quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Mães para sempre


“Oh, maternal amor, amor que ninguém esquece, maravilhoso pão que Deus reparte e multiplica.” (Victor Hugo)
Dia das mães chega de novo,  e representa depois do Natal, a segunda data mais importante  para o comércio em geral. E a dura realidade é que deixamos todos de refletir sobre o imaterial e sagrado, representado em nossas mães, para ceder ao consumismo desenfreado, frouxo de afetos e mutilado por culpas.
 Escrevi meu artigo anterior, falando sobre a “Casa do Pai”, e evoquei a cultura judaico cristã - houve quem perguntasse, porque não “Casa da Mãe”? Então respondo com este arrazoado, afirmando claro e bom som, que a casa é dos dois - um de cada vez e respeitando suas individualidades. Para tanto, relembro duas mulheres da bíblia. A principal delas é Maria, mãe de Jesus, e a outra veremos a seguir.
 A Pietá de Michel Ângelo, que tive o prazer de curtir dentro da Catedral do Vaticano, inebria e nos faz parar no tempo, não somente  porque é uma obra de arte- mas pela aura da paixão de Cristo, e do sofrimento de sua mãe, Maria,  ali representada amparando seu filho Deus, desfalecido- uma mãe nunca desampara um filho - mesmo alguém que era Deus e fez milagres como o multiplicação dos pães,  deu vistas ao cegos, ressuscitou mortos, e estava na criação do mundo com o Pai e com o “Espírito que pairava sobre as águas”. Mas a bíblia não nos permite esquecer outra mulher, que está na linhagem do salvador do mundo, e era uma prostituta-Raabe- que apesar desta condição, fez o seu papel na história, de tal forma que gerou descendentes e o mais importante deles é o Senhor  - queiram ou não os exegetas domingueiros  , loucos por “power point”  vazios, calvinistas ou não.
Mas neste dia consagrado à quem deu à luz, homenageamos a mulher guerreira e linda, que pode ser a leitora  deste artigo, ou minha mulher, por exemplo. Pensar que de cada uma de vocês , sairam pessoas que constroem  dia a dia o futuro; e que seu útero, casa de todos nós , é o refúgio psicológico de todo ser humano que foge da crise, da dor , da solidão e  da falta de amor. Bem ensinava Vitor Hugo : Deus dá  nossa mãe, como um pão –maná de amor, que reparte e multiplica ,o que a sabedoria e simplicidade de meu avô  traduzia assim: uma mãe cuida de oito filhos-como a minha, adorada , e aqui reverenciada- mas oito filhos não cuidam de uma mãe: e filhos há que até fogem delas quando envelhecem, não dão o pão de cada dia e remédios, e muitas vezes  as depositam num frio asilo, onde morrem por causa do desprezo.
Todavia, graças a Deus, para a maioria de nós, filhos, o que queremos é uma mãe for ever, tal como magnificamente registrado no poema “Para Sempre”, do imortal Carlos Drumond de Andrade, que me ajuda a finalizar este  artigo, como um presente para todas elas:
Por que Deus permite/que as mães vão-se embora?/Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,/luz que não apaga/quando sopra o vento/e chuva desaba,veludo escondido/na pele enrugada,/água pura, ar puro,/puro pensamento.

Morrer acontece/com o que é breve e passa/sem deixar vestígio./
Mãe, na sua graça,/é eternidade./Por que Deus se lembra
- mistério profundo -de tirá-la um dia?/Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:/Mãe não morre nunca,/mãe ficará sempre
junto de seu filho/e ele, velho embora,/será pequenino/feito grão de milho.
José Carlos Nunes Barreto
Professor doutor e Presidente da Academia de Letras de Uberlândia(ALU)
debatef@debatef.com



Cuidar bem das pessoas é a meta(2)


Estive de férias por alguns dias, refletindo em uma praia chamada Itacoatiara, que faz parte de uma reserva florestal bem próximo ao turbilhão do Rio de Janeiro e fincada junto às pedras monumentais que seguram as ondas do atlântico, ao lado de uma preservada vegetação de mangue. Todas as vezes que isso acontece, há um produto: Estar sozinho consigo mesmo, às vezes dá medo, mas é inspirador. Tomar chuva e sol-ficar no sereno, Descobrir depois ser um animal com fome, e sede de justiça,exige coragem, mas nada como  voltar à tenda à noite  e curtir o netinho de 2 anos.

