domingo, 6 de setembro de 2015

Luz x Apagões


No gênesis disse Deus: Haja Luz; e houve luz. Que bom, porque só nos damos conta da importância da luz, quando estamos em trevas, como agora, neste apagão de sete horas em 18 estados brasileiros. Se ele tivesse acontecido em 1960- época das máquinas de escrever, o prejuízo não seria tão grande em nossas vidas. O paradigma da energia elétrica condiciona nosso cotidiano à dependência de equipamentos que nos dão conforto, e em alguns casos até a vida, como em uma UTI. E nem cogitamos que de repente ela pode falhar, e isso ocorre em todos os lugares do mundo- em alguns com freqüência maior, dependendo de como são projetados e geridos estes sistemas. Nos EUA,  por exemplo, empresas com nível de qualidade seis sigma proporcionam 1 hora de falta de energia elétrica a cada 34 anos, enquanto empresas com nível de qualidade quatro sigmas sete horas de falta de energia elétrica por mês, em média (Werkema,C.Criando a Cultura Seis sigma, Ed. Qualitymark RJ 2002). Um sistema elétrico seis sigma gasta menos que 1% do seu faturamento com retrabalho e erros operacionais por isso é tão confiável. Já um sistema com nível de qualidade quatro sigma gasta até 25%  do faturamento com erros e retrabalhos, perfazendo cerca de 6000 erros por cada milhão de operações. Quantos erros tem o processo seis sigma?cerca de 3 por cada milhão de operações. A má notícia é que as evidências mostradas na operação do sistema energético brasileiro (apesar de não conhecer nenhuma pesquisa da ANEEL com esta métrica), apontam para um nível de qualidade entre 3 e 3,5 sigmas, o que eleva o número de erros para até 66000 erros por cada milhão de operações, o que significa gastar até 40% do faturamento com erros e retrabalhos - pagamentos com precatórios e demandas judiciais, advindas de prejuízos e mortes causadas a consumidores.

O atual apagão é muito diferente daquele de 2001,quando faltou oferta de energia devido a uma equivocada falta de investimentos estatais, que aliada às condições hidrológicas desfavoráveis e  uma expansão da economia, fez de uma crise anunciada, a realidade de um apagão continuado. Medidas de racionamento foram então coordenadas por um ministério da falta de luz, e por um governo comandado por um presidente alcunhado à época de “príncipe das trevas”. Não há como um apagão acontecer sem desdobramentos técnicos e políticos. O que de novo acontecerá sob a era dilmista.

Ocorre que depois da porta arrombada, buscam-se a toque de caixa soluções e não raro os “Midas” como os que, na contramão das medidas consensuais contra o aquecimento do planeta, implantaram as termoelétricas e ainda encareceram nossas contas de luz,  ao invés de conceberem uma cesta de soluções (PChs-pequenas centrais hidrelétricas, eólicas, solar, células de combustível, gaz natural e a associação destas), teimaram no paradigma grandes centrais hidrelétricas com milhares de quilômetros de linhões, o que agrava a vulnerabilidade do sistema.

Enquanto isso, no plano mundial, há uma revolução tecnológica na produção e transporte de energia elétrica semelhante àquela ocorrida quando passamos do mainframe para os laptops, deixando a produção de ser centralizada para ser gerada localmente. Será que vamos perder o bonde da história  da energia reprisando erros de governos e sem uma política de Estado?

Jose Carlos Nunes Barreto
Professor doutor

debatef@debatef.com

Lua de sangue


“Este eclipse acontece quando a lua é encoberta pela sombra da Terra. Conforme o meteorologista Leandro Puchalski, a coloração avermelhada ocorre por conta da refração e dispersão da luz do Sol na atmosfera terrestre, que desvia apenas alguns comprimentos de onda – É o mesmo fenômeno que acontece durante o nascer e o pôr do sol" noticia nas mídias-ontem.

