domingo, 25 de julho de 2021

A Agenda Oculta


“ Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida  dos dicionários e do pântano enganoso das bocas. A partir deste instante, a liberdade será algo vivo e transparente como um fogo, ou um rio. E,  a sua morada será sempre o coração do homem.”

Thiago de Mello

 

Após o empeachment de Dilma Roussef em 31 de agosto de 2016, Lula e Dilma foram ao funeral de Fidel Castro, em 25 de novembro do mesmo ano, onde confabularam com bolivarianos. Deixaram de ir ao funeral da chapecoense que uniu colombianos, brasileiros e o mundo.  Maduro já estava louco, e a Venezuela derretia, mesmo assim, a agenda lulocastrista se estabelecia, embora escondida e envergonhada, na política de esquerda, então derrotada no País.

 

Todo mês ficamos à espera dos rendimentos, auferidos pelas atividades que nos sustentam, quer sejam trabalho, investimentos ou aposentadorias. Todos  ganhos de forma honesta, pelo menos para a esmagadora maioria dos incluídos, socialmente falando. Existe uma minoria que trafica influência, entorpecentes, fauna e gente. Para esses, não existe espera, porque os ganhos são enormes, e a curva do crescimento da riqueza ,se torna exponencial em pouquíssimos anos. No meio destas duas situações, perdido, está o socialmente excluído. Quem não tem rendimento nenhum. Zero de grana, vivendo seja de bolsas do estado, de ONGS, doações ou de favor. Alguns chegam à beira do desespero  da fome, e são cooptados  pelo mundo do crime.

 

 São bilhares no mundo, 46 milhões aqui no Brasil da bolsa esmola(que  o governo federal diz que são invisíveis).  Na França,  da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, três gerações de imigrantes africanos, latinos e turcos amargam a falta de oportunidades, e sobrevivem na periferia , com o bolsa família de lá. A falta de possibilidade de sonhar, nos jovens, faz crescer a revolta social , e  as chamas da violência sobre Paris. Nos morros do Rio, armamentos de última geração, financiados com dinheiro de drogas municiam uma guerra suja, de sangue e de palavras.

 

Para os governos do Estado e da cidade do Rio, vale  dizer para o poder público, o importante é criminalizar a favela, vociferar que só nascem bandidos lá, o que não é verdade, pois são trabalhadores reféns do crime organizado, em sua esmagadora maioria. Esta é mais uma agenda, para ocultar a ineficiência do estado, em subir nos elevadores sociais  das avenidas beira mar, e flagrar  os “incluídos” consumindo as drogas do morro nas festas noturnas, após terem participado pela manhã, de passeatas contra a violência, de que são vítimas pelas armas do tráfico.

 

Nestas festas, delegados, professores universitários, artistas , juízes etc., juntamente com suas famílias ,  se confraternizam , fazem “networking” e traficam influência após alguns uíques e uso de drogas ilícitas. E, não são criminalizados por financiarem assim, o tráfico de drogas e armas, que matará algum dos seus nos próximos dias. Há uma importante agenda oculta, neste comportamento da sociedade  incluída, qual seja “ na noite tudo se pode e tudo se sabe...”.

 

Me fez então lembrar os versos de Thiago de Mello em tela: a tal  liberdade como pântano enganoso das bocas, na visão do poeta, se exacerba, e só os fará  acordar na  manhã seguinte, entre lençóis de cetim azul, e pontos de interrogações, tipo o que eu fiz? E quem é você? Presa a grilhões da dor da dependência, e ao choro contido do arrependimento.

 

Quantas “mentiras sinceras”  são levadas em conta, pela sociedade, afim  de esconder “ verdades inconvenientes”? Por exemplo, que o mensalão do governo tucano de   Minas Gerais em 1998, não roubou o Estado para tentar reeleger-se. Que há liberdade na Venezuela de Maduro e na Cuba dos Castros, e que não há agenda oculta no Foro de São Paulo  de Lula...

