domingo, 6 de setembro de 2015

A voz rouca das ruas

“Apesar de você/ amanhã há de ser/ outro dia” Chico Buarque

A “primavera brasileira” está florida: igual  as demais que já exibiram suas rosas de liberdade -como a de Praga, contra a dominação soviética na década de 70, e a árabe de agora, que sacou do poder notáveis  tiranos. No nosso caso, começou muito  difusa por termos ficado  tanto tempo calados, mas  clamamos agora contra toda forma de corrupção, entre as quais a  pior delas, a corrupção de prioridades, cujo maior exemplo se dá nos preparativos para a  copa,  que  fez o povo  perceber como se gasta 1 bilhão de reais em um estádio para ser usado poucas vezes, isto em regiões onde se tem total carência de recursos para saúde, segurança e educação. E para atender uma organização como a FIFA,  cujos dirigentes brasileiros ou não, foram obrigados pelos ministérios públicos do primeiro mundo, a sair pela porta dos fundos, acusados de receber propina.

Tudo começou com o aumento de  0,20 na passagem de ônibus em SP... Foi a gota dágua.  Porque a população não aguenta mais ser enganada com o conto da conta de luz mais baixa.Com a promessas de transposição das águas do Rio São Francisco ,enquanto sucumbe à maior seca dos últimos 50 anos. Com projetos sem pé e sem cabeça do PAC I e PACII, incluindo um trem bala  para otários.Com hospitais lotado, sem médicos e equipamentos. Com balas perdidas da polícia e  bandidos tirando a vida de nossos filhos e ente queridos.

Com a ineficiência e falta de gestão nas escolas, aliada à falta de prestígio dispensada aos professores-  pagamos altos impostos- cerva de 36 por cento do PIB, e não temos retorno. Os números são matadores: enquanto gastamos cerca de 900 dólares por aluno, em países em que a educação é prioridade, se  gasta  até 10 vezes mais. Mesmo naqueles estados mais pobres que nós, que já somos a sexta  economia do mundo. A educação não é importante para o comissariado, se fosse, faríamos agora  a revolução máxima educando a nação, só com a dinheirama  pública queimada, ao fazer estes verdadeiros elefantes brancos, que são esses estádios de 1 bilhão de reais. Detalhe: como cereja de bolo, no Rio, o Maracanã foi “cedido” ao Sr. Eike Batista, para exploração por dezenas de  anos, após todos esses  aportes de dinheiro publico, não é lindo?

Ulisses Guimarães, um dos pais da Pátria, sabia ouvir o povo, e cunhou o termo que dá título a este artigo. Já Lula, oportunista da pátria, sumiu quando as vozes da rua se mostraram insatisfeitas com sua criatura: “a mãe do PAC”. Alguém viu este cidadão? Ele falou algo relevante? Ou será que ainda está na Venezuela ajudando a enganar aquela população com o passarinho chavista? terá sido dele a ideia da constituinte exclusiva? E agora, a do plebiscito, para colocar de vez um nariz de palhaço na população brasileira?

São 10 anos de mensalão e assemelhados: não dá mais pra segurar. Cadeia para os mensaleiros,  e julgamento para o Sr. Lula aqui em Minas Gerais - que nunca fugiu às suas responsabilidades. Encerraremos assim, este triste ciclo de corrupção e embuste, que transformou este País num balcão de negócios, que banalizou o delito, e deixou nosso povo a achar que a meritocracia não existe, já que  roubar do erário, é o caminho mais fácil para o sucesso.