No começo  do século 20, um triste canto de louvor, entoado por negros americanos durante a pascoa, ainda   podia ser ouvido, enquanto sua igreja ardia nas chamas da Ku klus Kan: “De joelhos  partamos nosso pão/De joelhos partamos nosso pão/Se de joelhos estou/Contemplando o nascer do sol/Senhor tem pena de mim/De joelhos partamos nosso pão...” Era como se nada estivesse acontecendo, embora muito sangue e  dor crispasse o ar. De onde viria aquela força?

Século zero: Jesus é morto na Cruz e este evento divide a história em AC e DC. Os profetas que o precederam e os que o sucederam, foram mortos das mais cruéis formas possíveis: crucificados, apedrejados, serrados ao meio, queimados em fogueiras, decapitados. Muito sangue jorrou ao longo de milênios na história do cristianismo. E a força dos que morriam  em paz, vinha de Jeová Jihé.

Século 21 no Brasil: cerca de 40 mil pessoas são assassinadas todo ano por motivos fúteis, além do latrocínio, e menos de 10% dos autores destes crimes são punidos, na maior nação “cristã” da América latina. Se de cada uma dessas mortes,  sair  alguns litros de sangue, seriam centenas de caixas d'agua de mil litros cheias do conhecido líquido vermelho, que poderiam, num suposto protesto, ser  despejadas na areia de Copacabana no Rio, poluindo o mar e impedindo o banho. Talvez assim o mundo enxergasse tantas vidas perdidas por nada. Não pregavam o evangelho, não eram revolucionários em valores, simplesmente  foram eliminadas como cidadãs, durante  seu pacato cotidiano.

Já somos o País mais violento do mundo, e os que morrem suplicam por suas vidas, não como os negros supliciados na América do séculos 19 e 20, por uma entidade que  tinha cara e  identidade, por isso foram resilientes até a chagada de Martin Luther King, mas por uma cultura de violência, horror e impunidade que  não tem cara,   nem dono - não é de ninguém, nem do Estado, nem da sociedade, muito menos de Deus.

A estranha coincidência, desta lua de sangue em plena Páscoa me intrigou muito - ela é rara, e para mim trouxe uma mensagem da não superficialidade incomum nestes tempos;  da superação   das velhas lutas e dores: É como se Jesua mandasse seus anjos turgir de vermelho o branco brilhante da lua, num celeste protesto, para nos alertar sobre a Nação que estamos construindo,  com tanta  lama de sangue sob nossos pés, igual a que Noé –um bom filme- presenciou - olhou na sola do  calçado para se certificar, e a partir daí construiu  o novo, na arca,  sobrevivendo ao dilúvio.

Finalizo sonhando assim, e esperando que  este texto  possa  ajudar leitores e leitoras a   refletir sobre esse  evento cristão,  chamado Páscoa.

José Carlos Nunes Barreto
Professor doutor e Presidente da Academia de Letras de Uberlândia

debatef@debatef.com

Ira santa é indignação


A Bíblia ensina sabiamente  que  não se deve permitir que o sol se se ponha  sobre a nossa ira,  pois os apóstolos e profetas, e até o  próprio Cristo ficavam irados, mas não iam dormir assim. Aproveitava-se  a energia vital da raiva para transformar pessoas, situações e até mercados. Quem não se lembra da parte do texto sagrado em que Jesus açoita os cambistas, revira mesas com produtos expostos como em uma  feira livre montada dentro do templo? Se  eles, que eram santos, sentiam e usavam esta poderosa emoção básica, porque não nós?

