momento singular na vida dos alunos que ajudo a formar. Como ex-coordenador do curso de Pós Graduação em Gestão de Pessoas, quando formamos 14 turmas , ainda sou convidado com frequência,para participar, como na banca da aluna Ariadney Ferreira há dez anos, orientada pela professora Luciane Grispe, no trabalho intitulado: “A Relação entre a Cultura Organizacional e o Poder nas Organizações”, e lá pude dar o primeiro dez em muitos anos nesta atividade. E explico porque: Uma pesquisa bem feita em um assunto de suma importância e que cada vez mais necessitamos conhecer, para entendermos melhor a funcionamento das organizações. A autora demonstrou a hipótese de que a cultura organizacional influencia no tipo de poder exercido por seus gerentes. Afinal perguntaria o leitor, o que é cultura organizacional? E o que entendemos ser o poder? Na brilhante apresentação, vimos que várias palavras e/ou o conjunto delas constrói o conceito de cultura Organizacional: Identidade, costumes, normas, valores, políticas e artefatos (a parte tangível da organização). Já o poder, da mesma forma pode ser formal (coercitivo, de recompensas, de legitimidade, de referência ou de informação) ou pessoal (carismático, de talento, de perícia ou de referência - alguém que é um paradigma). Todo trabalho científico precisa de um cuidado especial com a metodologia a ser usada, para atingir resultados. Ao investigar esta correlação, a aluna usou dois métodos já validados em muitas pesquisas anteriores: o método da abordagem que parte de teorias e leis de Gestão de Pessoas, e os métodos de Procedimento, que são o histórico, o comparativo e o estatístico, além da aplicação no campo, dos instrumentos: Escala de valores de TAMAYO (para medir a cultura organizacional) e a Escala de Poder do Supervisor de MARTINS e GUIMARÃES (para medir o poder). Sei que artigos científicos não dão Ibope, pois sou editor da revista Sciencomm, mas é com a aplicação deles, que caminhamos para um estado de bem estar social, explico: quando conseguimos aplicar os resultados de um trabalho como esse, na produção de bens e serviços, a prosperidade aumenta. E os resultados do trabalho apontam para a correlação positiva entre o poder e a cultura. Os talentos humanos participantes da pesquisa, veem a empresa de forma hierarquizada e dominante, e o poder exercido pelos chefes como aquele baseado pelo conhecimento técnico. Nada mal, haja vista a notória especialização do setor pesquisado. Todavia, o que deve chamar a atenção, é que a cultura organizacional, as competências e os resultados(lucros e dividendos), estão alinhados no mesmo vetor, agora desnudado. Logo entender a cultura e o uso do poder nas organizações,pode nos ajudar a trabalhar melhores instrumentos de construção da competência empresarial, adequada a cada empresa, e que gerarão os melhores resultados a curto, médio e longo Prazo. Parabéns à aluna e sua orientadora. José Carlos Nunes Barreto Pós- doutor e Editor da Revista Sciencomm na DEBATEF Soluções e Conhecimento Discutindo idéias prof.BarretoDiscutindo idéias prof.Barreto Discutindo idéias prof.Barreto

O PARADIGMA CRIATIVO

O PARADIGMA CRIATIVO Jose Carlos Nunes Barreto Coordenador de curso de Pós graduação Lato Sensu, e professor de pós graduação 20 de abril de 2026 (Créditos: Blog do professor Barreto) Através dos tempos, a ciência tem buscado soluções para o homem conquistar poder, bem estar e qualidade de vida, que mais tarde, constatamos, tem deixado para futuras gerações, um legado assustador, validado por um paradigma- modelo ou padrão de pensamento sobre o qual a ciência, através dela, a humanidade fundamentam seus conhecimentos e erguem seus “edifícios tecnológicos”. Os paradigmas mudam; do positivismo para o interpretativismo, daí para o crítico e/ou ecológico e, finalmente para o criativo. São “impérios” que apresentam uma visão de mundo peculiar em termos cosmológicos, ontológicos, epistemológicos, éticos, espirituais e políticos. Jonn Naisbitt em seu livro “Mega trends 2000”, enumera megatendências para o século 21 amparadas no paradigma criativo. Entre elas, duas tem tudo a ver com a história que mostro a seguir: a era da biologia, e o triunfo do indivíduo. O policlorado