José Carlos Nunes Barreto
Professor doutor e Presidente da ALU-Academia de Letras de Uberlândia –MG

debatef@debatef.com

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

A Herança Maldita


O  governo mais auto elogiado da história do País saía, após tentar  humilhar seus antecessores com pretensas lições de governar. Daí veio a catástrofe de Teresópolis e de Nova Friburgo, então, seu secretário de tecnologia foi obrigado a confessar, no Congresso Nacional: ”Falamos muito e fizemos pouco” - No caso do mapeamento de área de riscos, e fortalecimento da defesa civil nas áreas atingidas, e em  todo o País, esse pouco foi quase nada. O ex - governador Garotinho, de muitos outros pecados, além de coautor do atual estado da arte, divulgou em seu blog, que  o governo federal  disponibilizou 24 milhões de reais para serem utilizados na remoção de moradores destas áreas, e o dinheiro foi desviado pelo atual governador do Rio, para uma importante rede de televisão, na época da campanha  para reeleição. Onde o ministério público? Porque ainda não foi usada polícia federal? Um crime como esse, se comprovado, não poderia ficar sem punição, a fim de  servir de exemplo para todos  gestores da coisa pública que desviam recursos do erário. São políticos vigaristas, como  ensinava  Berttold Brech: por gastarem mal os escassos recursos da sociedade,   geram como consequência mortes, carestia,  fome,  prostitutas, menores abandonados, e  futuros assaltantes.

Goebels, no nazismo de Hitler, comprovou  que uma mentira falada muitas vezes, se transforma em verdade, e maquiavelicamente, o  governo que terminou  foi um às no assunto: Mensalão virou “golpe das elites” mesmo com vasta documentação e condenação em andamento no STF. Outra lorota: Abriu-se a porta da prosperidade, vendeu-se ilusões para o povão e até, pasmem, para  a elite que o elegeu como guia. Desgraçadamente para os jovens, reforçando a “lei de Gerson” do menor esforço, a megalomania, ao se julgar  excepcionalmente melhor que os outros, sem ralar em cima de projetos, de estudos  e da penosa preparação contra o que pode  vir de pior. Pobre Brasil. Não somos melhores que ninguém, temos uma argentina de desvalidos, e precisamos investir muito em nossa gente para sairmos do septuagésimo terceiro lugar em IDH, para algo próximo ao que somos como economia, oitavo lugar. Isso só se faz com livros, professores, horas de estudo e meritocracia, ou seja, ganha quem tem conhecimento, habilidades e atitudes aprendidas. Nos últimos 5 anos, crescemos menos que a média da América Latina, e  os países pobres da Europa como Romênia, Sérvia, Bulgária. Apesar disso, ao crescermos 7,5%  em 2010, nos deparamos com o apagão de talentos e de infraestrutura. E a perspectiva? Sem um grande projeto  nacional de educação que englobe, da escola primária à pós graduação, não teremos chance de brilhar  nesta janela de oportunidade que se abre para os  próximos vinte anos.

Finalizando, cada centavo  do orçamento é sagrado e deveria ser utilizado para a redenção desta escravidão moderna que nos oprime: Teremos de importar, já, milhares de engenheiros, carpinteiros, pedreiros, pilotos de avião e  arquitetos, se quisermos continuar a crescer, enquanto milhões de brasileiros que poderiam ocupar estes postos de trabalho, permanecem no limbo. Não é triste?

José Carlos Nunes Barreto
Professor doutor
debatef@debatef.com.br


quinta-feira, 30 de julho de 2015

Pai

“Pai,/ você foi meu herói/ meu bandido/
hoje mais/ muito  mais/ que um amigo...”
Do nosso cancioneiro popular.


