domingo, 23 de janeiro de 2022

O LEGADO DE 2021

“O legado do ano 2021” “De tudo ficam três coisas: a certeza de que estamos sempre começando, a certeza de que precisamos continuar, e a certeza de que seremos interrompidos, antes de terminar. Portanto, devemos fazer da interrupção, um caminho novo; da queda, um passo de dança; do medo uma escada; do sonho uma ponte; da procura um encontro” (Fernando Pessoa). Certos anos nunca terminam: 1968 foi um deles, e este escriba, era adolescente de 17 anos, à época daquela transformação social, empreendida pelos babyboomers com o woodstock, e a tríade sexo, drogas e rock n’roll. 2001, com o ataque e destruição das Torres Gêmeas, foi outro ícone. E, agora 2021, 20 anos depois, com a pandemia do SARCOV2 no mundo, e o alívio da vacinação em massa, nos transmite a mesma sensação de que, um novo tempo de mudanças , nem sempre para pior, está apenas começando. Uma era de oportunidades e de transformações, que nos colocam desafios como nação , nesta eleição em 2022, para a próxima legislatura e Presidência. Que enumero: primeiro, realizar uma revolução educacional paralisada nos últimos governos; segundo, uma revolução sanitária, em paralelo com a revolução sociológica, que serão a base de reformas estruturais ,e desaguarão na implantação da igualdade social (as reformas tributária, política e fiscal), pois não queremos repetir a Grécia de 2011-não podemos quebrar! Em terceiro, seria desejável a construção de um marco de gestão ambiental no país, como benchmarking para o mundo, aproveitando nossas vantagens comparativas inatas. Sobre esse tema, a sigla ESG, (MA, Segurança e Governança) em alta no mundo, oferece políticas que nos forçarão a tomar medidas necessárias , para evitar maiores desastres climáticos, por exemplo, plantando um cinturão verde ao redor da Amazônia, igual ao que a África fez, e que também foi realizado em SP na serra do mar, em volta de Cubatão entre as décadas de 80/90...A fim de diminuir a temperatura da Terra, contudo incluindo também na agenda nacional, a inclusão social,com a exclusão da fome, como chaga social e econômica , ao fazermos um pacto nacional de sustentabilidade, na produção de bens e serviços.Se o atual mandatário quiser se reelegar, precisará negociar planos de ação nesta linha...De nada! Vale lembrar que o aumento das queimadas na Amazônia, vai em sentido contrário a esse paradigma, haja vista a ação deletéria dos eventos oriundos do clima, no País. E não será agora, com esses impactos sociais e ambientais agudos, que sequer conhecidos são, em sua totalidade, que devemos tolerar grupos econômicos ligados à velha mídia impressa e eletrônica, monopolizarem o debate, para infelizmente, favorecer a oposição, que tenta voltar ao poder , para fazer mais do mesmo, ou seja: o alinhamento com o Foro de SP, de triste memória (fome , miséria e venezualização) em países que o acolheram na AL. Há que se lutar pela consolidação da reforma do Judiciário, impedindo o aparelhamento do mesmo pela esquerda, não permitindo retrocessos no controle externo desse poder, pela Procuradoria do CNJ. É preciso voltar a aplicar a Lei da Ficha Limpa, cassar congressistas e togados envolvidos em crimes. Trazendo à memória que, a justiça representada pelo STF, hoje , é outra chaga social, com prisões arbitrárias por delito de opinião, algo que nem as piores ditaduras já vividas anteriormente no País conseguiram fazer. Triste momento, mas de luta! Se quisermos, poderemos fazer em cinco anos a principal revolução necessária ao país, a educacional, e para isso, precisaremos de menos recursos e energia, do que devotamos para a realização das emendas do Centrão - com o orçamento secreto, e para partidos políticos comprarem vozes e consciências- neste ano eleitoral -vide os acordos , ora realizados no Congresso Nacional, para a votação dessas leis específicas, muitas delas deletérias ao arcabouço institucional e jurídico da nação. Tudo isso, nas barbas de uma das piores legislaturas já eleitas no Brasil. Continuando, a revolução sanitária é simples de ser feita e, com ela, deixaríamos de gastar vários bilhões de dólares por ano com o SUS. Basta sanearmos as cidades brasileiras, construindo estações de tratamento de água e esgoto, além de aterros sanitários. Essas metas estratégicas, farão girar a economia, e os resultados ficarão, para sempre , como marcos favoráveis às atuais e futuras gerações de brasileiros, que se desesperam hoje, com a atual crise sanitária do SARCOV2, todavia,como legado se conscientizaram da importância da gestão da saúde, em suas vidas. Vamos portanto, ajudá-los! Que assim seja! JOSÉ CARLOS NUNES BARRETO, Pós Doutor e Professor universitário ( Adaptado e atualizado de artigo publicado pelo autor no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 4 de janeiro de 2012, Caderno OPINIÃO, página 9).

METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

jose carlos nunes barreto Ao apresentar o módulo, a autora afirma com precisão, que a metodologia é encontrada em toda pesquisa científica, devendo ser detalhada o suficiente, para que outro pesquisador possa replicar o estudo descrito, portanto, todo estudante de graduação, e pós graduação, precisa conhecer a estrutura de um artigo científico. “Esse formato de trabalho é utilizado em congressos, e revistas acadêmicas, como meio para circular o conhecimento adquirido numa pesquisa.”. Tanto os resultados do TCC, quanto projetos realizados ao longo do curso, podem render uma publicação. Escrever artigos, mesmo que em coautoria de professor orientador, também ajuda o aluno a pontuar no Currículo Lattes. Esses dados, são avaliados durante as seletivas para uma pós-graduação, podendo inclusive, garantir uma bolsa de mestrado ou doutorado. Portanto, de acordo com a autora, vale a pena investir um tempo para elaborar um texto coerente, informativo, e com uma linguagem acessível, seguindo normas de formatação da ABNT NBR 10719 ou da ABNT NBR 6022, conforme o tipo de trabalho científico. Esta apostila e curso, é uma sequência que possibilita ao aluno, definir o que é um processo de metodologia científica, desde sua linguagem e argumentação, passando pelas etapas da pesquisa, até chegar na elaboração de um artigo cientifico, com suas estruturas, e normas utilizadas. (Metodologia do Trabalho Científico, in Apostila de Engenharia de Segurança do Trabalho. Editora Faculdade Única, Ipatinga,2021). Conforme o conteúdo ensinado na mesma, o método científico deve ser diferenciado dos objetivos e produtos da ciência, como conhecimento, previsões ou controle, e , métodos são os meios, pelos quais estes objetivos são alcançados. Etimologicamente, a palavra metodologia, vem do grego “metá”, que significa na direção de, e “ hodós” que significa estudo, (Rodrigues, 2006, p.19), logo, inferimos que é o estudo crítico dos métodos utilizados. São as opções disponíveis para o estudo, daquilo que o pesquisador acredita poder saber mais. Rodrigues ainda define, de modo resumido, o que podemos identificar como metodologia científica: “Assim pode-se dizer que, a metodologia científica consiste no estudo, na geração e na verificação dos métodos, das técnicas, e dos processos utilizados na investigação, e resolução de problemas, com vistas ao desenvolvimento do conhecimento científico. O conhecimento científico, se constrói por meio de investigação científica (Rodrigues, 2006, p.19)”. Ainda segundo a autora, "o desenvolvimento do método científico, envolve algumas das culturas mais esclarecidas da história, bem como alguns grandes cientistas, filósofos e teólogos. Além de analisar as mudanças na filosofia, subjacente à descoberta científica, não podemos esquecer algumas das ferramentas, que tornam a ciência possível, incluindo indexação de bibliotecas, e revistas científicas revisadas por pares". Desde as observações dos antigos gregos e zoroastrianos, até o telescópio espacial Huble, a história do método científico, está subjacente ao desenvolvimento de toda ciência e tecnologia, e devemos nossa tecnologia moderna, à algumas mentes grandes e inovadoras que delas se socorreram. Quivy & Campenhoudt (1995,p.247-53) falam sobre os princípios contidos nos 3 eixos de uma pesquisa. e da lógica que os unem: 1-A ruptura- romper com ideias pré-concebidas e falsas evidências; 2- A construção- A ruptura só se efetua, ao nos referirmos a um sistema conceitual organizado, suscetível de expressar a lógica que, o pesquisador supõe ser a base do objeto em estudo;3- A constatação – uma proposta de pesquisa tem direito ao status científico, quando ela é verificável, por informações de realidade concreta: a experimentação. Segundo Goldemberg apud Prominas, numa pesquisa científica, é imprescindível existir: a) Uma pergunta que se deseja responder; b) A elaboração de um conjunto de passos que permitam chegar na resposta; c) A indicação do grau de confiabilidade na resposta obtida. Ainda, de acordo com a autora, as etapas de uma pesquisa são:1) Identificar o problema; ;2) revisão da literatura;3) Esclarecer o problema;4) Examinar o resultado e tirar conclusões. Segundo a apostila, o modelo hipotético dedutivo, é uma descrição da proposta do método científico, e é conhecido como teste de hipóteses. Em princípio, não levanta problema, uma vez que sua validade, depende do teste empírico apropriado. Hipóteses, variáveis dependentes. e independentes, formam um conjunto de ferramentas teóricas que, nos auxiliam a criar teorias sobre fenômenos da natureza, e envolvem 3 níveis. No primeiro, acontece a observação dos fatos, fenômenos, comportamentos e atividades; no segundo, temos as hipóteses, e finalmente, no terceiro, surgem as teorias, hipóteses validadas e sustentáveis ( aquelas que foram testadas) Durante as etapas da pesquisa científica, uma leitura crítica se faz necessária, quando se chega à ” estrutura profunda”, isto é , verificar consistência, lógica, tom, organização e vários outros itens, que permitem ir além da superfície do texto. Segundo a autora, a leitura crítica, é uma precursora importante da escrita crítica, e , na sequência fornece algumas ideias sobre, como o pesquisador pode se tornar um escritor mais crítico, independente de quanto objetivo, técnico ou científico, seja o assunto. Sabendo-se que o mesmo haverá de tomar muitas decisões, durante o processo de pesquisa e redação, e que cada uma dessas decisões é um tópico potencial, para exame e debate, e não para aceitação cega. O objetivo da leitura crítica não é encontrar falhas, mas avaliar a força da evidência e do argumento. A capacidade de reinterpretar, e reconstruir para maior clareza e legitimidade, também é um componente da leitura crítica, ainda de acordo com a autora, pensar criticamente, no sentido acadêmico, envolve ter a mente aberta, usando julgamento e disciplina, para processos que o pesquisador está aprendendo, sem deixar que seu viés, ou opinião pessoal, prejudique os argumentos. Alguns autores sugerem que, se deve começar a escrever um artigo científico, pelos objetivos e conclusões do trabalho, de acordo com a análise crítica dos resultados encontrados... Dessa forma, é possível ter uma visão clara da pergunta, que se gostaria de responder, com a pesquisa (Os objetivos) E quais as respostas, realmente se encontrou (Conclusões). As conclusões, ainda segundo a autora, são o ponto forte do estudo, e guia para estruturação do texto do trabalho científico. Como considerações finais, me amparo na lavra da autora, sobre o bom uso da habilidade de construir trabalhos acadêmico -científicos: “se supõe dar ao acadêmico ou pesquisador, não apenas o domínio dos conteúdos e técnicas, próprias à especificidade da atividade profissional, como também, e principalmente -(acrescento), o domínio dos aspectos relacionados, à forma e à sistematização do próprio pensar”. Nesta caminhada rumo ao final desta especialização, em Engenharia de Segurança do Trabalho, o curso de metodologia do Trabalho científico, nos ensina a ser críticos e a pensar, por conseguinte, nada poderia ser mais adequado e estimulador para o início de uma carreira, que se abre, no horizonte de um profissional preparado! REFERÊNCIA Metodologia do Trabalho Científico, in apostila de Engenharia de Segurança do Trabalho. Editora Faculdade Única, Ipatinga,2021)