Agora entendo por que no caminho da Santiago de Compostela na Espanha, muitos mudam a vida. Descobrem vocações. E tomam decisões cruciais para suas vidas, suas famílias e suas empresas. A correria dos dias que seguem como torrente tempestuosa a escorrer pelas calçadas da vida, nos anestesia. Faz tudo parecer igual, pasteurizado e sem brilho. E pior é não poder observar as diferenças nas cores, nos sons, nos ambientes (carregados ou leves) e nas pessoas (alegres ou tristes). Principalmente, nelas. Um pai ou uma mãe que desaprende a percepção da linguagem do corpo e do tom de voz dos filhos, perde, segundo especialistas 80% da comunicação com eles. No trabalho e na vida somos muitas vezes cantores de um samba de uma nota só (com o perdão ao Tom Jobim e seu ao belo samba-arte). Não sabemos escutar. Gente. Cachoeiras. Pássaros. O vento. Não temos tempo.

Anos atrás, achei interessante e novamente comento a entrevista do antropólogo Wilian Ury - especialista em técnicas de negociação, - intitulada "O Inferno somos nós". Respondendo se concordava com Jean-Paul Sartre que cunhou "o inferno são os outros", Ury respondeu que o outro somos nós e quando dizemos que o inferno são os outros, na verdade estamos olhando para o nosso próprio inferno interior. Na negociação, o fundamental é ouvir o outro. Nos treinamentos de nossa consultoria (lançamos em 2012 um MBA em Gestão de pessoas em parceria com a UNIUBE) e ministramos cursos de extensão sobre o tema para executivos e funcionários que, como afirma Ury, querem aprender a negociar. Porque a democratização de algumas instituições (são poucas ainda – normalmente aquelas campeãs como melhor lugar para se trabalhar) está exigindo deles ouvir a outra parte. Por isso gastam mais de 50% do tempo com este item e sentem que não estão preparados para lidar com o intangível: o capital intelectual. Todos diagnósticos empresariais dos últimos anos mostram que as grandes perdas de produtividade e via de consequência de mercado se dão justamente por não começarmos por aí. Não há falta de recursos. Há desperdício... Equipamentos errados são modernizados. Instalações são aumentadas quando não há demanda para isso... Tudo sem cuidar das pessoas e do clima organizacional. E a lição de casa que fica é ir conversando com seu "chão de loja", ”chão de fábrica”, desenvolvendo talentos humanos, e os bons resultados não tardarão a acontecer. Para finalizar - ainda pensando sobre tudo que aprendemos nestes últimos anos, ao analisar essa inversão de valores, e a ausência da ética da diversidade nas empresas- nada melhor que a velha poesia da canção de Raul Seixas. "Prefiro ser esta metamorfose ambulante a ter aquela velha opinião formada sobre tudo.", mesmo revisitando um artigo de seis anos atrás.

José Carlos Nunes Barreto
Professor-doutor
Uberlândia (MG)

debatef@debatef.com

Naufrágio de Sonhos


“Pus o meu sonho num navio/e o navio em cima do mar;/- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar./Minhas mãos ainda estão molhadas/do azul das ondas entreabertas,/e a cor que escorre de meus dedos/colore as areias desertas.” – Cecília Meireles


