quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Risco, Prevenção e Culpa

“Se não conhecerdes o inimigo e nem a si próprio, perderás todas as batalhas - se conhecerdes a si próprio e não o inimigo, ganharás metade delas e perderás a outra parte. Se, todavia conhecerdes a si e o inimigo, ganharás todas as pelejas.”
Sun Tsu

Toda vez que acontece uma tragédia no Brasil, o poder estabelecido, quando muito, se mobiliza para expressar palavras de encorajamento, e condolências com promessas de atendimento. Neste momento de luto nacional pelo acontecido em Santa Maria, a Presidente Dilma só cumpriu sua obrigação, colocando ministros de Estado e os recursos federais para ajudar as vítimas do incêndio da boite Kiss no RS. Todavia, os marqueteiros de Sua Excia, já estão usando este fato em sua campanha extemporânea para reeleição, ao arrepio da lei. E o que nos interessa saber, é se, quando tudo tiver esfriado, quais os reais resultados deste ativismo repentino do palácio planalto. Será que repetiremos, o “follow up” do que aconteceu a pouco mais de um ano atrás no dilúvio da serra no RJ? Vamos torcer para que daqui a um ano, algo tenha sido feito para melhoria no gerenciamento de riscos em situações similares, Brasil a fora. Vamos querer saber então, se foram fechados todos  espaços  de atendimento ao público com alvarás vencidos; se foram julgados e presos os responsáveis pelos crimes cometidos. Essas coisas básicas e republicanas...

Não faltam leis neste País-falta vergonha. Como desabafou um médico plantonista em Santa Maria que atendeu a filha já morta: a falta de respeito às leis é norma, não só na base da pirâmide social, onde estão os flanelinhas que cobram o espaço na rua para o cidadão que paga impostos (como se fora ele quem tivesse pago), mas segundo aquele  infelicitado pai, tal  absurdo chega  ao olimpo onde estão os atuais condenados do mensalão( apesar de donos do poder- aí esta uma mudança importante). Contudo, se não nos unirmos exigindo a pena, ficarão fora da cadeia desmoralizando a justiça, tal como fizeram os chavistas na Venezuela.

Mas afinal, de quem é a culpa, perguntaria meu aturdido amigo leitor. E eu respondo antes que mandem prender os guardas da boite, como sempre acontece nesta nação: a NBR 9077, da ABNT é a lei para edificações no Brasil que garante, desde 30 de junho de 1993,que uma população possa abandonar o espaço em caso de incêndio, ”completamente protegida em sua integridade física”. Pergunto então quem são os responsáveis técnicos do projeto e execução na boite Kiss. E o faço diretamente aos presidentes do CREA- RS e  CAU-RS que tem o dever moral de responder, e denunciar tais engenheiros e /ou arquitetos ao Ministério Público. Os conhecimentos desta norma são mandatários para todos Engenheiros civis, de Segurança e arquitetos, e a falta de qualidade de muitos cursos de Engenharia e arquitetura, tem lançado no mercado profissionais despreparados. Não basta fechar o vestibular de 2000 faculdades, como faz hoje apropriadamente o MEC. É necessário que os conselhos de classe acompanhem o desempenho destas turmas com vermelho na nota. Caso contrário, a sociedade brasileira terá de chorar ainda muitas lágrimas. Estamos avançando para o conhecimento de nós mesmos como sociedade planetária na internet- segundo Al gore em “Future”- todavia, somos derrotados dia a dia, ao não reconhecer nosso maior inimigo: a falta de educação de qualidade.

José Carlos Nunes Barreto
Professor doutor
debatef@debatef.com



Errado ou Inadequado?