Se você não assistiu ainda o filme ”Os dois filhos de Francisco”. Corra! Vale a pena. Os dois filhos em questão são Zezé de Camargo e Luciano, a mais famosa dupla de artistas do gênero “caipira-romântica”. Gosto muito de cinema tipo telona, e escolho, escuto opiniões antes de assistir a película, para tirar o maior proveito possível. Neste filme há a figura de um pai que transforma-literalmente- os filhos em cantores, treinando e investindo o que não tinha em instrumentos musicais para os mesmos. ”É o amor/Que mexe com a minha cabeça/ E me deixa assim/... Fazendo eu  esquecer de mim”. Quem nunca cantarolou esta música do brilhante compositor e cantor Zezé de Camargo? Todavia o mais importante vem depois: a reflexão sobre os fatos marcantes mostrados na película. A luta pela sobrevivência. A fome. A migração. Ser enganado por empresários. A tragédia da perda do irmão que fazia a dupla originalmente. E, ”last but not least” (último mas não menos importante)a figura marcante de uma mãe que como pêndulo dava o contrabalanço ao romantismo sonhador de um pai zeloso pelo futuro dos meninos. Todos temos mães e pais. Alguns já se foram. Outros ainda nos abençoam. Porém toda vez que presenciamos situações assim, seja no cotidiano, seja em filmes, nos remetemos à eles, e à nossa infância, para lembrarmos de ocasiões semelhantemente vividas. Lembro de meu pai. Trabalhador como Francisco. Sonhador como ele. Com muitos filhos também. Quando passei no vestibular da UFU para Engenharia Mecânica no longínquo 1970, vindo de Goiânia, fiz trajetória inversa aos meninos de Francisco, que acabavam de chegar lá. Lembro que minha família não tinha como me bancar aqui. Mas o velho pai nem pensou na hipótese de eu desistir: ”você com este título de doutor ainda pode ser Presidente da República”. E lutou com poucos recursos que sobravam da manutenção da casa com mulher  e outros sete filhos menores, para me mandar “algum” até que eu pudesse me sustentar com as aulas de matemática, que passei a ministrar na escola estadual Bueno Brandão e no Colégio D. Pedro I. Começava aí minha carreira de professor que nunca mais parou, e logo em seguida iniciava a de pai de dois meninos e uma menina. Hoje formados, graças a Deus.

Minha reflexão também se deteve no significado da ausência da figura do Pai. O tanto que ela faz falta. Quando alguém não tem pai na infância perde o “animus” - aquele que te empurra para frente e diz, não tema filho! Enquanto o “anima” - a mãe - o acolhe quando algo dá errado, tal como no “Yang/Yung” oriental, complementares e fundamentais para sermos felizes e alcançarmos o sucesso. Meu pai já se foi. O velho Barreto. E nestas linhas de emoção, compartilho com vocês minha saudade. Minhas lágrimas. E minha homenagem. Sempre lembrando que ainda temos (e sempre tivemos) o Pai das luzes-Jeová, que com sua infinita bondade e misericórdia derrama sobre todos, dia a dia, o sol, a chuva, e sua graça que as escrituras nos ensinam que é melhor que a vida. Se você ainda o tem, abrace seu pai e aproveite a benção de sua presença.

José Carlos Nunes Barreto
Professor doutor
debatef@debatef.com   



O Líbano é aqui

“Vou deixar a rua me levar/ ver a cidade se acender/.../Eu vou lembrar você”

Do nosso cancioneiro popular.


E o Líbano não é aqui. Temos dois países distantes. Que sofrem de maneiras diferentes, e interagem com a dor do Mundo. De tão brutal o abismo, dá vertigem. O País “corporate” na Vila Olímpia em SP e o PCC nas zonas sul e leste, nas palavras de João Sayad, em artigo na Folha de SP de 07/08/2006. Ele não é qualquer um. Foi ministro do planejamento do governo Sarney. É inflente economista - pensador do nosso tempo, e vive em SP.

Em plena campanha para Presidência da República, falta um projeto de Nação. Os estudiosos de fora do País, como C. K. Prahalad, um indo - americano, têm propostas melhores que os envolvidos nesta rinha desértica de idéias. Também vem de fora o conceito de BRICs e com ele as projeções, que embora na rabeira e comendo poeira, nos colocam junto com a Rússia, a India e China, no olho do redemoinho da transformação deste século. Este conjunto de países representarão 40% do PIB mundial além 800 milhões de novos consumidores de classe média já em 2010, segundo Estudo da Goldman Sachs. Nas décadas seguintes devem desbancar potências como JP Alemanha e EUA. A lógica dos negócios vai sofrer mudanças críticas com a entrada destes consumidores emergentes. Essa classe média no Brasil é a mesma que vai eleger o próximo congresso e o Presidente da República. Será que isso não nos diz nada?

Crescemos menos, somos os menos educados, temos a maior carga tributária, a pior e mais avariada infraestrutura. Contudo nosso lado “corporate” possui um parque industrial diversificado, grandes reservas minerais ao lado de uma rede de universidades, linkadas a um elogiado sistema de pós graduação, que já produz 1,8% dos artigos científicos do mundo, ultrapassando países de primeiro mundo.