Sou um observador das ruas, e completo minha visão com o clímax nas salas de aula. E o momento difícil que estamos vivendo, ao verificarmos a perda do emprego de mais de 7 milhões de brasileiros, está a fazer naufragar  sonhos, e criar desespero em pessoas que há bem pouco tempo ascenderam na escala social. É claro que é cruel e muito mais difícil descer nessa escala, do que permanecer sofrendo, mesmo a contragosto, num patamar de pobreza e esquecimento. Uma mistura de revolta e muita raiva, toma conta dessa população, ao perceber que foi enganada pela governanta que gastou sem controle, deu pedaladas fiscais, e, tudo indica, favoreceu o desvio de dinheiro público, com o objetivo claro de favorecer seu partido lulopetista  a se perpetuar no poder. As somas desviadas da Petrobrás passam de 70 bilhões de dólares, mostram os resultados da operação lava jato, que prendeu o tesoureiro de seu partido, como principal operador deste esquema.


E ainda existe a caixa preta do BNDES, que escolheu empresas nacionais a serem aquinhoadas com empréstimos bilionários, que desviavam pelo menos 3% do valor dos contratos para os safados, entre elas as de Elke Batista, que faliu fragorosamente, como o navio da poesia em tela de Cecília Meireles. Dilma ainda colocou outros bilhões de dólares em Cuba, na África, e na América latina, sem consentimento do Congresso nacional, sem discutir o assunto com a sociedade brasileira, e queria que esta falcatrua ficasse em sigilo completo pelos próximos 20 anos. E o povo escuta tudo isso... e sofre, pois se sente como um  velho palhaço no final da vida: sem  emprego, com fome e doente.


E não são só as pessoas sem estudo e preparo que estão perdendo  oportunidades- gente com pós graduação e vasta experiência profissional, também está pagando o pato do ajuste fiscal terceirizado pela presidente. Todavia as barbeiragens foram muito grandes, e o TCU já caracterizou haver irresponsabilidade fiscal no período, e abriu a porteira para os pedidos de empeachment da má dirigente-É republicano tirar uma liderança assim, antes que ela comprometa as futuras gerações de brasileiros-Devemos dizer desta forma, um basta, ao jogar na lixeira da história, ela, seu mentor Lula, e o seu partido, o PT, que já foi uma esperança de renovação da política como instrumento de melhoria da sociedade, e que, infelizmente, se transformou, tanto, mas tanto, que se tornou num frankstein, e agora numa organização criminosa, com as luzes da operação lava Jato.


Que Deus nos livre desta Cosa Nostra, e que possamos seguir em frente, após este triste período, porque a Nação é maior e seu povo é grande e republicano!


José Carlos Nunes Barreto
Professor Doutor e Presidente da Academia de Letras de Uberlândia-ALU

debatef@debatef.com

O silêncio de Adão


“O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.” Martin Luther King


O livro de Consuelo Dieguez - “bilhões e lágrimas”, foi comentado pela atriz e escritora Fernandinha Torres em recente artigo, e abriu discussão sobre a história de desvios vultuosos de recursos públicos em três oportunidades concomitantes: Mensalão, Petrolão e agora em escala muito maior no BNDES - quando de maneira criminosa, e orquestrada no alienígena “foro de são Paulo”, sem passar pelo Congresso Nacional - bilhões de dólares foram enviados para fora do País  à líderes sanguinários como os irmãos Castros, ditadores africanos, além de bolivarianos cocaleiros que  destroem nossa sociedade. Uma sangria criminosa de dinheiro público, que poderia ser usado em investimentos cruciais para nosso futuro. As “Lamburguine e Ferrari” do ex-presidente Color, contumaz desviador destes recursos, e agora os recursos escusos do Instituto do ex-presidente Lula, envolvido até à raiz dos cabelos com a Odebrecht- abrem caminho para o impensável há alguns anos, mas que hoje diz muito bem das elites que temos: dois ex- presidentes presos na mesma cela. Collor, ex–caçador de marajás de araque, e Lula, líder corrupto dos metalúrgicos, que ao chegarem ao poder, cada um a seu modo, se tornaram predadores da Nação. Há um “líder” esperto que andou se escondendo neste momento - é José Sarney-com seu legado de opressão e baixo IDH do maranhão, e sua filha e genro também predadores do patrimônio público. Triste Nação a nossa- três ex-presidentes que não valem nada, e só sobrou FHC, que apesar dos pesares, deixa um legado, após ser guiado pela matriarca Ruth Cardoso- ideóloga no seu governo da distribuição de renda e da inserção de negros na sociedade. Sofreu ela, por isso, com os dossiês vazios de dona Dilma, que não rouba, mas deixa roubar, e usa o dinheiro do roubo em suas campanhas para presidente. Num claro golpe às nossas instituições republicanas. Impeachment já!