Fé e Confiança

Fé e Confiança “Entregue o teu caminho ao Senhor, confie nele, e Ele tudo fará” Salmo 37:5 Aos meus alunos de graduação e pós graduação, tenho sempre de mostrar “cases” de planejamento estratégico bem sucedidos, e neles constato que, a visão dos fundadores, é o que move essas organizações. Quem acreditaria na revolução contida em um pequeno computador pessoal, na década de 70? caso da Microsoft de Bill Gattes ; ou que um armazém de varejo em Uberlândia, disposto a fazer entregas a seus clientes, se transformaria na maior empresa de logística da América Latina, tantos anos depois ?caso do Grupo Martins do sr Alair Martins; ou, que o sonho de Martin Luther King , “libertaria” a sociedade negra americana e geraria a poderosa Condolleza Rice de hoje? Sempre pergunto em minhas consultorias: como você e sua empresa, esperam estar fazendo negócios daqui a dez anos? A maioria dos empresários não sabe a resposta. Alguns poucos, respondem na ponta da língua. Têm-na como visão, após o filtro dos princípios (crenças e valores), somados à análise do ambiente de negócios. Há fé nestes líderes. Ao “tocarem” as organizações (religiosas, empresas ou países), essas lideranças têm a seu favor, “insights” que lhe são emprestados por conselheiros, normalmente fora dos papéis e ambições hierárquicas, das organizações que dirigem. Esses, costumam dar ao líder, opiniões e informações imaculadas, com elevada franqueza, e iluminada perspectiva de êxito. Há entre esses conselheiros e líderes, uma relação de confiança que Saj-nicole Joni, chama de estrutural, em seu brilhante artigo: ”A Geografia da Confiança”, em “Harvard Business Review” 2004-03, após estudar a questão de liderança, em 150 empresas européias e americanas. Há segundo a autora, dois outros tipos de confiança: a profissional e a pessoal. Fica claro que um dirigente, precisa de um “kitchen board” -uma espécie de conselho de sua cozinha, para que suas decisões possam acontecer, após ouvir pelo menos três opiniões às vezes estruturais, outras vezes profissionais, e algumas até pessoais, porque, após tomadas e executadas, moverão muitas vezes mercados, países e o mundo. Interessante notar que, quando se movem dentro da organização, os conselheiros podem mudar o peso de suas opiniões, junto ao líder. A confiança profissional, cresce à medida que a liderança trabalha, lado à lado com indivíduos que, reiteradamente demonstram domínio sobre certos processos e áreas do saber. Alguns homens de confiança estrutural, deixam de sê-lo, quando assumem cargos dentro da organização, e passam a ser “contaminados” pelos interesses corporativos. Já a confiança pessoal, normalmente conservada a partir de laços familiares, ou de amizade, é refém de todas as mazelas que estas relações abrigam, fazendo despencar(no divórcio por exemplo)conselheiros, e ascender novos, com todos os seus impactos. Por maior que seja a ascensão de alguém no papel de líder, a tríade de confianças estrutural, profissional e pessoal, é mais do que necessária em seu corpo de conselheiros, para tomada de decisões, que podem mudar a vida de milhares de pessoas, e a sorte de organizações. Já a fé...esta só vem de Deus (e é para os que creem). Concluindo: “A Fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem” ensina a bíblia,”um líder para ter sucesso, deve aprender a usar a geografia da confiança” completa Saj-Nicole Joni. Que tal ficarmos com as duas, fé e confiança, para líderes, e para nós, mortais comuns? José Carlos Nunes Barreto Pós- Doutor e sócio-diretor da DEBATEF Consultoria

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Análise de Risco em Máquinas e Equipamentos Industriais