 

Concluo  sonhando sobre como seria o mundo, sob as asas da liberdade  do ideário republicano, não nas bocas , mas nos corações, qual fogo a inflamar verdades e gerar soluções para todos: acordo pedindo voto auditável , prisão em segunda estância , prisão para quem desviou dinheiro da saúde na pandemia, e o fim desta vergonhosa CPI do fim do mundo!

Tenho dito.



            José Carlos Nunes Barreto

Pós-doutor e Editor Executivo da Revista Sciencomm



 



 



 

 

sábado, 3 de julho de 2021

Namorados


Quando o homem ama uma mulher, fala muito com ela, e sobre ela; quando deixa de a amar, fala com ela sobre ele.”

Johann Goethe

 

Há poesia  no olhar. Um certo clima... De algo novo como criança. Doce como a esperança. Coração pulando a mil. Que faço para expressar  meu amor? Flores nem pensar, isso já faço sempre. Em dias especiais ,como o dia dos namorados, presentes devem ser especiais. Talvez um jantar, quem sabe uma poesia...mas, e se a  rima não for rica? E se as palavras não saírem ?

 

Hoje acordei assim: encantado com o amor. Duas vidas, um homem, uma mulher, que antes nunca se cruzaram, de repente, ao gatilho do olhar, se juntam, e para isso movem terra e mar, e passam a correr lado a lado  como “as paralelas dos pneus na água da chuva ”,descritas na poesia musicada de Belchior.Que também é romântica. Nada melhor do que chover em eventos importantes. Início de namoro, casamento, no reencontro depois da briga...É como o ungir sobre nossas cabeças, da benção do Pai das Luzes, quem sabe o prenúncio do florescer da primavera que se apresenta...

 

Namorados há que são lúdicos. Brincam o tempo todo em seu estado de graça. Casais românticos, dizem que são poucos, diz a canção, não acredito...vejo-os por toda parte. Acho sim, que são loucos, como diz a música do Chico César. Por isso, não há como seguí-los, completaria Salomão em Eclesiastes...  Faço gosto do meu amor. Porque contém tudo isso. Mesmo tantos anos depois do primeiro beijo, não conseguimos ficar longe um do outro. É a mística de Vênus. Às vezes uma paixão, tipo terremoto de sete graus na escala de Richiter, outras vezes, um gostar doce e calmo, como as águas puras e borbulhantes de uma nascente. Que, mais a frente,  será um forte , caudaloso e revolto rio.

 

Sorrio quando lembro de nossas viagens, do nosso amanhecer juntos, e, de nossos cafés da manhã aos domingos. Quer coisa pior de que uma manhã de domingo longe de casa, e/ou brigados/separados? Como bem ilustrou uma nova compositora do nosso cancioneiro popular, ao descrever o desespero da solidão de quem ama, e se vê nesta situação: “ Vou bater na tua porta, completamente  nua, quem sabe então assim, você repara em mim”. Desespero faz  parte. ” É paixão, é amor”.

 

Se você não tem um amor, arranje um. Há sempre um chinelo, que se adapta a  um pé descalço e carente, filosofava com sabedoria, meu saudoso pai. Todavia se, após muitas tentativas, nada deu certo. Relaxe. Ande na chuva. Leia poesias. Cante uma canção. Normalmente o amor chega nestas horas, e se apresenta de formas imprevisíveis, para quem está fértil e pronto. Às vezes,  aparece  numa pessoa que sempre esteve do seu lado, e que, por você ainda não estar preparado pelo “cupido”, “ nem a via  sob este olhar mágico". Ou , supremo prazer, um velho romance antigo, que não deu certo, agora  reaparece no “palco de ilusões”, para se tornar realidade. E, quando isso acontecer, siga seu coração ,que nunca deixou de ser romântico, porque, após tantos anos de seca no deserto da afeição, beberá dessa fonte, primeiramente como quem tem muita sede,sem educação nenhuma...Sôfregamente... Depois, aos poucos, saciados e completos, compartilharão a vida um do outro, ou como lembra Vinícius de Moraes: “posto que é chama, que seja imortal enquanto dure”. A partir daí, beije...muito!