Liderança é tudo. Adão no Eden não foi líder. Silenciou diante da mulher. Abrahão também, quando Sara, deu aquela brilhante ideia para ele dormir com a escrava a fim de gerar descendência- e ante sua omissão, presenciamos 4000 anos de lutas entre seus descendentes árabes e israelenses. Num momento crítico como o atual, faltam líderes- que é matéria prima escassa no Brasil. Não temos mais um Ulisses Guimarães, nem um Tancredo Neves, tampouco um JK.


A Nação está exasperada, e com pressa para resolver suas questões básicas de educação, saúde, e sustentabilidade social-enquanto alguns irresponsáveis como o presidente da câmara, brincam de serem líderes- se achando, e o povo mostra que não–com mais um panelaço entre muitos, que ainda virão, antes, e após o dia 16 de agosto, quando voltaremos às ruas, mas desta vez, após o  evento, haveremos de transformar nossas metas em ações legislativas, e planos de ação no executivo e na sociedade civil. Nós podemos!


Ghandhi, Churchil e Martin Luther King nos lembram de que, para serem seguidos, os mesmos tiveram de estar no meio do povo, sofrendo suas carências, passando por seus riscos ambientais, e mesmo assim prometeram uma visão de melhores dias, apesar do “sangue, suor e lágrimas”. Tiradentes – “aquele herói enlouquecido de esperança”, pagou com a vida. E por falar em silêncio, alguém aí viu Aécio Neves e Marina Silva?


José Carlos Nunes Barreto
Professor doutor e Presidente da Academia de Letras de Uberlândia (ALU)

debatef@debatef.com

Crônica do imaterial

“Não me ofereça ferramentas./Ofereça- me o benefício e o prazer de fazer coisas bonitas./.../Não me ofereça coisas./Ofereça-me ideias, emoções, ambiência, sentimentos e benefícios./Por favor, não me ofereça coisas” autor desconhecido.


Interessante e estressante este País: Chama a policia para tirar cento e poucas famílias de um prédio abandonado por seus donos no centro de SP (o que ocorre em qualquer cidade neste mundão de Deus), e permite que 2 milhões de casas de alto padrão avancem sobre as bordas do manancial, em área de preservação ambiental - às vésperas da maior seca dos últimos 100 anos na região. Nova York – aquela do rio Hudson, não teve este azar, pois seus dirigentes há 20 anos atrás, fizeram um planejamento para evitar que suas fontes de água fossem dilapidadas. Chamaram cada produtor rural que possuía essas fontes em suas terras, e decretaram: Agora vocês são produtores de água, e vamos paga-los por isso. Simples assim.


Não é a toa que o candidato falecido (ou assassinado?) do PSB avisava para não desistirmos desse País. Porque não está fácil. Os jovens e os não tão jovens, estão esperando o que vai dar esta eleição, para levarem suas cabeças a passear (e viver menos estressadas) na Austrália, no Canadá, na Inglaterra etc... onde  a educação, a saúde, a segurança e outros paradigmas imateriais, realmente  prevalecem, e onde quem, às duras penas  estudou, tem seu valor reconhecido.


Ademais aqueles 0,01% de humanos representados por tais casas acima citadas,  são os donos do Território nacional. Para eles tudo pode. O aparato da lei existe para protegê-los, pois pagam excelentes advogados, e muitos, pertencem à nomenclatura do regime, onde, no anedotário político, se diz: para os amigos tudo-para os inimigos a lei. Triste País! E tais políticos voltam todos os anos a comprar votos e consciências ,seja com dinheiro vivo, seja com cargos, pelos motivos de sempre, desde o império: o poder pelo poder.