No nosso “lado PCC” somos um líbano, massa de manobra dos países desenvolvidos e de belicosos espertos como Chavez e Morales. No “Corporate” somos liderança com potencial de ser o maior fornecedor mundial de produtos agrícolas.
No Líbano real, a guerra é por procuração dos EUA de um lado e por Síria + Irã do outro, com uma mãozinha da França. O Hezbollah só tem sua força por causa do armamento e apoio logístico destes países. E Israel, a nosso ver atacou o Líbano só para atrair a Síria e o Irã ao teatro de operações, e facilitar assim a ampliação do conflito, que propiciaria o tão almejado ataque dos americanos ao seu arqui-inimigo, o eixo do mal Irã.

Mas não é de hoje que somos um quintal dos poderosos, que usam o BIRD (Banco Mundial) e O FMI(Fundo Monetário Internacional) para atingir seus objetivos. Agora é a OMC (Organização Mundial do Comércio), onde se destaca o “caso dos pneus”: A UE (União Européia) impugnou entre outras medidas, a proibição da importação de pneus recauchutados da UE, imposta ao Brasil. Um absurdo surrealista! Se vitoriosos em seu intento, teremos de recuar nas nossas suadas políticas de proteção à saúde e ao meio ambiente, para receber como destinação final, um passivo ambiental europeu. Via de consequência geraremos mais dengue, mais acidentes, mais poluição e mais mortes. O que é pior: isso ou   um míssil do PCC - Hezbollah?

José Carlos Nunes Barreto
Professor-doutor
Uberlândia MG

debatef@debatef.com

O Resultado do descaso

Relembrando Milton Santos, maior geógrafo do Brasil: ”O espaço é a morada do homem, mas pode ser também a sua prisão”.

O ano de 2010 está findando e será reconhecido no futuro como aquele em que aconteceu a batalha do Rio, quando forças da legalidade finalmente enfrentaram o poder paralelo do tráfico nos morros do Rio de Janeiro. Parecia um filme "Tropa de Elite 3", só que real, e nele, muitas vidas de inocentes foram ceifadas,  apesar dos números serem frios e dizerem que não houve o esperado “banho de sangue”. Todavia mais uma vez, os negros e pobres foram sacrificados no altar do descaso do estado. Os especialistas em segurança já apontavam para a escalada da violência no Rio e no Brasil, primeiro na década de 80, epidêmica e acima de 8 homicídios por cem mil habitantes-depois catas trófica, hoje, acima de 31 mortes para cada 100 mil habitantes. A causa principal é o tráfico de drogas alimentado pela Bolívia, em mais de 80% do total de suprimentos. Em qualquer guerra, o fundamental é cortar o suprimento, e se não o fazemos é por falta de ação ou comprometimento com a causa. Uma parte sensível de nossa polícia é corrupta e está vendida ao tráfico. Especulava-se no programa “Roda Viva” da rede Cultura, logo após o evento em questão, em entrevista com o ex - secretário nacional de segurança pública e ex- secretário de segurança pública do Rio no governo garotinho, que o catalizador do movimento terrorista, que precipitou a ação das forças legais no Rio, seria a queda de braço entre traficantes e policiais, pela taxa cobrada pelos últimos para fazerem “vista grossa” ao tráfico. Lamentável, mais precisamos dizer com todas as letras, que a principal tomada das forças da lei e da ordem ainda não foi feita, qual seja, acampar e intervir nas polícias do País.

Curioso que as inteligências nacionais não tocam no assunto,  ficam no “border line” enquanto os comandantes do tráfico, de dentro das cadeias de “segurança máxima” comandam massacres na população civil, em represália ao alto preço cobrado pela banda podre da polícia brasileira. E não estamos falando de algo inusitado no mundo. A operação “mãos limpas” na Itália e a destruição do cartel de Cali pelas ações em prol da legalidade na Colômbia, por exemplo, fizeram desaparecer as bandas podres da polícia e do judiciário nestes países, reféns até então da máfia. Prendeu-se e julgou-se chefes de polícia, delegados, juízes e procuradores corruptos e macunados com o tráfico de drogas e de armas. Não precisamos “reinventar a roda”. A boa pergunta a ser feita é: Porque ainda não foi realizado isso aqui?