“Para os outros, estar errado é uma fonte de vergonha; para mim, reconhecer meus erros é uma fonte de orgulho. Quando entendemos que a compreensão imperfeita faz parte da condição humana, não há vergonha em estar errado, mas sim em não reconhecer os erros”.
George Soros

Em tempos de casamento gay na igreja, abençoado pela decisão do STF de tornar legal a união de pessoas de mesmo sexo. Em época em que a homofobia, (que pode ser uma indignação mal interpretada) está prestes a virar crime, o politicamente correto virou uma forma de sobrevivência. Apesar disso, não podemos nos calar diante da marcha acelerada dos acontecimentos, “quando a coisa assume um vulto tal que “o errado” vira certo e o padrão considerado normal se torna o inadequado” em várias áreas de nossas vidas, e principalmente sob um governo que resolve transformar este estado da arte em políticas públicas.
Como trabalho com educação de pessoas e organizações, procuro focar em assuntos da área de ensino e aprendizagem, e este mês correu pela internet um belo artigo supostamente atribuído à  Alexandre Garcia, criticando o   livro “Por uma vida melhor”, que não teve o português adequadamente revisado , foi publicado com erros terríveis de concordância, e  distribuído pelo Ministério da Educação assim mesmo, para meio milhão de crianças de norte a sul do País.
           O MEC ultimamente tem errado onde não deveria, mas até aqui sempre se desculpou. Todavia desta vez fez o impensável: validou o erro abarcando uma teoria  esdrúxula, de que o  erro de português deve ser tolerado , para não haver uma “discriminação linguística” com quem o comete, pois não haveria mais certo ou errado e sim adequado ou inadequado dependendo da situação .O que  os novos “çábios” querem  é que, daqui para frente devamos  tolerar erros de português até em livros e seus autores, apesar de afirmarem, paradoxalmente, que a norma culta continuará sendo cobrada nas provas e avaliações. O que dizer? viva o Tiriica! no salve-se quem puder da incompetência, tornada  política de educação pelo governo do  PT, sem pensar no que virá em termos estratégicos.
Tomara que tudo não passe de um enorme e fenomenal erro, e uma nota admitindo isso encerre a questão, após autorizar a logística reversa do lixo cultural entregue a nossos filhos, e pago com dinheiro público. Em seguida, como deveria ser praxe em nossas instituições republicanas, o ministério público federal, como guarda da lei exigiria dos responsáveis o ressarcimento ao erário público dos valores gastos irresponsavelmente.
Como observo o País em que vivo, sei que nada disso acontecerá e mais um crime cometido contra a educação ficará impune, todavia não abro mão do direito de protestar e gritar bem alto que, bem mais do que o dinheiro, roubam o futuro desta nação, e nossa elite sequer toma conhecimento, pois está entretida em contar a pecúnia obtida vendendo sua consciência. Para esses relembro Maiakóvski: “Na primeira noite eles se aproximam e colhem uma flor no nosso jardim. E não dizemos nada”. Na segunda noite, já não se escondem: pisam as flores, matam o nosso cão, e não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua, arranca-nos a voz da garganta. E, porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada”.

          José Carlos Nunes Barreto
          Professor doutor
          debatef@debatef.com.br