Conheço um deputado “amigo” que só me dá atenção em vésperas de eleição. Estive em Brasília com alguns intelectuais co-autores de um artigo, com soluções candentes e necessárias à republica, e ele se disse muito ocupado (hoje sei-talvez com o mensalão ou quem sabe o petrolão). Sequer nos ouviu, e passou o documento para seus assessores, que fizeram o favor de engaveta-lo.


“Casas? saneamento básico? Educação? Ha! Ha! Há!-Queremos saber quanto ganharemos. Qual é o percentual sobre o contrato? 3%???”. Este hipotético diálogo, foi ouvido diversas vezes por procuradores da república, antes de prenderem alguns figurões. Fizeram do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto um balcão de negócios. E daí partiu para as estatais. A Petrobrás que o diga. Emporcalharam o templo da Nação-são cambistas imundos, piores que aqueles da época do Cristo. Se não fizermos como o mestre-descermos o cacete- e prendermos esta corja, estaremos comprometendo o futuro do imaterial, da esperança que ainda alenta nossos jovens.


Concluo com as palavras do salmista no exílio: Ele dizia- “Quem vai andando e chorando enquanto semeia, trará na volta, com alegria, seus molhos nos braços”. Pura poesia da esperança.


José Carlos Nunes Barreto
Professor doutor e Presidente da ALU-Academia de Letras de Uberlândia
debatef@debatef.com


A Educação e a Fome


“O Homem não é nada além do que a educação faz dele”
Immanel Kant

Revisito hoje um artigo de oito anos atrás em que indagava como o famoso rock: Você tem fome de que? Educação, eu completo, além de comida... bebida, diversão e arte- que ainda é a resposta do verso. Faz parte- e pra ser feliz, devemos assim, compor um hino à qualidade de vida. Mas até para reconhecer isso e preciso de professor e escola de qualidade. Sem eles não se tem a luz. E claro, depois vem a comida. É esta nossa fonte de sobrevivência, além de cultura e prazer, mesmo quando não se pode comer um macarrão com molho de tomate da mama aos domingos, por causa da inflação dilmista. Contudo, ainda há falta de alimento para bilhões de pessoas no mundo, e para milhares aqui ao nosso lado. E se não bastasse essa ausência de “fome zero”, a realidade nos remete para intoxicações e contaminações de alimentos diariamente, pelo abuso no uso de agrotóxicos que fazem do Brasil o maior consumidor mundial desses venenos, além do paradoxal desperdício, que em alguns itens chega a mais de 50% entre o produtor e a nossa mesa, haja vista as perdas da maior safra de grãos de nossa história, derramada pelas estradas engargaladas, contaminadas em caminhões, num atentado à ciência logística e ao bom senso.

Bem dizia meu avô: “bicho de goiaba é goiaba”. Mas no tempo dele não se derramava tanto veneno de avião. Hoje quando vejo um bichinho desses, sorrio e aprovo a fruta porque como indicador biológico, ele me passa a mensagem: ”Se eu sobrevivi você sobreviverá também”. 

Quanto à bebida, por exemplo, endemicamente temos casos de Mal de Chagas registrados principalmente no norte e nordeste em bebidas como o açaí e caldo de cana, e todas as vezes que há este tipo de ocorrência, uns sem número de subnotificações acontecem, ou seja, muita gente adoece ou morre, sem que a autoridade sanitária tenha o registro correto da causa.