E que assim seja!

 

        José Carlos Nunes Barreto

Pós-doutor e editor executivo da Revista Sciencomm

 

terça-feira, 29 de junho de 2021

Viver não dói, Dr Bernardo!

 

Algumas experiências acontecidas, desde que passei a escrever com frequência, e durante o período de 2003 à 2016, no jornal  “O Correio” de Uberlândia, são muito interessantes, cativantes...

 

 E por serem por demais significativas, é impossível guardá-las só para mim. Quando escrevi “Hotel Ruanda” recebi um e-mail de alguém ligado à raízes islâmicas-lindo-dizendo que eu seria a voz também do seu povo. Não há dinheiro que paguem uma palavra de carinho de uma leitora. que se viu em algumas linhas escritas, por este escriba ano passado, em “Namorado”. Semanas atrás escrevi sobre ”O absurdo do assédio moral” e citei como exemplo o professor Bernardo Bernardino. Um negro.

 

  Recebi e- mails do movimento negro pedindo os telefones de Bernardo,  que eu não tinha. Depois fiquei sabendo ,com alegria que o mesmo se recuperara ,através de um e-mail de agradecimento do próprio Bernardo. Que me emocionou. E por isso divido esta emoção com vocês leitores: “Agradecimento. Prezado amigo Barreto, muito obrigado pelo seu artigo e pela consideração de um velho e bom amigo. A vida foi cruel demais para comigo quando entrei para a lida sindical. A humilhação constante a que fui submetido pela direção do Centro Universitário XX, chegou até a minha alma. Foi quando aconteceu aquele “acidente” comigo. Mas já estou  me recuperando. Estou na casa de minha mãe (dá o endereço e o  telefone).Mas vou ter de me tratar com psicólogo e psiquiatra por dois anos além de tomar remédios muito fortes. Estou vindo do INSS e não pude ser atendido porque a instituição não deposita o mesmo desde 2001.Tive de voltar em casa e levar todos os meus holerites para provar que o mesmo foi tirado do meu salário. Acho que amanhã vão fazer uma auditoria lá. Reze pela minha recuperação. Um abraço Bernardo.”

 

Liguei depois e falamos por 10 minutos. O encorajei a continuar vivendo. Mas em casa refleti, e resolvi tomar emprestadas as palavras do  poeta Carlos  Drumond de Andrade. Peço vênia para citá-lo a seguir:

 

“Viver não dói.

Definitivo, como tudo que é simples.

Nossa dor não advém das coisas vividas,

Mas das coisas que foram sonhadas

E  não  se cumpriram

 

 

Sofremos por quê?

 

Porque automaticamente esquecemos

O que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções

irrealizadas,  por todas as cidades que gostaríamos

de ter conhecido, ao lado do nosso amor e não

conhecemos, por todos os shows e livros e silêncios,

que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos

por todos beijos cancelados,

pela eternidade.

 

Sofremos, não porque

nosso trabalho é desgastante e paga pouco,

mas por todas as horas livres

que deixamos de ter para ir ao cinema,

para conversar com um amigo,

para nadar, para namorar.

 

Sofremos não porque nosso time perdeu,

mas pela euforia sufocada.

 

Sofremos não porque envelhecemos

Mas porque o futuro está sendo

 Confiscado de nós

impedindo assim que mil aventuras

nos aconteçam

todas aquelas com as quais sonhamos e

nunca chegamos a experimentar.

 

 

Como aliviar a dor do que não foi vivido?

A resposta é simples como um verso:

 

Se iludindo menos e vivendo mais!!!

A cada dia que vivo,

Mais me convenço de que o

Desperdício da vida

está no amor que não damos,

nas forças que não usamos,

na prudência egoísta que nada arrisca,

e que, esquivando-se do sofrimento,

faz perder também a felicidade.