José Carlos Nunes Barreto A autora oferece nesta apostila e curso, uma visão da evolução histórica da manutenção, partindo das gerações iniciais e chegando à Manutenção Produtiva Total- TPM, assim como, detalha um hígido estudo sobre arranjo físico, com os diferentes tipos de leiautes, que atendem às características dos processos projetados. Todavia, adverte que alguns processos podem exigir um mix de layouts para suas execuções e, são mostrados nela bons exemplos disso. Neste trabalho, também são apresentados conceitos fundamentais, derivados das Normas regulamentadoras-NRs, para Segurança no Trabalho em instalações e serviços de eletricidade (NR10), bem como a segurança no canteiro de obras (NR18) (Prevenção e Controle de Riscos em Máquinas, Equipamentos e Instalações, in apostila de Engenharia de Segurança do Trabalho. Editora Faculdade Única, Ipatinga,2021). Ainda segundo a autora, esta lavra é baseada em uma pesquisa qualitativa, desenvolvida a partir das referências bibliográficas, cujo principal objetivo, é apresentar a importância de observar todos aspectos constantes das NRs, integradas e complementares, como forma de prevenção e controle de riscos em máquinas, equipamentos e instalações, e os resultados revelam que, as manutenções corretiva,e preventiva, são importantes para a boa segurança do ambiente, e segurança dos trabalhadores. Um especial destaque para as condições inseguras, em um ambiente laboral: Os acidentes de trabalho, podem ocorrer de diversas formas, e podem ser causados por uma miríade de situações, dentre elas, cabe lembrar as condições inseguras, que estão relacionadas aos perigos, aos quais os trabalhadores estão submetidos, e, devem ser controlados e/ ou eliminados, de modo a contribuir para o sucesso das atividades de produção, com segurança e qualidade. Exemplos dessas condições, podem ser facilmente observadas no ambiente organizacional, e. se caracterizam pela falta de manutenção em máquinas, equipamentos e ferramentas necessárias ao trabalho; dispositivos de segurança com defeito; instalações projetadas de modo precário, entre muitas outras causas. Nesse sentido, prossegue a autora, para alcançar este objetivo, o profissional habilitado, deve elaborar um projeto de instalação. Esse projeto, deve ser único e exclusivamente pensado para aquela destinação. Com o intuito de manter a segurança, e a qualidade da produção em dia, um programa de manutenção periódico, específico, deve ser elaborado e implementado, devendo conter ferramentas, que promovam o monitoramento dos desempenhos de máquinas, equipamentos e instalações. (Prevenção e Controle de Riscos em Máquinas, Equipamentos e Instalações, in apostila de Engenharia de Segurança do Trabalho. Editora Faculdade Única, Ipatinga,2021). Conforme a Associação Brasileira de Normas Técnicas ( ABNT) de 1994,manutenção é entendida como, uma combinação de ações técnicas e administrativas(inclusive as de supervisão) que objetivam manter, ou recolocar, um item em condições favoráveis para desempenhar uma função requerida(ABNT,1994). A definição do termo “Manutenção”, passou por diferentes processos de evolução. Primariamente, para o minidicionário da língua portuguesa (BUENO, 2001, p.11). Manutenção é, “o ato ou efeito de manter, gerenciar, administrar e conservar”. Entretanto, esse conceito, não preenche as necessidades do setor, tendo sido necessário que os autores, propusessem uma nova ideia, que objetivasse atender a um processo de produção, ou de serviço, com confiabilidade, segurança, custo adequado, e com a preservação do MA. Nesse sentido Kardec e Nascif (2013, p.13) declaram que: “Para exercer papel estratégico, a manutenção precisa estar voltada para os resultados empresariais da organização. É