O que dizer da diversão e arte? Dar risadas, estudos comprovam, - é um antídoto pra depressões a e a falta da libido, além de grande aliado na higidez do corpo contra doenças. Mas o que o cenário artístico e cultural de uma cidade do interior como Uberlândia oferece? Quase nada! Daí a se louvar a proposta da terceira conferência municipal de cultura do novo governo- ainda uma promessa - para diagnosticar a fome de cultura e lazer em nosso povo, que deveria consumir cultura e arte, como se come arroz com feijão e se bebe caldo de cana. A grande sacada dos americanos para dominar o mundo foi o paraíso dos filmes de Hollywood. Hitler até tentou com museus, artistas, e música clássica de Wagner. Quando não se conquista pela força, se chega a bastiões antes inacessíveis de uma nação pela estratégia do conhecimento, da cultura e da arte. Viva Bibi Ferreira que estreia na Broadway aos 90, levando nossa cultura e arte ao mundo. Precisamos das milhares de Bibi que estão sem brilhar ainda.

Jose Carlos Nunes Barreto
Professor doutor

debatef@debatef.com

Carta Aberta ao STF


Já escrevi várias vezes sobre a importância do STF haver julgado e condenado os ladrões petistas do mensalão e, que se deveria fazer o mesmo com os meliantes tucanos mineiros, que inventaram tal delito. Todavia, peço vênia a Vossas Excelências para, voltando ao assunto, registrar minha indignação com o julgamento dos embargos infringentes da ação 470, que livraram os apenados de pagar pelo crime de formação de quadrilha. E o que é quadrilha? No wikipédia, significa:” bando, associação criminosa ou gangue - denominações atribuídas a um grupo de pessoas, que tem por objetivo praticar crimes, ou atividades consideradas ilegais em determinado ordenamento  jurídico...”

Ora Senhores, dizer que o maior esquema de corrupção da história deste País, que se reunia dentro do palácio do Planalto para achacar empresários e desviar dinheiro público, não tinha esse fim, é querer enganar os brasileiros e despistá-los acerca da forma como foram indicados os novos postos de ministro deste tribunal. Triste País cujos dirigentes se reúnem na calada da noite, para trocar a composição da suprema corte com o único intuito de livrar criminosos, que a história haverá de enterrar como ladrões. O Brasil não merecia isto. Um processo empobrecedor de valores tão caros ao futuro de qualquer país - a meritocracia, a justiça como última instância para fazer acontecer à cidadania de um povo.
Está escrito: “Bem aventurado o homem cuja força está em Ti; em cujo coração se encontra os caminhos aplanados, o qual, passando em vale árido, faz dele um manancial; de bênçãos o cobre a primeira chuva”, salmo 84 de David. Um coração aplanado é aquele que promove a justiça aqui na terra, já que a justiça divina é certa, e colocará os bodes a arder em suas consciências ad eternum – e este é o inferno, de Dan Brown, ou não.

Alerto a Suas Excelências para que levantem os olhos para o mundo a sua volta. Observem as barricadas de Kiev. Vejam as ruas de Paris ou do Rio de Janeiro.  As revoluções das multidões contra injustiças estão construindo a história contemporânea e, data vênia, os Senhores não poderão se esconder para sempre debaixo de suas negras togas e em caros palácios. Como “marias antonietas” do presente, serão decapitadas pelo avanço dos fatos, que farão a nova ordem prevalecer, onde não   mais aceitaremos que existam dois tipos de decisões judiciais,  a dos ricos e aboletados em altos postos da sociedade,  e a dos pretos e pobres que representam a  maioria.

Apesar disso, não apoiamos a violência como a do MST - braço armado e financiado do petismo, que esteve a ponto de invadir e quebrar este palácio, agora feito inútil. Contudo, a mesma história ensina que toda insensibilidade no poder será castigada, e isto também vale, é claro, para o executivo e o legislativo.

Concluo, deplorando o vale árido pelo qual os brasileiros atravessamos, buscando homens sábios e com coração aplanados, e ainda assim, como um simples escriba, feito portador desta missiva, lembrar aos ilustres juristas que só a fé  faz de Deus a  nossa força,  capaz de gerar bem aventuranças e paz social à Nação, como as bênçãos esverdeadas de uma primeira chuva. Que Ele nos Guie.

José Carlos Nunes Barreto
Professor Doutor e Presidente da ALU- Academia de Letras de Uberlândia-MG

debatef@debatef.com