 

A dor é inevitável

O sofrimento é

Opcional”.

 

      José Carlos Nunes Barreto

Pós-doutor e diretor da DEBATEF Consultoria

 

quinta-feira, 24 de junho de 2021

Por uma nova Utopia

 “ Faça as coisas o mais simples que você puder, porém não as mais simples” Albert Einstein

 

Desconforto. Indignação. Revolta. Clamor público por justiça.

Falta de misericórdia. Crime de lesa humanidade.  É preciso dizer algo sobre os sanguessugas (chefiados na época por um ministro da saúde, e atual senador petista-hoje na CPI do Coronavírus) que não seja lugar comum. Mas como? E acontecer isso logo na saúde tão combalida deste País!

Face ao fiasco da referida CPI da Covid,,  enquanto pesquisador, me lembro de um dos projetos que coordenei na academia, que parou por falta de recursos: ”Saúde Pública em cidades do Interior”. Pesquisa que abrangeu 120 cidades,  num raio de até 400 Km de uberlândia, durante os anos 2000 à 2003. Através de perguntas básicas, levadas por meus alunos dos cursos de Saúde de um centro universitário da região, às secretarias de saúde de suas cidades de origem, com o objetivo de caracterizar IDHM-ïndice de desenvolvimento Humano no Município. Onde se  indagava pelo número de leitos de hospital, qualidade e quantidade de profissionais de saúde contratados, número e tipos de aparelhos públicos de lazer existentes, número de mortos por  causas externas(violência),por doenças infecciosas, cardio-respiratórias entre outras. Perguntávamos também sobre a expectativa de vida ao nascer, percentual de desempregados e salário médio(renda) da população.

Como subproduto desta pesquisa, percebi o despreparo das secretarias, em responder estas questões. Principalmente por colocar apaniguados políticos, sem nenhum conhecimento de Saúde nos cargos. Também obtive outro importante subproduto: a posse   e uso abusivo de ambulâncias, em locais onde faltavam leitos de hospital, equipamentos dos mais simples, e até médicos e enfermeiros. Estas ambulâncias com o nome do “benfeitor” estampado me incomodaram. Tinham como endereço certo a cidade de Uberlândia, que ficou de tempos para cá “inundada”, de doentes enviados por hospitais que não curam sequer unhas encravadas. Um modelo demolidor e perverso para o SUS, que ,agora sabemos, se repetiu em todos centros metropolitanos do País, incentivado  pelas emendas parlamentares, só para ambulâncias!

Voltemos nosso olhar para o que acontecia no executivo, e no Congresso, naquela época, momentos antes da Polícia Federal fazer estourar esse escândalo  do governo lulopetista. Havia um quadrado mágico do PMDB, tentando esconder da sociedade o que se descobriu. O Presidente do senado, Renan Calheiros, rechaçou o pedido do grande Gabeira, só o aceitando depois de muita pressão. O Líder do Senado, Ney Suassuna(recebeu comprovadamente 200 mil reais de propina) .No executivo o ministro Saraiva Felipe ,  operava o esquema, tendo contratado a funcionária ligada aos Vedoin - operadores privados do esquema criminoso... Aí vem o senador Welington Salgado, integrante da CPMI pelo PMDB, e diz que não vai assinar o documento final. Ulisses Guimarães devia estar se revolvendo em seu túmulo no mar. Que vergonha senhores parlamentares  que ainda continuam neste congresso-aviltado e apequenado! E o seu Lula na presidência, fingindo que não era com ele. Não é lindo? E quer voltar!

Assim não dá. É preciso lutarmos por uma  nova utopia: Construir o homem integral na política e na sociedade. Mente com visão humanista, e talento burilado pela educação. Coração com muita paixão pelo outro. Corpo com necessidades supridas( não roubar)- auto-discipina. E, por fim,  construção do espírito através da consciência. Este é meu projeto de nação,  sugerido aos candidatos a cargos eletivos, para os governos e Parlamentos do Brasil.

