quarta-feira, 19 de maio de 2021

A Dieta da Metade


 

Por força de compromissos profissionais, preciso viajar constantemente. Sempre que possível de carro, porque tenho medo de voar. E por isso na estrada, que é o caminho, fico observando ,caindo em buracos, desviando de outros, ,sentindo o vento, cheiros bons e ruins, aprendendo aqui ,curtindo ali, até chegar ao destino. E uma das coisas mais interessantes nas viagens é perceber o mundo dos caminhoneiros, suas histórias e filosofias, algumas delas estampadas nos para choques de caminhões. Como esta: “ Envelheça comigo! O melhor ainda esta por vir” . Pintada em letras vermelhas, rodeadas de rosas também vermelhas. De gosto duvidoso, eu sei, mas de um significado enorme, para aqueles que ficam longe das esposas e filhos ,mas estão com suas metas de viver seus amores e vencer na vida. Verdadeiros reis da estrada, abandonados pelo estado, esses cidadãos são operadores de uma logística fundamental ao Pais, e nem sempre são reconhecidos em seu trabalho. Quando preciso parar ,verifico se tem muitos caminhões. A comida com certeza  “melhorzinha” e o lugar é mais seguro. E paro para escutar e trocar uma prosa, porque não? Dias destes, conversando com um ex- aluno do curso noturno da escola Ignácio Paes Leme em UDI, de 30 anos atrás -hoje caminhoneiro-que me reconheceu apesar de estar 20 quilos mais gordo -e com outros, sobre o quanto a gente engorda, dietas ,etc...um deles me interrompeu para dizer que tinha perdido quinze quilos.-`Os demais foram testemunhas. Brincavam dizendo que pensaram que ele estava doente e riam. Perguntei-lhe o que tinha feito. E me disse -Fiz uma dieta que eu mesmo inventei: a dieta da metade-meia bala, meia porção que eu comia antes no almoço e na janta, meio café, meio suco, meio pastel. E mostrou a metade do pastel  sobre o prato,  a confirmar sua atitude. Vim embora pensando nos bilhares de dólares do mercado de dietas que rolam pelo mundo. Quanta gente enriqueceu. E esta dieta. Se pega, vai desmobilizar tudo isso  porque só depende de disciplina e vontade- a famosa atitude. Além disso você não passa  fome. Porque comemos muito rápido e depressa ,sem darmos tempo ao cérebro de registrar a saciedade. E desta forma-sabendo que se vai comer a metade-você come devagarzinho, sentindo o sabor dos alimentos e vai ingerindo menos calorias. E como tudo na vida é um processo, logo vai ter de afivelar o cinto alguns pontos abaixo, e mais a frente trocar parte do guarda roupa. Fiquei com aquilo na cabeça até começar a tal dieta. Li também um livro sobre Inteligëncia física  ,“O Oitavo Hábito Eficaz” de stephen Covey. Aprendi que é preciso fazer também exercício físico - voltei a caminhar todos os dias, e a dormir entre sete e oito horas por noite. Pronto estava completada a fórmula mágica da longevidade e qualidade de vida:   Aumentando a inteligência física, que é o suporte das inteligências intelectual, emocional e espiritual. É lógico que esta parte da conversa, não se deve falar em roda de caminhoneiros - Em Roma, como os romanos –ou traduzindo para a linguagem deles : Em terra de sapo, todos  de cócoras ! A propósito , ia me esquecendo , já emagreci doze quilos. Bom né?

 

          Jose Carlos Nunes Barreto

Pós doutor e Editor Executivo da Revista Sciencomm

 

domingo, 11 de abril de 2021

Gestão Educacional

                               

“Somos o que repetidamente fazemos .A excelência, portanto, não é um feito. É um hábito”. Aristósteles

 

Costumo dar aulas parra 20~30 alunos, presencialmente... mas no EAD  já se posso chegar a milhares de alunos. Todavia , quando escrevo um artigo( e fico feliz  por você me honrar com esta leitura) ,em torno de 10.000 pessoas podem chegar a lê-lo, e  aprender alguma coisa .E isto é maravilhoso para um professor. Hoje quero abordar uma ferramenta da qualidade, que está fazendo falta nas escolas do Brasil, e ,também no seu mercado aéreo  em pleno apagão do COVID 19: o ciclo PDCA ou roda de Deming.- primeiro planejar, depois realizar o que planejou ,checar (ou auditar para ver se fez o planejado) e por último agir para melhorar por meio de plano de ação. Trata-se de uma ferramenta de gestão ,que se usada, proporciona melhoria contínua nos processos. O que é um processo? é uma sequência de passos para se obter um bem ou serviço de acordo com a especificação da parte interessada - o cliente. Quando se faz um café para as visitas, pode-se ilustrar muito bem o que é um processo. Primeiro coloca-se a água no fogo. Mas que quantidade? Depende do número de pessoas. Mede-se com este indicador para não haver desperdício de água, pó e energia .Desperdiçar pra quê? depois de colocar a quantidade exata de pó despeja-se a água quente sobre o mesmo. Servir quente .Um belo sorriso de anfitrião  completa o processo. Que é um sucesso em fito ativos, que fazem o papo seguir lívido, e o relacionamento quente como o café servido..