preciso, sobretudo, deixar de ser apenas eficiente para se tornar eficaz, ou seja, não basta apenas reparar o equipamento ou instalação tão rápido quanto possível, mas é preciso principalmente manter a função do equipamento para a operação, reduzindo a probabilidade de uma parada de produção não planejada”. Na mesma linha, Soeiro, Oliveira e Lucato (2017), dizem que a manutenção nas últimas décadas, deixa de ser um instrumento de mero reparo, e se torna um meio primordial para o alcance dos objetivos de uma organização. As maiores complexidades dos equipamentos, fizeram da manutenção, uma função complexa, que se encontra dotada de novas técnicas, de modernas ferramentas de gestão e de inovadoras abordagens. Dessa forma, Soeiro, Olívio e Lucato (2017), dizem que, para gerenciar corretamente os modernos meios de produção, é necessário pensar em métodos e sistemas de planejamento, controle e execução, eficazes e viáveis economicamente. Os autores acima citados, continuam , afirmando que a confiabilidade e a disponibilidade dos produtos, se tornaram imprescindíveis, com o crescimento da automação e da mecanização, maior compartilhamento entre diferentes setores, como o de saúde; telecomunicações; processamento de dados e gerenciamento. Entretanto, maior automação, pode significar maiores falhas, como por exemplo, falhas em maquinários, que podem afetar a pontualidade da rede de transporte, e o controle climático, o que pode acarretar menor capacidade de produção, e queda nos padrões de qualidade estabelecidos. Sendo assim, apresentamos a terceira geração, o conceito de manutenção preditiva, como muito bem expressado por Soeiro, Olívio e Lucato (2017): “É um conjunto de programas especiais (análise e medição de vibrações, termografia, análise de óleo, etc...), orientados para o monitoramento de máquinas e equipamentos em serviço. Sua finalidade é prever falhas e detectar mudanças no estado físico que exigiriam serviços de manutenção, com a antecedência necessária para evitar prejuízos maiores”. Segundo a ABNT, manutenção preditiva é a que permite garantir uma qualidade de serviço desejado, com base na aplicação sistemática de técnicas de análise, utilizando meios de supervisão centralizados, ou de amostragens, para reduzir ao mínimo a manutenção preventiva, e por conseguinte, a manutenção corretiva (Associação BRASILEIRA DE Normas Técnicas- ABNT,1994) A Manutenção centrada em Confiabilidade-MCC, mantém a segurança e a qualidade dos equipamentos, ou seja, é um programa de gestão que garante as funções, as condições à economia, e o desempenho operacional, para que não afete o MA. Dessa maneira, os autores Soeiro, Olívio e Lucato (2017) ratificam que a MCC, preza pela diminuição da atuação das manutenções corretiva e preventiva, por meio do desenvolvimento de atividades mais eficientes, e por técnicas aprimoradas de análise de falhas. O pilar da manutenção de qualidade, segundo os autores (LAMPKOWSKI, MASSOV, CARRIJO,2006), garante a qualidade no processo, elimina além das reclamações de clientes, o número de homens/hora, utilizados para inspeção dos produtos. Ainda segundo os mesmos, a Qualidade Intrínseca Adquirida, pode ser entendida como a segurança que está garantida, mesmo na presença de falhas. A ideia de um projeto, que seja intrinsicamente seguro, converge, com o conceito de prevenção, e podemos considerar como uma chave de ouro, para finalizarmos a jornada deste relatório, com esta técnica, que é muito utilizada para garantir a segurança de instrumentos, em atmosferas potencialmente explosivas (MORAES,2010). REFERÊNCIA Prevenção e Controle de Riscos em Máquinas, Equipamentos e Instalações, in apostila de Engenharia de Segurança do Trabalho. Editora Faculdade Única, Ipatinga,2021)