Bifenil(PCB) foi descoberto antes do séc. 20 e sua utilidade para indústria foi cedo reconhecida e aplicada comercialmente desde 1930- descontinuada em 1980 por recomendação da OECD- como dielétrico, fluido trocador de calor e uma série de outras aplicações. Os PCBs , cujo produto mais conhecido é o óleo ascarel, foram distribuídos largamente no meio ambiente através do globo e descobriu-se serem persistentes e acumulativos em cadeias alimentares. A exposição humana à eles tem acontecido a partir de comida contaminada, absorção pela pele, em ambientes de trabalho e inalação. Os PCBs se acumulam em tecidos gordurosos de humanos, animais- até ursos polares- e tem causado efeitos tóxicos em ambos, particularmente se repetidas exposições acontecem. A pele e o fígado são os maiores locais de patologia, mas o trato gastrointestinal, o sistema imunológico e o sistema nervoso são também alvos. Resultados de estudos em roedores, sugerem que alguns congêneres de PCBs podem ser carcinogênicos(cancerígenos) e podem promover a carcinogenicidade, em outros produtos químicos. É certo que a partir de dados sobre PCBs, o ideal seria não tê-lo na cadeia alimentar em qualquer nível; no entanto, também está claro que , a redução da exposição dos PCBs na cadeia alimentar para zero, ou próximo disso , significaria a proibição do consumo em larga escala, de importantes itens alimentares como peixe, aves, plantações e, mais importante ainda, o leite e seus derivados ( o leite materno contribui com cerca de 1,3% da meia vida no PCB das pessoas). Comitês científicos internacionais, têm de decidir entre o que significa um balanceamento adequado, para um seguro grau de proteção da saúde pública (quanto ao PCB), e a excessiva perda de alimentos em um mundo já faminto. A partir desse ponto, parece- nos estar colocada uma questão filosófica: que paradigma deve reger a ciência, para levar a humanidade a superar esta situação ,de alguma forma parecida com uma peste bíblica, indago...E, respondo : o paradigma criativo já em vigor. Através da dialética (arte do diálogo como força de argumentação), os professores, Colin Peile ,Edgar Morin e Peter Drucker, conceituam este campo interdisciplinar, que produz poder de síntese, visão e desenvolvimento do grau de conhecimento. Quem sabe o exemplo da professora Mariângela Hungria da Embrapa- laureada agora em 2026 com o equivalente a um Nobel da agronomia- por substituir no solo - com sucesso, a química tradicional e pesada, por microorganismos, não seria esta a senha para uma nova era de mudanças, no comportamento da ciência e dos cientistas, a fim de evitar futuras catástrofes tecnológicas, indago com esperança... E que assim seja! José Carlos Nunes Barreto Pós- doutor e sócio da DEBATEF Consultoria Comentários

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Laudo pericial ajustado com IA

Sob a ótica de uma perícia de engenharia mecânica aplicada à dinâmica veicular e reconstrução de acidentes, um evento dessa natureza exige extrema cautela técnica, principalmente porque o tempo decorrido eliminou ou degradou elementos materiais essenciais da análise. O fato de a motocicleta do réu ter sido atingida na região lateral traseira enquanto trafegava em uma avenida principal é um elemento técnico extremamente relevante. Em acidentes motociclísticos, danos na porção traseira-lateral normalmente indicam que o veículo atingido já ocupava legitimamente a trajetória ou realizava deslocamento estabilizado no fluxo viário no momento do impacto. Ao mesmo tempo, o lançamento da outra condutora a aproximadamente 6 metros não pode, isoladamente, ser interpretado como prova automática de alta velocidade do réu ou de culpa exclusiva. Em biomecânica de acidentes motociclísticos, a projeção do corpo depende de múltiplos fatores: • ângulo de colisão; • transferência de energia; • massa dos veículos; • posição corporal da vítima; • frenagem prévia; • aderência do pavimento; • reação instintiva do piloto; • uso ou não de equipamentos de proteção; • efeito catapulta decorrente do contato entre guidão, tanque e corpo. Portanto, a distância de projeção, isoladamente, não possui valor conclusivo absoluto. Do ponto de vista pericial, algumas