Mônica Simonato em seu  livro “Competências emocionais - O Diferencial competitivo no mercado” ed. Qualitymark - 2006, estuda a raiva e suas consequências, e nos ajuda a medi-la, classifica-la e gerenciá-la. Segundo ela, são  4 tipos: a implosiva, que se acende no interior, ataca o estômago, a cabeça, eleva a pressão e mata; a gerenciada, cuja forma de atuar  faz de seu portador uma pessoa  sadia e equilibrada, pois aprendeu a saber quando está perdendo as estribeiras,  pois já tem controle sobre as próprias emoções; a explosiva, que  é  aquela que faz seu dono ser tomado de uma ira que não respeita nada, nem pessoas nem ocasiões, “quebra tudo”, vítima de um “sequestro emocional; Por último ela cita a raiva normativa, cujo dom peculiar de quem a nutre, é dar broncas e fazer críticas para desafoga-la, e se sentir melhor,  causando  danos ao seu relacionamento interpessoal. No filme “Tratamento de choque” o tímido Dave Buznik (Adam Sandler), por causa de um imprevisto banal, foi condenado à pena alternativa de fazer um curso para controlar a raiva, dado por Buddy Rydell (Jack Nicholson), um psicoterapeuta imprevisível, de métodos desconcertantes, que predispõe a uma cura perturbadora. Para isso se muda para a casa do paciente, e passa a interferir no seu cotidiano  de tal forma que o tímido Dave se satura  e explode diante da imperturbável postura do doutor Rydell, que afirmava então que fazia parte do tratamento,  tirar Dave da “zona de conforto” para se conhecer melhor. Dave descobriu após suas desventuras, hilariantes para o expectador, que o fato de nunca  exprimir sua raiva, na verdade, era uma forma de  reprimir sua identidade, e um fator limitante para seu crescimento pessoal e profissional. O filme traz provocações: por exemplo, como no caso de Dave, porque não reagimos com ira coletiva ante o desrespeito e falta de espírito público por parte de governantes?

A propósito estive na comissão de orçamento da câmara de deputados que aprovava a LDO e percebi o quanto somos o “país Dave”. Aceitamos bovinamente que retirem do nosso orçamento cerca de 47% para pagamento de uma dívida pública  escravizadora. Permitimos “acordos espúrios de líderes”, que aprovam emendas de bilhares de reais viciadas por propinas a empreiteiras e políticos, tais, que especialistas afirmam que levam 7% do PIB per capita. Procurei nosso representante Gilmar Machado e mostrei os números, apresentei um artigo sobre o assunto. Ele prometeu estudar com seus assessores, e me retornar, mas até agora não o fez. A meu ver está faltando nele e também em nosso povo, a ira santa de Cristo- de chutar o balde dos cambistas que conspurcam o templo sagrado da nação, pois quem cala consente. Estou esperando deputado!

José Carlos Nunes Barreto
Professor doutor

debatef@debatef.com.br

Futebol e inconsciente coletivo


“Amanheceu o pensamento/ que vai mudar o mundo /com seus moinhos de vento”. Cazuza.

A copa aconteceu, e a sabedoria do povo  está goleando a nossa nova  elite estabelecida, e a antiga também. Primeiro, separou os anarquistas do quanto pior melhor, daqueles que protestam por causas notáveis e necessárias à cidadania. Depois torceu como nunca, cantou o hino nacional à capela e estabeleceu o costumeiro clima cordial que encantou os 600 mil turistas que entraram de avião, e outros estimados 500 mil que passaram pelas nossas fronteiras secas de moto, carro  trem ou ônibus. Dando um recado claro: não tentem tirar proveito político deste evento que encarna para nós a pátria de chuteiras. Roubar vocês já roubaram. Agora nos deixem curtir o jogo em paz. O País, portanto, está vivendo uma coisa de cada vez. Não esqueceu as estripulias contábeis de dona Dilma, que está lançando como despesas de saúde e educação, gastos exorbitantes das arenas exigidas pela FIFA. E só está esperando o momento certo para  cobrar de novo, o uso correto do dinheiro público, em suas prioritárias agendas.

Gosto de observar como pessoas humildes e não letradas possuem elevado senso de justiça social, e como herdamos isso dos índios brasileiros, que usam o bem estar coletivo como forma de vida. Se alguém enriquecesse na aldeia, com certeza repartiria com suas ocas o novo PIB coletivo. Em algum ponto de nossa história passamos a importar a ética do “lobo de Wall Street” em nossas relações de  concidadãos- e aí perdemos muito, principalmente parte da tal felicidade, que  é o indicador chave. Neste contexto, o futebol aparece  como o esporte mais popular do mundo, usa a  leveza e a arte como matéria prima, e traz o inconsciente coletivo-aquela aura de  euforia pela  vitória, ou de tristeza absoluta na derrota, que transpassa  mentes e corações-à baila como protagonista. Faz crianças aprenderem a cantar o hino pátrio,muitas vezes com um “pátria amada, goiabada salve salve”. E nos encanta, quando tira um menino franzino de um campinho de terra batida no agreste nordestino, e o eleva à condição de estrela mundial por gramados “nunca dantes navegados”.