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

O Racismo Estrutural

“Eu era uma pessoa com dignidade e respeito próprio, e não deveria me considerar pior que qualquer outra pessoa , só porque era negra” (Rosa Parks) Em abril de 2002, após retornar de uma viagem de estudos à Universidade de Jiao Tong em Xangai na China, recebi uma correspondência enviada pelo gabinete da Presidência da República, me convidando para instalação de um conselho da república intitulado CNPQ - Palmares, que seria no palácio do Planalto, comandada por FHC. A única vez que entrei lá... Tomei posse, juntamente com outros 7 conselheiros, a maioria doutores e negros (uma raridade). O Objetivo do mesmo, seria implantar ações afirmativas para a população negra, e afrodescendente do País. Este conselho, iniciou toda a discussão sobre cotas, começando pelo discurso do ex-presidente, ele mesmo um estudioso das mazelas raciais do País, durante seu doutorado (embora hoje discorde dele em quase tudo, pelo menos deu espaço à ciência no seu governo). Nos debates, fui contra as pretendidas cotas no Instituto Rio Branco do Itamarati. Explicava-se a urgência, de se ter pelo menos um diplomata afrodescendente, pela vergonha passada pelo Itamaraty, ao enviar diplomatas brancos para a África do Sul de Mandela, e sofrer reprimenda do líder africano, que conhecia bem o País, e após devolvê-los, pediu para enviar um afrodescendente, que representasse mais de 50% do extrato social brasileiro. Na verdade não tínhamos... A prova do IRB-Instituto Rio Branco, é duríssima e exige estudos de pelo menos 2 línguas, e , até hoje, só a elite branca tem acesso à esta formação. Argumentei com meus pares que, minha defesa de doutorado também foi duríssima, e não gostaria que tivesse sido por cotas, porque me teria retirado o mérito, e acabara de retornar de uma viagem ao exterior para defende-la, com um artigo .Após muitas discussões, decidimos doar bolsas de estudo do CNPQ com valores de doutorado, para estudantes negros e afrodescendentes graduados, para que pudessem se preparar para o Itamarati....Um ano depois, uma médica negra, como o saudoso geógrafo Milton Santos ,foi aprovada e enviada à África do Sul . Conto de novo essa história, para defender a minha opinião favorável às ações afirmativas, e em favor da comunidade negra desta nação, e contra medidas paternalistas, que só reforçam o preconceito contra os negros, mesmo sendo intelectuais. Me lembro do prof. Milton Santos, que homenageei em vida, quando diretor do Sindicato de Engenheiros do estado de SP, como a personalidade do ano de 1989. No cafezinho ele dispara: Barreto, estamos fazendo a recontagem dos últimos negros na USP...Já com a doença em estado avançado, ele se referia e à sua saída do conselho de professores titulares da maior Academia do País, e da América latina... Meses depois faleceu, e pude entender: O outro negro entre os 400 do conselho, era angolano naturalizado brasileiro, e para vaga de Santos, foi destacado outro branco (espero que, hoje a USP tenha melhorado a representatividade dos negros, neste conselho). Numa de suas últimas entrevistas ao jornalista Roberto Dávila, na rede Cultura de SP, o sábio mestre, Doutor Honoris Causa nas principais Universidades do mundo, destilou amargura: Aqui no Brasil, sou obrigado a estar em lugares em que os negros nunca vão, e sempre me olham como se não devesse estar ali... Perfeita definição, que só os afrodescendentes vencedores, sabem o que significa: O racismo estrutural mais cruel e dissimulado do mundo. Num país que foi o último a abolir a escravatura, e olha até hoje, pouco mais de 100anos depois, negros e seus descendentes, como pessoas de segunda classe. Escrevo este artigo em homenagem à uma secretária negra, barrada em uma boate em Uberlândia, e que foi à luta, para denunciar este abuso , que é apenas a ponta do nosso constrangedor e enorme, iceberg social. Parabéns! José Carlos Nunes Barreto Pós - doutor e sócio da DEBATEF Consultoria