conclusões e cautelas NÃO podem deixar de ser consideradas: ________________________________________ 1. A localização do dano é tecnicamente determinante Quando o impacto ocorre na lateral traseira da motocicleta do réu, surgem hipóteses técnicas importantes: • o réu já havia concluído ou quase concluído sua manobra; • o outro veículo pode não ter mantido distância de segurança; • pode ter ocorrido invasão tardia de trajetória; • a motocicleta atingente pode ter desenvolvido velocidade incompatível para reação eficaz. Em dinâmica de acidentes, quem atinge a parte traseira ou traseira-lateral frequentemente estava em condição menos favorável de percepção e frenagem. ________________________________________ 2. A ausência de vestígios limita conclusões categóricas Após muitos meses, normalmente desaparecem: • marcas de frenagem; • fragmentos; • posição final dos veículos; • deformações originais; • coeficiente real do pavimento; • registros eletrônicos; • vestígios de tinta; • danos primários e secundários. Sem esses elementos, qualquer afirmação absoluta sobre velocidade, culpa integral ou tempo de reação torna-se tecnicamente frágil. Um perito prudente deve reconhecer os limites científicos da reconstrução tardia. ________________________________________ 3. Não é possível inferir culpa apenas pela gravidade das lesões As sequelas graves da autora possuem relevância humana e jurídica, mas não constituem prova automática de responsabilidade técnica do réu. Em acidentes motociclísticos, lesões severas podem ocorrer mesmo em velocidades moderadas devido a: • ausência de estrutura de proteção; • desaceleração abrupta; • impacto secundário contra o solo; • rotação corporal; • trauma craniano ou ortopédico indireto. A extensão do dano corporal não determina, por si só, a dinâmica exata do acidente. ________________________________________ 4. Deve-se considerar a possibilidade de culpa concorrente Sem provas materiais robustas, a perícia deve considerar cenários alternativos, incluindo: • erro de avaliação de distância; • mudança brusca de faixa; • ausência de reação defensiva; • velocidade inadequada da vítima; • ponto cego; • falha de percepção; • tentativa de ultrapassagem; • entrada repentina na via principal. A engenharia forense trabalha com probabilidades técnicas compatíveis com os vestígios disponíveis, e não com presunções emocionais. ________________________________________ 5. O lançamento a 6 metros não é incompatível com velocidades urbanas moderadas Tecnicamente, uma projeção corporal de 6 metros pode ocorrer mesmo em velocidades urbanas relativamente comuns para motocicletas. Isso porque o corpo humano, após perder contato com o veículo, comporta-se como um projétil influenciado por: • energia residual; • inclinação; • altura do centro de massa; • rotação angular; • atrito do solo. Portanto, essa distância não comprova, isoladamente, excesso extremo de velocidade. ________________________________________ 6. O princípio da incerteza pericial deve ser explicitado Uma conclusão técnica responsável deve registrar que: • a ausência de vestígios contemporâneos reduz significativamente a confiabilidade reconstrutiva; • não há base científica suficiente para afirmações categóricas; • eventual responsabilização integral dependeria de provas complementares; • depoimentos isolados possuem limitações técnicas e memória degradável ao longo do tempo. ________________________________________ 7. Conclusão técnico-pericial possível Um parecer equilibrado poderia concluir que: “Os elementos remanescentes sugerem compatibilidade com impacto na região lateral traseira da motocicleta do réu, circunstância tecnicamente relevante na análise de precedência viária e ocupação da trajetória. Contudo, diante da ausência de vestígios materiais contemporâneos, da impossibilidade de reconstrução cinemática precisa e da inexistência de dados confiáveis de velocidade, não é tecnicamente possível afirmar, com elevado grau de certeza científica, a culpa exclusiva de qualquer das partes.” Essa é uma postura pericial consistente com os princípios da engenharia forense: objetividade, limitação metodológica e ausência de extrapolações além dos vestígios disponíveis.