A paz é o melhor presente que desejamos a todos neste final de ano. Populações inteiras prisioneiras dos bandidos em suas comunidades, anos a fio, comemoram este natal livres da “lei do silêncio”, e os negócios da sociedade civil começam a florescer em morros e favelas ocupados agora pelas unidades de polícia pacificadoras no Rio- um modelo a ser seguido por BH e por todas metrópoles brasileiras. Simples assim: sai o poder paralelo, entra o estado, que agora tem uma enorme avenida a ser construída em termos de relacionamentos e serviços para a população. Quem pode mensurar o prejuízo de dezenas de anos desta ocupação ilegal de território pelas milícias e máfias de drogas e armas? E como não responsabilizar o estado por tanta demora em agir?

Cristo, o Senhor do natal e de nossas vidas, nos ensina que “se conhecermos a verdade, a verdade nos libertará”. Esta verdade renova mente, corações e espírito trazendo perspectivas de cura para o corpo. Atitudes  novas, como essa das autoridades do Rio, transformam  o espaço urbano e principalmente nossas casas. E felicidade nada mais é que isto: salvar a alma das opressões do maligno e seus anjos, libertar o corpo de doenças e vícios, construir liberdades.

Felicidades! E Feliz natal a todos e todas.

José Carlos Nunes Barreto
Professor doutor

debatef@debatef.com.br

Justiça


“Nem os sábios nem os destemidos se deitam nos trilhos da história para esperar que o trem do futuro passe por cima deles”

Dwight D. Eisenhower


Sempre achei que uma das maiores chagas da nação é a falta de acesso à justiça para o cidadão comum... Pois a ONU acaba de públicamente censurar este país como carente de justiça-deu na France Press. Chacinas não resolvidas, sem punição aos responsáveis- sempre envolvendo policiais civis e militares, portanto o Estado-atirando contra  pessoas desarmadas e sem passagens na polícia e cujo único crime foi sair na rua no instante em que “a bandidagem”  fazia sua carnificina “à la gangues de Nova York”: Na última(last but not least)trinta pessoas mortas na região de Queimados(triste nome) no RJ. Paradoxalmente, não só a base da pirâmide social sofre com esta calamidade. O STF detém por muitos anos com sua morosidade, decisões que afetam grande parte do PIB nacional,(em bilhares de dólares)representado por empresários e empresas muitas já falidas pela espera. A insegurança jurídica reina e aumenta o risco Brasil e o “espread” bancário, afastando até mesmo investidores internacionais.

Nepotismo, formação de quadrilha, tráfico de influência, venda de sentenças, e falta de disposição para mudar e cortar na própria carne, são alguns dos crimes e mazelas que acompanhamos atentos nas páginas policiais dos jornais e magazine s do país e principalmente do exterior, onde livres da pressão e do poder dos magistrados lemos antes daqui, absurdos da nossa “justiça”. Há medo de se tocar no assunto, até mesmo no ministério público. E este é dentre as instituições forjadas na constituição cidadã de 1988,a que mais esperanças dá ao  brasileiro e em  quem ele mais confia para ajudar na transformação da justiça.

E qual a solução? Perguntaria o leitor. Acredito que como formador de opinião não posso me deitar nos trilhos da história. Como lembrou o grande estadista americano citado acima. Boas perguntas são uma forma de resolver os problemas de administração pública como ensina Sthefen Kenetz na edição da revista Veja de 30 de março. Então vamos lá: 1)A quem interessa um judiciário assim? 2)Porque na reforma do judiciário só se faz mudanças tópicas; 3)Porque não aprendemos com a Itália na operação “Mãos Limpas” de combate à máfia que contaminou aquele judiciário? 4)Será que não temos homens públicos corajosos para este comando que a nação clama? 5)Como executar uma reforma que desate este verdadeiro nó que segura o país? 6)Onde deverá acontecer o começo do processo? 7)Quanto custa isto? 8)Em quanto tempo se faz?