sábado, 30 de outubro de 2021

O Nobel Brasileiro da Arquitetura

“Criações, sejam elas crianças, poemas ou organizações, têm vida própria.” Starhawk... Arquitetura é a arte de criar espaços organizados e animados, por meio do agenciamento urbano e da edificação, para abrigar diferentes tipos de atividades humanas (Aurélio).Para isso, o candidato a arquiteto, têm de fazer uma prova de habilidades específicas, que exige saber desenhar, e ter uma visão espacial desenvolvida. É necessário também, aguçada sensibilidade na utilização de cores, sombras, e saber criar. Por fim, ao longo de cinco anos de estudos, em uma grade de disciplinas que lhe farão entender, a história da arquitetura, e através dela, o conjunto de obras realizadas em cada continente, cada civilização, e cada época. Aprender a dar conforto ambiental à suas edificações, saber dispor os elementos de um espaço urbano, usando princípios, normas técnicas, e materiais adequados. O arquiteto será, por fim, um artista da função, do belo e da forma. Convivo com a alma do(a) arquiteto(a) há dezenas de anos. Como professor, durante dez anos, em laboratórios de Conforto Ambiental. Como profissional de engenharia e arquitetura, durante 30 anos, como consultor e chefe de engenharia em médias e grandes empresas, no associativismo, com destaque para os seis anos como diretor , presidente de uma associação de Engenheiros e arquitetos, seis anos como inspetor –chefe do CREA SP em cubatão SP, além de quatro anos como conselheiro estadual no CREA SP ,e um ano como Chefe da assessoria técnico jurídica no CONFEA em Brasília... Desfruto, por isso, de visão privilegiada das parcerias, que até hoje sustentam com sucesso, serviços e inovações desta classe. Apesar das diferenças gritantes e complementares, entre engenheiro(a)s e arquiteto(a)s. Que “brigam” desde sempre. A sabedoria faz o bom engenheiro(a) “arquitetar”, e apesar da ciumeira, consegue-se fazer um bom arquiteto(a) “engenheirar”. Ademais, engenharia e arquitetura constroem o mundo, e são uma dupla de muito sucesso! Na oportunidade em que Paulo Mendes da Rocha-(In memorian)_inquieto ,agitador, aplicador de soluções estéticas em locais de pouca delicadeza, incômodo para o estabelecido- recebeu em Istambul o prêmio Pritzker – considerado o Nobel da arquitetura, em 2006, não pude deixar de louvar esta classe, e o faço novamente, anos depois- principalmente por ela teimar em criar e acontecer, apesar do custo Brasil, ou seja, o custo da margem e da pouca visibilidade, nas palavras de Teixeira Coelho-Autor de “Niemeyer” ed.Iluminuras- (Este também, um sofrimento para muitos prestigiados cérebros brasileiros, de outras áreas da ciência brasileira, nesta triste quadra). Tive contato com a obra de Mendes da Rocha, durante visita aos pavilhões da Mostra “Menos estética mais ética”, na 7a Mostra de Arquitetura da Bienal de Veneza em 2000,e fiquei assombrado, ao lado de um filho arquiteto e urbanista, Gustavo Henrique Garcia Barreto, a quem homenageio. Esta convivência me fez entender melhor, o papel da inovação e da criação, como matéria prima dos processos de produção hipercompetitivos, e que Sthefen Covey (autor de “Os sete hábitos de pessoas altamente eficazes - ed. Best Seller),chama de Criar Sinergia, ou o sexto hábito eficaz, para se chegar a uma vitória pública como essa! Até ao final da vida, morto em 2021, Mendes da Rocha foi como um menino ao criar, assim como Niemeyer. Para eles somente “o céu foi o limite”. Agora, Picasso e Michelângelo os fazem companhia lá, numa festa da arte e da criatividade! E, aqui na Terra, todas as honras póstumas, portanto, ao Nobel brasileiro! José Carlos Nunes Barreto Pós-Doutor e sócio da DEBATEF Consultoria