Tenho dito.

   

              José Carlos Nunes Barreto

          Pós-doutor e Sócio da DEBATEF Consultoria

 

 

quarta-feira, 23 de junho de 2021

Colunas do Meu Sacerdócio

“Um homem não pode fazer as coisas certas em um departamento de sua vida, enquanto erra em qualquer outro. A vida é um todo indivisível” MAHATMA GANDHI

 

Leio nos evangelhos a purificação do templo, feita por nosso senhor Jesus Cristo. A fúria com que Ele investiu sobre os mercadores e cambistas. “A minha casa será chamada casa de oração, e não covil de salteadores”. Comparo isso ao que leio na crônica policial, a respeito de um certo apóstolo e sua bispa ,  fundadores de uma igreja neopentecostal em SP. E, constato : são salteadores do povo de Deus. A própria justiça humana, já está dando um jeito, quanto mais a divina...E eles roubaram muito! - segundo o ministério público de SP, cerca de 20 milhões, sem considerar o que está escondido em nome de laranjas, o que deve elevar em muito essa conta. Observando melhor, e participando de comunidades e igrejas no presente século, de novo percebo que existem os pastores e bispos  bandidos ,chamados  ladrões de galinha .Ou seja, roubam miudezas, porcarias a seus olhos: uma reputação aqui, durante um sermão, uma paz ali, durante uma visita a contragosto. Existem até aqueles que, são  vetados na comunidade, para batizados e casamentos de alguns fiéis, mais antenados e espertos. Outra purificação o Senhor precisaria fazer, portanto, nos dias de hoje, porque há um  deserto seguido de um enorme precipício, entre o que esses falsos profetas pregam, e o que fazem na própria vida, e nas de milhares de pessoas inadvertidas .Falta integridade. Falta caráter.

A propósito destas duas palavras, por demais significativas, estou nas férias lendo o livro de  Stephen Covey “O oitavo Hábito: Da eficácia à grandeza” ed. Campus. Nele, o autor define a integridade como um princípio, que indica que estamos integrados aos fundamentos morais, e às leis naturais, que em última análise, governam as consequências de nosso comportamento. Consiste em falar a verdade, e cumprir as promessas feitas a nós, e aos outros. Covey escreveu também, “Os sete hábitos eficazes” ,cuja leitura é recomendada antes. Como chegar à confiabilidade, e gerar confiança? Como desenvolver todas as dimensões das inteligências física, emocional, intelectual e espiritual? Como desenvolver a maturidade, e a mentalidade de abundância, sempre presentes na alma dos verdadeiros líderes? todas estas respostas, são aos poucos respondidas, trazendo luzes e complemento ao que aprendemos nos catecismos .Mas deixo claro que, o que acontece com bispos e pastores, também é o que  presenciamos em engenheiros, advogados ,juízes , médicos ou qualquer atividade onde esteja um homem (ou uma mulher).Num exemplo marcante,  o autor cita uma entrevista do seu genro, para residência  de medicina. Lhe perguntaram o que preferia: um cirurgião honesto, mas incompetente, ou um que fosse competente embora desonesto. Vejam a sua boa resposta:  “tudo depende do problema. Se eu precisasse ser operado, iria querer o competente. Se se tratasse de saber se tinha de ser operado ou não, preferia o honesto” Claro que o fundamental, é que um médico tenha as duas qualidades, pois isoladamente elas são insuficientes...

 Caráter e competência : duas colunas do sacerdócio de um profissional cristão, inclusive bispos e pastores, e  que levam à confiabilidade, à sabedoria e à eficácia.

 

                 José Carlos Nunes Barreto

             Pós-doutor e Sócio da DEBATEF Consultoria

 

segunda-feira, 31 de maio de 2021

Filhos do Universo - Desiderata, poema de Max Ehrmann’s: “Siga tranqüilamente entre a inquietude e a pressa...