Código Florestal e Água


Apesar dos desastres climáticos que castigam nosso País e o mundo, e que fizeram pessoas despertarem para a dura realidade do aquecimento no planeta, o desmatamento da Amazônia aumentou  37% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o INPE-Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, caracterizando uma inflexão da curva que descia há 3anos  e que coincide com a aprovação na Câmara Federal do novo código florestal que afrouxa a legislação ambiental, concede anistia  a quem desmatou , permitindo  reduções de área de reserva legal e APAs - Área de preservação ambiental ao longo de  corpos d’água, Brasil afora.  Neste “affair” entre agronegócio e ambientalistas, ainda não resolvido pelo Congresso Nacional, todos perdem se não convergirmos para um ponto  comum: a necessidade de gerirmos melhor os recursos hídricos e preservarmos os mananciais de água doce, para estas e as futuras gerações. Não há como produzir no campo sem água, e esta nova legislação, visando atender situações de curto prazo, compromete o futuro da água no País, encoraja desmatadores, e desmotiva quem preservou, pois não há compensação por isto, muito pelo contrário, dependendo de onde se encontra a propriedade, grande parte da área útil pra plantar fica indisponível, diminuindo o preço da terra. Quem cumpriu a lei se sente lesado, e a ciranda da impunidade se fortalece. Há uma miopia estratégica que precisamos reverter no senado federal: pensar na área da floresta de pé e preservada como improdutiva e impecílio para a produção. Por exemplo, avançando sobre o serrado - que funciona como uma caixa d’água da Nação, a produção de grãos ficará insustentável daqui a menos de uma década, por falta d’água. O que fazer? ao meu ver, mudar a lei para remunerar quem preserva, quebrando este círculo vicioso ,que é incentivado de fora do País por grandes grupos econômicos que vêem no aumento da  demanda mundial  por alimentos, uma oportunidade fácil para ganhar muito dinheiro, com a política de “terra arrasada”. Sobre este aspecto, chama a atenção recente publicação publicitária financiada por empresas do agronegócio mundial, que querem orquestrar um conceito no seio da população, de que há orgulho em nos transformarmos em ”uma grande fazenda mundial chamada Brasil”. Uma ideia que não respeita nossas leis, nem nosso patrimônio sócio - ambiental: este País seria simplesmente uma terra com porteiras, cadeados, poucos donos e pouquíssima água, em sentido contrário as lutas do agronegócio nacional e do movimento ambientalista.
Vale registrar que uma das heranças benditas do governo Lula, foi a criação de unidades de conservação e a demarcação de terras indígenas que somam 75 milhões de hectares, e que equivalem a um muro de proteção que impede o avanço do desmatamento, colaborando para a preservação da água e por conseguinte do clima.
Concluindo, não dá para viver sem água e em clima cada vez mais seco como o que vivemos hoje em dia, e o Brasil precisa desconstruir esta ideia alienígena de que é só uma fazenda. Ela nos é maligna, pois contribui para que não reajamos à desindustrialização, já que desta forma podemos acreditar- como querem estes mesmos atores, que a China é que é a indústria. O preço que pagaremos como nação é alto demais para não agirmos já.

José Carlos Nunes Barreto
Professor Doutor

debatef@debatef.com.br

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Crônica do imaterial

“Não me ofereça ferramentas./Ofereça- me o benefício e o prazer de fazer coisas bonitas./.../Não me ofereça coisas./Ofereça-me ideias, emoções, ambiência, sentimentos e benefícios./Por favor, não me ofereça coisas” autor desconhecido.

Interessante e estressante este País: Chama a policia para tirar cento e poucas famílias de um prédio abandonado por seus donos no centro de SP (o que ocorre em qualquer cidade neste mundão de Deus), e permite que 2 milhões de casas de alto padrão avancem sobre as bordas do manancial ,em área de preservação ambiental - às vésperas da maior seca dos últimos 100 anos na região. Nova York – aquela do rio Hudson, não teve este azar, pois seus dirigentes há 20 anos atrás, fizeram um planejamento para evitar que suas fontes de água fossem dilapidadas. Chamaram cada produtor rural que possuía essas fontes em suas terras, e decretaram: Agora vocês são produtores de água, e vamos paga-los por isso. Simples assim.

Não é a toa que o candidato falecido (ou assassinado?) do PSB avisava para não desistirmos desse País. Porque não está fácil. Os jovens e os não tão jovens, estão esperando o que vai dar esta eleição, para levarem suas cabeças a passear (e viver menos estressadas) na Austrália, no Canadá, na Inglaterra etc...onde  a educação ,a saúde ,a segurança e outros paradigmas imateriais ,realmente  prevalecem, e onde quem, às duras penas  estudou, tem seu valor reconhecido.

Ademais aqueles 0,01% de humanos representados por tais casas acima citadas, são os donos do Território nacional. Para eles tudo pode. O aparato da lei existe para protege-los, pois pagam excelentes advogados, e muitos, pertencem à nomenclatura do regime, onde, no anedotário político, se diz: para os amigos tudo-para os inimigos a lei. Triste País! E tais políticos voltam todos os anos a comprar votos e consciências ,seja com dinheiro vivo, seja com cargos, pelos motivos de sempre, desde o império: o poder pelo poder.