Vocês podem não ter percebido mas estas perguntas são parte de uma ferramenta da qualidade que ensinamos nos cursos de administração e é  usada por empresas no mundo inteiro: O 5W2H(iniciais em inglês de: o que? Quem? onde? porque? como? quanto custa? e Quando?, sempre que a parte mais difícil já foi executada, isto é após descobrirmos o problema fundamental ou raiz. E parece que está bem claro qual é ele, ou não?

José Carlos Nunes Barreto
Professor Doutor

debatef@debatef.com

Bispos e pastores do mal



Quando vi o filme “O nome da rosa” pensei que seria o máximo em termos de enredo do mal dentro da igreja. Cabe notar que naquele monastério, onde foram rodadas as cenas, viveram durante séculos monges, a maioria filhos caçulas da nobreza européia, enviados para clausura como forma de evitar dividir a herança da família. Para muitos, não havia escolha: ser sacerdote era a única saída. Mas é importantíssimo frisar que existem hoje, graças a Deus, muitas abençoadas carreiras eclesiásticas, de pastores de almas, que são fruto de um despertar, um toque  do espírito santo,  da mesma forma que aconteceu à S. Francisco de Assis, que rico renunciou a tudo por amor a Deus, doou  aos pobres sua riqueza. Fez o solicitado por Jesus àquele rico príncipe que o procurou à noite: ”Vai vende tudo que tens e dá aos pobres”.

Bispos e pastores há, porém, que só pensam em poderes e riquezas deste mundo. São avarentos, e não tem o menor constrangimento em se apoderar das ofertas dos fiéis, seja para pequenas coisas (quem não é fiel no pouco, como o será sobre fortunas?), seja para fazer campanha política e/ou promoção pessoal. Alguns compram e mantêm emissoras de TVs, com o dízimo da igreja, pagando caríssimos espaços na madrugada, desestabilizando esse mercado de comunicação. Enfim vivem nababescamente.

A história eclesiástica mostra que, após dezenas de anos de delitos acobertados pelas igrejas - de modo geral- itens como roubo, tráfico de influência, puxadas de tapete de pares que podem fazer sombra, difamação e calúnia, abuso sexual de menores, etc...(a lista é longa demais),alguns desses atores terminaram sendo julgados, nunca por seus pares, e poucos foram presos. Uma vergonha! Ao invés de vestir toda armadura de Deus para combater o mal deste mundo, eles são o próprio mal. São os dominadores deste mundo tenebroso juntamente com o diabo e seus anjos, fazendo acordos com os Sarneys da vida, não importando os meios para chegar a um almejado fim.

Pastores há, também, que de seus púlpitos agem como covardes a citar exemplos de casos acontecidos sob sigilo de sua ação pastoral. Expondo os fiéis. São macacos em loja de louças, não sendo éticos, não tendo humildade, ao contrário sendo vaidosos, orgulhosos, presunçosos  dentro dos seus ternos e túnicas de “linho egípcio”. É lamentável dizer, mas estão como Eli nos tempos de Samuel. Deus não fala mais através deles, não podem mais fazer maravilhas, pois o poder sobrenatural do Senhor lhes foi tirado. Alguns ouvirão dele no dia do juízo: ”não vos conheço”. 

O Pior eu veria em outro filme: “O Código Da Vinci”, que inovou. Trouxe mais suspense e mistérios. Por causa de seu enredo, houve até quem se desviasse da fé. E ele é só uma nova trama, no essencial, uma ficção que despreza dados e fatos verídicos, e cria outros mentirosos. Uma cilada armada pelos principados e potestades, igual à que parou o apóstolo Paulo quando se dirigia para uma de suas igrejas. Se parou Paulo, que dizer a nós, homens de fé menor que o grão de mostarda? São tempos difíceis, mas tenho certeza que se os pastores e bispos continuarem assim, Deus continuará a falar nem que seja através de pedras ou com uma mula, como fez com Balão.

José Carlos Nunes Barreto
Professor doutor
debatef@debatef.com.br