 

A propósito da tensão entre as duas Coréias . E dos testes nucleares da Coréia do Norte a lançar brumas de guerra no horizonte, me lembro do muro caído de Berlim . Dos carros todos iguais do lado oriental passando em levas para o lado ocidental. Em 1990 estive lá a tempo de tirar uma lasca do muro e  de viajar pelo lado oriental, para ver de perto a obra do atraso comunista: escassez de alimentos, degradação ambiental, atraso institucional, tecnológico e   político. O mesmo observamos hoje no lado norte coreano. Com ajuda de um satélite qualquer à noite, vemos a Coréia do  sul, totalmente iluminada. Pelo progresso e pela sociedade livre. O norte jaz  em trevas. Da falta de investimento em energia. Do pensamento único. Da falta de oportunidades e de liberdades constitucionais. Todos tem um dono. Um falso Deus.(Que já foi simpático à maioria)Pequeno e obtuso, hoje tira dinheiro da alimentação de seu povo para construir armas nucleares. A lição a seguir, vai principalmente para os que ainda precisam usar o ”bolsa família” e sucedâneos , que apesar dos ditadores, chegou até nós a partir de 1927 –Desiderata, poema de Max Ehrmann’s:

 “Siga tranqüilamente entre a inquietude e a pressa,
lembrando-se que há sempre paz no silêncio.
Tanto que possível, sem humilhar-se, viva em harmonia
com todos os que o cercam.
Fale a sua verdade mansa e calmamente e ouça a dos outros,
mesmo a dos insensatos e ignorantes
– eles também tem sua própria história.
Você é filho do Universo, irmão das estrelas e árvores.
Você merece estar aqui e mesmo que você não possa perceber
a Terra e o Universo vão cumprindo o seu destino.
Evite as pessoas agressivas e transtornadas, elas afligem nosso espírito.
Se você se comparar com os outros
você se tornará presunçoso e magoado, pois haverá sempre alguém inferior
e alguém superior a você.
Viva intensamente o que já pode realizar.
Mantenha-se interessado em seu trabalho, ainda que humilde,
ele é o que de real existe ao longo de todo tempo.
Seja cauteloso nos negócios, porque o mundo está cheio de astúcia,
mas não caia na descrença, a virtude existirá sempre.
“Você é filho do Universo, irmão das estrelas e árvores.
Você merece estar aqui e mesmo que você não possa perceber a terra e
o universo vão cumprindo o seu destino.”
Muita gente luta por altos ideais e em toda parte
a vida está cheia de heroísmos.
Seja você mesmo, principalmente, não simule afeição
nem seja descrente do amor;
porque mesmo diante de tanta aridez e desencanto
ele é tão perene como a relva.
Aceite com carinho o conselho dos mais velhos,
mas seja compreensível com os impulsos inovadores da juventude.
Alimente a força do Espírito
que o protegerá no infortúnio inesperado, mas não se desespere
com perigos imaginários,
muitos temores nascem do cansaço e da solidão.
E a despeito de uma disciplina rigorosa
seja gentil para consigo mesmo. Portanto esteja em paz com Deus
como quer que você o conceba e
quaisquer que sejam seus trabalhos e aspirações,
na fatigante jornada da vida, mantenha em paz com sua própria consciência.
Acima da falsidade, dos desencantos e agruras,
o mundo ainda é bonito, seja prudente.
Faça tudo para ser feliz.”

 

       Jose Carlos Nunes Barreto

Pós-Doutor e Editor Executivo da revista Sciencomm

 

 

 

 

O Tetraedro de Lovelock2

                                  

 

“Só se pode vencer a natureza obedecendo-lhe”

Francis Bacon

 

Apoio o governo Bolsonaro, mas não sua política ambiental que é levada, desastrosamente , por seu ministro Sales, que literalmente vende o MA. Neste artigo, relembro meu trabalho de doutoramento na área, só para reafirmar os conceitos caros, que precisam ser resgatados neste ou em outro governo nacional. Para se reeleger, Bolsonaro terá de se comprometer com eles, e demitir este mandarim das queimadas.  Quanto à  Tese, ela permanece atual, e está, graças a Deus, no repositório  da Biblioteca do Congresso Americano, e em alguns repositórios ao redor do mundo conveniados com a USP.