Conheço um deputado “amigo” que só me dá atenção em vésperas de eleição. Estive em Brasília com alguns intelectuais co-autores de um artigo, com soluções candentes e necessárias à republica, e ele se disse muito ocupado(hoje sei-talvez com o mensalão ou quem sabe o petrolão). Sequer nos ouviu, e passou o documento para seus assessores, que fizeram o favor de engaveta-lo.

“Casas? saneamento básico? Educação? Ha!Ha! Há!-Queremos saber quanto ganharemos. Qual é o percentual sobre o contrato?3%???”. Este hipotético diálogo, foi ouvido diversas vezes por procuradores da república, antes de prenderem alguns figurões. Fizeram do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto um balcão de negócios. E daí partiram para as estatais. A Petrobrás que o diga. Emporcalharam o templo da Nação-são cambistas imundos, piores que aqueles da época do Cristo. Se não fizermos como o mestre-descermos o cacete- e prendermos esta corja, estaremos comprometendo o futuro do imaterial, da esperança que ainda alenta nossos jovens.

Concluo com as palavras do salmista no exílio: Ele dizia- “Quem vai andando e chorando enquanto semeia, trará na volta, com alegria, seus molhos nos braços”. Pura poesia da esperança.

José Carlos Nunes Barreto
Professor doutor e Presidente da ALU-Academia de Letras de Uberlândia

debatef@debatef.com

Não é o dinheiro!

“Não me amarra dinheiro não/.../a formosura..aa/
Cancioneiro popular

Um iluminado artigo de Nizan Guanaes semana passada, na Folha, me inspirou a ponto de escrever hoje, sobre a estupidez de pessoas só fazerem as coisas por dinheiro. Principalmente as que formam gente, as que cuidam da saúde, e as que são pastoras de almas. Dizia ele: “Quem pensa só em dinheiro, não consegue sequer ser um grande bandido ou um grande canalha”. Napoleão não conquistou a Europa por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro.

            E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham. Porque são incapazes de sonhar. Tudo o que fica pronto na vida foi antes construído na alma. A propósito, lembro-me de um diálogo extraordinário entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano. O milionário, vendo-a tratar dos leprosos, diz: “Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo”. E ela responde: “Eu também não, meu filho”.

Algumas pessoas de biografia impar, como o senador Pedro Simon, mancham-na após 50 anos de impoluta vida pública, ao tentar ganhar um dinheiro legal, mas imoral, advindo de uma aposentadoria polêmica de governador. Outros, religiosos, de tal forma se macularam que, não coram mais de vergonha ao aparecerem nos jornais, em escândalos de desvios de milhões de dólares, a partir de ONGs criadas para desviar dinheiro do erário. E para onde vai o “larjean”? Para compra de aviões de luxo, roupas de grife, haras de cavalos de raça. Uma boa notícia: alguns fiéis já estão na justiça para reaver terrenos e casas, que doaram em pleno transe, que pensaram ser do espírito santo, mas que na verdade era do maligno. Aqueles são grandes canalhas, pois precisaram sonhar antes para roubar, primeiro as pessoas, e depois o estado. Todavia existem os pequenos canalhas, no dia a dia, que tiram dinheiro até de viúvas, para com sua incompetência, aplicarem mal, fazendo investimentos em nome da coletividade, no que não entendem.  Mesquinhos de alma, fazem questão de centavos, e não dão um pão à própria mãe, mas são capazes de fazer sermões ,por horas ,sobre o que é ser misericordioso.A respeito destes Jesus advertiu que são sepulcros caiados. E pensar que o apóstolo Paulo nada tinha, a não ser uma bela capa, que ordenava a seus seguidores trazê-la para poder enfrentar o frio!