O poeta perguntaria: ”mas quem tem coragem de ouvir?” Idêntica pergunta feita ao vento por São João Batista: Quem ouviu a nossa pregação? Com certeza não foi a elite branca que vaiou as autoridades na pífia abertura dos jogos. Eles tem ouvidos moucos diria meu avô. E visão pior, eu afirmaria.São cegos que cismaram de guiar a Nação. E a riqueza do momento é identificar   o povo de olhos abertos, se desviando das pirambeiras a que são levados diuturnamente.

Quando uma empresa planeja seu futuro, é obrigada a fazer seminários com seus stackholders (parceiros/ colaboradores/ acionistas) para explicitar a sua visão. Ou seja,  como ela quer se ver  daqui a algumas dezenas de anos a frente. A própria Fifa –com todos seus senões, nos ensina como planejar para o cenário de 2022. E não aprendemos?  não conseguimos planejar nossas revoluções na educação, e nas áreas sanitária fiscal e política!? É bom frisar que nem sempre foi assim: Juscelino Kubisheck construiu Brasília do nada uma cidade modelo da arquitetura mundial, no cerrado vazio do planalto central em 5 anos e realmente fez 50 anos em 5.E o que ele tinha? Rompia em fé e visão. Que seu exemplo sirva, portanto, de inspiração àqueles que se apresentam agora como alternativa real de poder para realizar as mudanças sonhadas e cobradas durante esta copa do povo.

José Carlos Nunes Barreto
Professor doutor e presidente da ALU-Academia de Letras de Uberlândia

debatef@debatef.com

Eu estava lá...


O povo na rua tem precipitado mudanças na governança do mundo. Os tiranos são retirados após batalhas sangrentas. Os democratas modificam seus gabinetes, e se moldam às demandas da sociedade com planos de ação. O último dia 15 de março vai entrar na história do País, ao levar 2 milhões de pessoas às manifestações pacíficas Brasil a fora. O  que querem os brasileiros? Aquilo que  mais ouvi, foi  fora Dilma, abaixo PT e abaixo Petrolão. Logo a insatisfação do povo, está ligada à gestão lulopetista e sua ligação com os desvios de dinheiro e corrupção, notadamente na Petrobrás. Não ouvi ninguém pedindo reforma política, para colocar dinheiro público em campanhas de políticos – aliás, isso seria execrável no atual estado da arte de desgoverno dilmista. E não é que a cara de pau destes protagonistas, estão a propor exatamente isso? Inacreditável! A formação stanilista desse pessoal, faz uma rápida versão  para os fatos- bem a seu favor, diga-se de passagem – e, em seguida, tenta ver se “cola” na sociedade.

A operação  “Lava jato” desvendou o que nunca aconteceu antes neste País: O uso indevido de  dinheiro público, através de propinas para um partido político- O PT- se eternizar no poder. Isto sim, é golpe de estado, e após o devido julgamento, esperamos as devidas  penas a esta organização partidária, que tem se transformado cada vez mais,(já fui simpatizante da mesma quando não era criminosa - meia culpa), abarcando crimes, para se apoderar de dinheiro dos brasileiros, e depois desviá-lo para Cuba, Bolívia, África de déspotas, sem passar pelo Congresso Nacional, e com   cifras bilionárias, em dólares, o que, agora, faz exigir um duro ajuste fiscal, em cima dos contribuintes brasileiros.