 

 Em  defesa dela na Faculdade de Saúde Pública da  USP, em abril de 2000, citei Samuel Murgel Branco, que definia qualidade de vida como o objetivo final do desenvolvimento ou da civilização .O que implica, necessariamente, na preservação dos padrões e características regionais, já que civilizações milenares foram destruídas ou deformadas, pelo processo, que consiste  basicamente em erradicar costumes, e alterar o meio natural. Analisávamos que, ao contrário disso , o desenvolvimento é algo que vem de  dentro para fora, como a evolução de um embrião, o desabrochar de uma flor, o germinar de uma semente. ”São os fatores intrínsecos já contidos na semente, ou no gérmen que mais contam, e se algo tiver de ser adicionado de fora para acelerar seu processo, terá de respeitar o que ali existia, em gérmen e não destruí-lo”.

 

 Também concordei  com a  análise de Saraiva -1997,sobre as questões relacionadas com a produção de qualquer bem ou serviço, que podem ser sistematizadas,  recorrendo ao que se denominou de “tetraedro  tecnológico”. Onde fica clara a  evolução dos conceitos nas sociedades tecnológicas ,em especial aqueles que surgiram nas últimas décadas. Os vértices do tetraedro são: as matérias primas, a informação, a energia e o ambiente. Da associação desses fatores , resulta um serviço ou um bem. Há cinquenta anos o tetraedro se reduzia a um segmento de reta, entre as matérias primas e a informação, uma vez que, naquela altura o custo de energia era quase nulo, e os problemas relacionados com as limitações das fontes, não eram sequer encarados, senão por alguns “pessimistas”. Há 30 anos, o modelo se   resumia a um triângulo. As questões ambientais começavam então a serem postas, mas a avaliação dos seus custos reais, eram um “problema para as gerações futuras”.

 

Finalmente, aos poucos, nas duas últimas décadas, delineou-se um tetraedro, com o último vértice sendo ocupado pela energia a ser consumida durante o processo. Impõe-se desde então, responder que quantidade e que tipo de emergia é exigida, não só pelo próprio processo produtivo, como também pelo seu transporte e distribuição. Que impacto ambiental produz o processo energético-chuvas ácidas, aquecimento global,   e desastres climáticos, são exemplos de problemas que precisam ser  mitigados e/ou eliminados.

No Livro “A Vingança de Gaia”, em 2006, o Cientista inglês James Lovelock, preconiza que o equilíbrio ambiental já foi rompido pelo aquecimento global, e o mesmo já passou do ponto sem volta.

 

Parece absurda, mas a única saída para a  Terra, segundo o autor, seria, nos próximos anos , reduzir  a quantidade de seres humanos, motivada pela essência de Gaia(Polêmico: mas  na sua teoria, a terra seria um organismo vivo, com capacidade de se manter saudável ,e tendo compromisso com todas as formas de vida) ,o que reduziria em até  80% a população do planeta até 2100.e hoje ele tem seguidores poderosos(em Wuhan,indago...). Doido? Lovelock , não é qualquer um...Trabalhava até recentemente, aos 90, em seu laboratório particular. É o Inventor do equipamento que permitiu detectar o acúmulo do pesticida DDT nos seres vivos, motivo pelo qual se interrompeu seu uso. O mesmo aparelho ajudou a identificar o CFC, como o gás responsável pela destruição da camada de ozônio...Por mim, rebatizaria o tetraedro tecnológico para tetraedro “de Lovelock”, e mandaria prender quem contribui com o aquecimento do planeta, como o atual  ministro do Meio Ambiente do Brasil.

 

                José Carlos Nunes Barreto

Pós doutor e sócio da DEBATEF Consultoria