Hoje alguns destes só mudam de cidades para ganhar altos salários e morar em bairros elegantes, além de outras exigências, dignas de cantor de rock. Fazem o que fazem por dinheiro, por isso tenho pena deles, pois assim terminam ganhando muito pouco nesta vida, em que Deus dá aos seus filhos, segundo o salmista, fortunas enquanto dormem.

           Para que dinheiro? Pois é ... e nesta linha o  Nizan vai, focando nas pessoas, que mais parecem a igreja de Laodicéia do apocalipse: “nem quente nem frio”,  fazem qualquer coisa por dinheiro, sem por a alma no ofício: o texto sagrado afirma que “Deus a vomitará”. Rarará. Antes fosse fria. Necessitando de misericórdia, e buscando-a!O mesmo recomendo para meus discípulos: Nota ruim? Tropeço? Tudo colabora para podermos dar a volta por cima. Melhor isso e aprender depois da derrota, que construir uma média anã que o incapacite como profissional depois. Digo mais: buscando de fé em fé, Deus o abençoará como fez com Jacó. Que assim seja.

José Carlos Nunes Barreto
Professor doutor
debatef@debatef.com.br




Das Ferramentas

“Deem- me uma alavanca e erguerei o mundo”. Arquimedes

Com uma simples colher de pedreiro ele ia montando, tijolo por tijolo a parede da creche. O ambiente era de cooperação e companheirismo. Antes de começar esta tarefa em pleno sábado à tarde, sol a pino, ele levara as crianças ao bosque do parque, para protege-las do calor. Estas atividades fazem parte do que se convencionou chamar de voluntarismo. Ser voluntário é fazer algo pela sociedade, sem receber pecúnias como pagamento pelo serviço: construir pontes para comunidades isoladas, alimentar mendigos, dar um lar a cegos, plantar árvores, levar velhinhos do asilo ao sol da manhã. Para a maioria de cidadãos, durante um longo tempo de suas existências, gestos como estes são ou eram impossíveis de serem realizados, por causa da correria da vida, todavia em certo momento, depois de um sermão de um pastor de almas - daqueles que tocam o coração da gente, ou após  uma caminhada como a de  Santiago de Compostela  na Espanha, a saída é participar, para saciar a sede de ser útil, de ser um agente do “Reino de Deus na terra” , e , voltando à colher de pedreiro, ela  foi a ferramenta usada para dar  forma , função  e propósito à esta  nova realidade.

Ao refletirmos sobre a importância das ferramentas, precisamos nos lembrar da dificuldade que é não a possuirmos nos momentos decisivos da vida, por exemplo quando, ao voltarmos à idade da pedra ,em situações de sobrevivência –tipo “Discovery cannel”,    nos vermos com  a necessidade de construir algo que corte ou que faça fogo . No dia a dia, no entanto, nem nos damos conta da benção que é usufruirmos de todas  tecnologias desenvolvidas durante séculos ,  do simples garfo até um dispositivo para trabalhar com softwares, como um  notebook.

Mas ferramentas nem sempre são usadas para o bem. Uma arma de fogo, por exemplo, pode servir para um louco tirar a vida de uma dezena de crianças numa escola do Rio de Janeiro, e ferir outra dezena delas. Ou seja, ferramentas podem ser usadas para maldição, para machucar e deixar sequelas físicas, mentais e espirituais. Ao pensar sobre este massacre, considerado o décimo maior do gênero no mundo, e como ex-professor da rede pública em SP, me recordo do dia em que fui ameaçado por um aluno drogado, e que havia entrado com um revolver, isso após repreendê-lo por mal procedimento em classe. Até hoje, passados quase vinte anos, meu coração se entristece, ao lembrar do impacto negativo daquela situação sobre minha vida e sobre os demais alunos daquela classe.   Dias depois do ocorrido, ao participar do conselho da escola, sugeri e foi acatado e realizado, a instalação de um detector de metais- outra ferramenta, que tantos anos atrás nos ofereceu  a segurança que faltava. Será que é tão caro assim este dispositivo? Ou será falta de cuidado com as vidas humanas que entram em uma escola? Se em bancos, lojas de departamento, shoppings, aeroportos não se entra ou sai sem se passar por este equipamento, porque não na escola?