Fica difícil acreditar que a dupla Dima -Lula não tinha domínio destas facções da “Cosa Nostra brasileira”, haja vista o uso de pelo menos 200 milhões de dólares pelo partido político em tela, para eleger Dilma e muitos políticos em 2010 e 2014 -  que agora serão investigados e processados pelo STF- esperamos. Ao final do processo, a sociedade quer luz e transparência, e, não aceitará acobertamentos, principalmente quanto à participação destes dirigentes, pois no mensalão, o principal protagonista, o ex-presidente, sequer foi julgado, apesar de todas evidências de uso do dinheiro sujo em seu favor, com o  julgamento e condenação, de seus principais assessores e lugares tenentes, entre eles, o chefe da casa civil, que amealhou 30 milhões de reais de propinas, segundo o inquérito em andamento, e feito público pelo grande brasileiro, juiz Moro, responsável pela operação Lava Jato.

O impedimento de Dilma não será um golpe, se, como Collor, restarem comprovadas seu dolo na eleição de 2014 - e por isso fomos às ruas. Já temos o fluxo do dinheiro sujo, executado pelos procuradores públicos - e não adianta o ódio pregado pelo sr Lula, como ameaça à sociedade brasileira, chamando o exercito do Stédile - pago com dinheiro público: as cores do nosso exército são verde- oliva,  e eles estão do lado da lei e da ordem, como mostra nosso  lábaro, que ostenta,  estrelado, a  ordem e progresso que a nação precisa, e resguardará. Tenho dito.

Prof.Dr josé Carlos Nunes Barreto
Professor Doutor e Presidente da Academia de Letras de Uberlândia-ALU

debatef@debatef.com

Energia Nuclear e Catástrofe


“E cada qual no seu canto/E em cada canto uma dor/”
Cancioneiro popular

O crescimento contínuo do consumo de energia e as suas consequências, via de regra negativas para o ambiente, põem um conjunto de questões que, no mínimo, se poderão considerar como complexas. Complexas porque se a energia é hoje  considerada um dos elementos fundamentais do desenvolvimento econômico e social de todas as nações, não é menos verdade que o homem  começou, finalmente, a perceber que a sua disponibilidade está    ligada à  todos os aspectos relacionados com o equilíbrio do  meio ambiente.

Falemos sobre as  energias renováveis: são todas as derivadas do sol – Hidrelétrica, Biomassa, geotérmica, eólica, marés  - e estão em franco crescimento em termos de tecnologia disponível e redução de custo. Já a célula de Hidrogênio e a energia nuclear, chegam à maturidade tecnológica,e a segunda, em alguns países chega a ser a mais viável, todavia têm sobre seu uso uma espada de Dêmocles que é o resíduo perigoso (radiativo por milhares de anos)além da síndrome “Não em meu Quintal”, pelo medo que as populações nutrem, com toda razão, pelo  vazamento radiativo. As pessoas contaminadas  mundo afora, pelas sucessivas nuvens radiativas da usina de Fukushima no Japão, após maremoto seguido de tsunami, são a prova viva de que os protocolos de segurança, quanto ao uso dessa energia, devem ser revistos. A meu ver, há possibilidade de se continuar usando as energia nuclear para diversos fins, desde que com muito maior rigor e segurança.

Também concordo  com a  análise de Saraiva-1997, em minha publicação pela USP em 2000, sobre as questões relacionadas com a produção de qualquer bem ou serviço, que podem ser sistematizadas recorrendo ao que se denominou de “tetraedro  tecnológico”. Os vértices do tetraedro são: as matérias primas, a informação, a energia e o ambiente. Da associação desses fatores  resulta um serviço ou um bem. Há trinta anos o tetraedro se reduzia a um segmento de reta, entre  matérias primas e  informação, uma vez que naquela altura o custo de energia era considerado nulo e os problemas relacionados com as limitações de suas fontes não eram encarados, senão por alguns “pessimistas”. Há vinte anos o modelo  resumia-se  a um triângulo. As questões ambientais começavam então a ser postas, mas a avaliação dos seus custos reais eram um “problema para as gerações futuras”. Comentava no texto que, finalmente, aos poucos, nas últimas duas décadas, delineava-se um tetraedro, com o último vértice sendo ocupado pela energia a ser consumida durante os processos. Desde então se impõe responder, que quantidade e que tipo de emergia é exigida, não só pelo processo produtivo como também pelo transporte, distribuição e uso do bem resultante. No Livro “A Vingança de Gaia”, em 2006, o Cientista inglês James Lovelock preconiza que o equilíbrio ambiental já foi rompido pelo aquecimento global, e que  o mesmo já passou do ponto sem volta. Daí muitos cientistas passaram a pregar a solução da energia nuclear, sem fazer análise de risco adequada. Concluo compartilhando da mesma angústia do amigo leitor,  sobre os rumos da catástrofe japonesa.   E pergunto: com os acontecimentos ocorridos nas operações de usinas nucleares de Chernobyl a Fukushima, será demais revermos o uso desta tecnologia?