SOS Segurança Pública

“Segurança é uma questão de Estado e deve estar acima das diferenças políticas. Precisamos de um pacto por uma reforma institucional profunda. Ou haverá segurança para todos, ou ninguém estará seguro”. Luiz Eduardo Soares - Ex-Secretário Nacional de Segurança Pública. Volto ao tema segurança pública após a leitura do livro de Allan de Abreu " Cocaína- A rota caipira". Nele entendemos o porquê do aumento da violência no triângulo mineiro nos últimos anos, pois nos tornamos rota do tráfico internacional de drogas, com tudo que isso quer dizer, em termos de morte e destruição. Primeiro a releitura de meu artigo a seguir é mandatária, para depois entender a frase de Eric Clapton: "A Cocaína não mente" . Ela corrompe policiais, políticos, magistrados, ministério público e advogados, além de impor uma guerra sangrenta entre facções criminosas. O País está despreparado para este desafio, principalmente Uberlândia e triângulo mineiro. Após o voto do decano do STF a favor dos embargos infringentes contra a formação de quadrilha durante o julgamento do mensalão ,estabeleceu-se de vez a sensação de impunidade na sociedade brasileira - uma das tragédias que fazem parte do conjunto da obra de insatisfação da Nação. Agravada depois pela soltura de bandidos e chefes de quadrilhas , inclusive as políticas... A ausência de educação e saúde com “qualidade fifa”-máxima do dilmês, aliadas aos crimes sem solução, à polícia corrupta e despreparada e à política de encarceramento em massa das classes menos favorecidas, que não podem usar a justiça da elite, e dos grandes advogados, completam a lista mas não a esgotam, tamanha a miséria espiritual desta agenda. Vou falar em seguida, alguns números instigantes citados pelo sociólogo e estudioso em tela, criador do conceito das UPPs, e autor do livro “Segurança têm Saída” pela editora Sextante, que recomendo aos dirigentes e gestores da segurança pública deste País. Começo com o número de jovens assassinados na maioria homens e afrodescendentes - são quarenta mil por ano na faixa de idade entre 14 e 24 anos - de tal impacto, que já falta na pirâmide etária social este perfil étnico. Se juntarmos a estes, os cinquenta mil mortos em acidentes de trânsito por ano e os cerca de 40000 mortos em acidentes de trabalho, teríamos mais mortos anualmente que os cem mil mortos em dois anos e meio iniciais da guerra na Síria. E porque nós e o mundo não percebemos isso? Sem dúvida porque as vítimas são da maioria silenciosa: preta, pobre e pouco representada. Basta ver o alarde que é feito quando cai um boeing, com algumas dezenas de mortos, que concentram mais usuários brancos e da elite (o que está mudando, ainda bem, mas não invalida a comparação). Das quarenta mil mortes por assassinato, a maioria se dá com a presença do trinômio álcool, armas e tráfico de drogas, potencializada pela presença de uma polícia, que é um verdadeiro macaco em loja de louças: desaparelhada, sem formação adequada, sem auxílio adequado de perícias, o que faz com que somente se esclareçam, em média 10% dos assassinatos. Via de consequência, a vida vale muito pouco neste País - a pistolagem arrebanha tanta gente, e os crimes contra a vida e o patrimônio crescem em escala geométrica. Pois o professor Soares diagnostica uma das causas: temos 56 polícias brasileiras - 27 PMs estaduais, 27 policiais civis estaduais, polícia Federal e polícia rodoviária federal. Não há um sistema nacional que organize estas instituições, que na maioria das vezes competem entre si, e raramente dialogam, mesmo quando as soluções de crimes exigem isso. Não nos esqueçamos das guardas municipais e das seguranças armadas, que equivalem a quase um exercito paralelo, com a maioria apresentando carência de formação, agravada pela falta de controle adequado por parte do estado, e eis o terrível estado da arte da segurança pública no País, Estes últimos, " longa manus" dos prefeitos e governadores de esquerda, cujas polícias, contra o art.5 da CF de 1988, restringiram truculentamente o direito de ir e vir da população, durante a pandemia. A grande verdade é que, segurança virou questão de vida e morte para todo cidadão brasileiro, que enfrenta uma verdadeira guerra , diariamente, exemplificada nas mortes sumárias dos clientes do PIX sequestrados, e é um sobrevivente da ação desordenada de nossas polícias, com eterno fogo amigo contra a população - sábia, a qual diz, algumas vezes ,ter mais medo da polícia , que dos bandidos, e o autor em epígrafe, ex -secretário nacional de segurança pública, infelizmente, mostra de maneira inequívoca, que o povo tem toda razão. A par disso, o STF mesmo instado, legisla ao contrário, rasga a CF e ainda persegue e atrapalha o executivo, enquanto o congresso nada faz para resolver este imbróglio. Todavia trabalha para aprovar leis que aumentam a impunidade de gestores públicos- eles mesmos, no refluxo da lava - jato, agora, durante uma pretensa reforma administrativa... Que Deus nos ajude! José Carlos Nunes Barreto Pós - Doutor e Sócio fundador da DEBATEF Consultoria