Concluo, me solidarizando com as famílias enlutadas, e lembrando às autoridades nacionais da educação, já tão humilhada neste País, que o uso ou a falta de ferramentas adequadas numa escola, podem fazer a diferença entre a vida e a morte de nossos filhos.

José Carlos Nunes Barreto
Professor doutor

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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Educação e competitividade


“Todo gestor é um gestor de pessoas” Cavalcanti apud Annelise

A falta de competitividade do país, a meu ver esta escancarada com a ausência de produtos de nossa indústria que possam, a preços competitivos, abastecer o mercado interno brasileiro. Tudo que fazemos é pior e mais caro. Ir a Miami fazer a sacola, infelizmente, faz parte da agenda de nossa classe média e alta, que gasta sofregamente bilhões de dólares por ano que fazem falta aqui. Afinal, porque isso acontece na sétima economia do mundo?
Como consultor e professor tenho lutado à exaustão, contra este paradigma. Muitas empresas e alunos que tenho ajudado nesta batalha, conseguiram expressivas vitórias, todavia, tenho números entristecedores, sobre como a educação neste país tem levado a humilhantes derrotas, pessoas e organizações, principalmente as últimas onde empreendedores que iniciam negócios perdem economias de décadas, e empresários sêniors tem prejuízos inaceitáveis. Quando contratado para implantar um sistema integrado de gestão, com as normas de gestão da qualidade, meio ambiente e saúde ocupacional-um trabalho que exige da liderança empresarial alto comprometimento, em tempo e investimentos, constato o não treinamento de pessoal e a falta de consolidação do redesenho de processos. No caso de alunos, muitas vezes já no MBA ou mestrado, a mesma falta de gastar tempo, agora em estudos e pesquisas, aliada a lacunas na formação, faz 30 por cento dos mesmos desistirem.
Há no ar uma cultura da falta de qualidade em tudo que se realiza aqui. Constitui-se exceção o sucesso, e não o contrário. Daí a perda de energia em tudo que é out put (saída). O elevado preço cobrado pelo retrabalho em nossos itens industriais, e a ausência de eficiência e eficácia ao formarmos gente, para cuidar da miríade de processos – explicam como operar desastrosamente uma nação.
Neste contexto podemos colocar a construção da “copa das copas” em 2014, a um custo maior que ao da soma das três últimas três copas realizadas ao redor do mundo. E a um preço exorbitante em  perdas de vidas jamais acontecido. Uma vergonha nacional (ainda temos?),que mostra o quanto precisamos revolucionar a educação para a qualidade.  A começar em nossas escolas, não com slogans vazios como “Esta é uma cidade educadora”- sem prestigiar e treinar professores, construir creches equipar escolas, padronizar processos críticos e medir resultados a partir de indicadores como o IDEB,- e aí sim fazer planos de ação “matadores” .
É triste pensar que a história tem sido madrasta com o Brasil: 36 anos de ditadura Vargas e militar aprisionaram a criatividade e o empreendedorismo; quatrocentos anos de escravidão moldaram um desprezo pelo trabalho em seus detalhes. Isto tira os empresários, a academia e a elite do chão de fábrica, chão de loja e chão de escola. E é lá que as coisas acontecem.  É lá que a produtividade aparece ou não- já que é onde está o ser humano, com suas ilimitadas possibilidades de desenvolver conhecimentos, habilidades e atitudes, que gerem  inovação e riquezas.
Estamos no limiar de um novo tempo de oportunidades de mudanças. Contudo há falta de propostas de lideranças da oposição que sacudam mentes e corações dos brasileiros em direção a esta revolução – um resgate da tirania do inconsciente coletivo do passado , e um seguro caminho rumo a um novo oriente – sucesso  por vir.

José Carlos Nunes Barreto
Professor doutor e presidente da ALU-Academia de Letras de Uberlândia

debatef@debatef.com