Jose Carlos Nunes Barreto
Professor doutor

debatef@debatef.com.

Dengue e Morte

“A sabedoria e a ignorância se transmitem como doenças; daí a necessidade de se saber escolher as companhias.” William Shakespeare

Já escrevi muitas vezes sobre este assunto nos últimos dez anos, mas nunca como vítima da doença. Estar com dengue prostra, deixa seu corpo com baixa produção de plaquetas, o que pode levar à morte sangrando pelos poros e internamente: um horror. E nove em cada dez mortos tem mais de 60 anos, como eu  e minha mulher, e  sucumbem pobres ou  celebridades, como o ator global Claudio Marzo, tombado no interior de SP do PSDB, no ápice da epidemia, com dezenas de milhares de vítimas.

Esse arbovírus  existe há milhões de anos, e é descrito desde o Egito antigo. No Brasil, chegou com os navios negreiros-mais uma sina para os negros, que sofrem neste País, além do preconceito e desigualdade social, a  moleza, manha advinda da falta de saneamento em suas casas, e da falta de educação de qualidade - usadas por este inimigo para ajuda-los a procriar e então atacar os incautos –  somos todos vítimas deste mal, é produzido por um mosquito malevolente, o Aedes Aegypti, que infectado voa sobre muros, e é uma verdadeira praga egípcia, reproduzida em água parada qualquer lugar que junte água, seja num copinho no lixo,  pneu velho ou e uma calha entupida. Vejam que ele usa o lixo e a desordem como vantagem competitiva.  É um forte. Um guerrilheiro vietnamita que consegue proezas ao atacar na espreita, adversários milhares de vezes vezes maiores que ele,  e ganha sempre, ao contar com a parceria do vírus, do qual é hospedeiro.

Todavia, o que aconteceu com os protocolos de saúde pública que praticamente eliminaram  filas de doentes em barracas de campanha armadas em praças públicas da década passada?

O tal contingenciamento de verbas do Ministério da Saúde em 2014,  tirou os funcionários da vigilância epidemiológica das ruas- eles iam de casa em casa, alertando moradores, e, treinados, retiravam ninhos com larvas nos criadouros, cujo ciclo é rápido- três a 10 dias, além de  medirem o índice de infestação-caso extrapolassem a meta, seja em bairros chiques(vizinhos podem ser assassinos)ou, na periferia, os bichos ao voar,  eram abatidos  pelo famoso fumacê, que não apareceu mais.

Em minhas caminhadas diárias, conversava com estes agentes sanitário, e ficava sabendo se subiu ou não, o índice, e, em que rua, que vizinho não permitia a entrada para inspeção etc... Desde janeiro não mas os vi na minha rua. Justamente na época que mais recrudesceu a epidemia, quando os protocolos foram afrouxados, como nunca nos últimos 10 anos, pelo atual governo do PT desta cidade- Um crime de responsabilidade.

Concluo triste, pensando com meus botões sobre o aviso em epígrafe de  - William Shakespeare -, esta foi a escolha dos eleitores de Uberlândia, que precisam  escolher melhor companhia, se não quiserem morrer com as próximas cepas de vírus que estão chegando por aí, com cada nome, que nem compensa falar pra não dar azar. Chô mosquito!Chô PT!

Jose Carlos Nunes Barreto
Professor doutor
debatef@debatef.com.br