O número de  escolas particulares  superiores e médias no Brasil cresceu  exponencialmente com a entrada de jovens  brasileiros em busca de conhecimento. E isto é uma coisa boa. O que não é bom é a crise que se avizinha em virtude da má gestão, e da mudança de perfil dos alunos-agora muito mais pobres, e sem condição de pagar os 100 dólares mínimos exigidos de mensalidade, subproduto da pandemia... Uma série de fusões está sendo esperada. Muitas instituições deixarão de existir, e colocarão a culpa na inadiplência. Mas como explicar que para  algumas empresas  educacionais, ela está na ordem de 0,3~0,8% e em outras em 10~30%?Como qualquer empresa de varejo ,elas deveriam “pesquisar o cliente “.. E não é o que vem acontecendo, no segundo caso .A realidade fará o ajuste. Demissões em massa de mestres e  doutores ,assim que os cursos forem reconhecidos pelo MEC. Um verdadeiro desperdício de talentos, e de capital humano. Mas o que fazer? Os salários representam até 60% dos custos. Se somarmos cerca de 35% de impostos, sobram 5% para serem  gastos com investimentos, e  despesas correntes, e se há inadiplência  esta conta passa em muito de 100%.Dívidas trabalhistas  completam o quadro desolador. Um verdadeiro desastre ! Mas também didático, para mostrar que não adianta fazer aeroportos bonitos, escolas idem,  sem considerar uma parte crucial na gestão : o planejamento estratégico. E, a exemplo das empresas de varejo  que pesquisamos pelo SEBRAETEC( 500 delas) ,expansões são feitas , sem cuidar do capital humano, do clima organizacional. De que adianta estes impecáveis aeroportos, se os operadores estão em frangalhos? E estas escolas de prédios pomposos, se a alma delas- os professores e os alunos( a parte interessada) estão insatisfeitos ?

Finalizando: infelizmente, após esta pandemia, um tsunami vem aí. É  preciso portanto, estar em lugar alto. E , acima de tudo, estruturar medidas anticíclicas na economia, para aplicar os recursos necessários na saúde e na educação. Rodar o PDCA, estabelecendo a máxima de Aristósteles, ao   fazer da excelência um hábito.

 

José Carlos Nunes Barreto

Pós-doutor e sócio da Debatef Consultoria

 


domingo, 4 de abril de 2021

Páscoa: é tempo de perdoar!

                                                  

“À tarde, ao cair do sol, trouxeram à Jesus todos os enfermos e endemoniados” Mc 1:32

 

A Páscoa na era pré mosaica, era festa da primavera de pastores nômades. Hoje é festa anual dos hebreus, transformada em memorial de sua saída do Egito, e também, a festa anual dos cristãos que comemoram a ressurreição de Cristo.. É o cumprimento do preceito pascal, sobretudo quando feito coletivamente.(Aurélio p485)  Para nós do ocidente, ,além de comer ovo de chocolate, é época de rever familiares e amigos em torno da mesa, esquecer as diferenças  e praticar o perdão., ou seja dar a outra face ,se for preciso. Mas existe pecado imperdoável? nos três evangelhos sinódicos  ( mateus,Marcos e Lucas) está  registrada a solene advertência de Jesus, a respeito de um pecado que não será perdoado, nem neste mundo nem no vindouro: é a blasfêmia contra o Espírito Santo. E quem é o Espírito Santo ? Ele é o próprio Deus E foi prometido aos homens, após a ressurreição de Jesus: “Eu vos enviarei o consolador”. A obra do espírito santo é iluminar a mente dos pecadores, revelar e ensinar o evangelho, persuadir as almas a arrepender-se e a crer na verdade. O Espírito não só explica a Palavra de Deus, como  também abre a mente das pessoas de modo que elas possam ser entendida. Quando a influência do espírito é deliberada e conscientemente  recusada, em oposição à luz, então o pecado irreversível –e imperdoável –pode ser cometido, como um ato voluntário e deliberado de malícia. Em resposta a essa atitude, há um endurecimento do coração vindo da parte de Deus, que impede o arrependimento e a fé. Jesus disse que todos os “pecados” e “blasfêmias” serão perdoados (Paulo perseguiu a igreja, o ladrão da cruz era mais malfeitor que mensaleiros do congresso, a mulher adúltera ,lembram?) .Todos pecados possíveis  e imagináveis ,exceto esse um pecado.( Bíblia de estudo de Genebra - Marcos cap.3)

Vejo a ceia do Senhor  e a páscoa anual  um rito de recordação - um selo de um relacionamento pactual com Deus.. Elas fazem os fiéis lembrarem em seus corações o quão passageira é esta vida, e que somos todos viajantes rumo ao lar celeste. Claro que isto é para os que assim crêem. Muita gente gostaria de crer, mas não podem .Tenho amigos que não crêem e sofrem por isso. São sinceros na não crença. A própria escritura diz: muitos serão chamados , poucos  escolhidos. Não me perguntem porque é assim. Também gostaria de saber. E ,sem dúvida,  pergintador como sou ,logo que chegar lá tascarei esta pergunta ao Mestre. Que nos informa que incontáveis serão os escolhidos,  mas em compensação os perdidos serão como as areias dos mares. Nos ensina também que na ressurreição final,  os escolhidos o encontrarão nos  ares(aleluia!) .Os mares darão os corpos(agora transformados)dos salvos que neles morreram. As cinzas de muitos virarão corpos celestes! Como estrelas translúcidas e reluzentes. Estando dois em uma cama um será levado,  e o outro ficará. E quem ficar? Aí virá o grande Juízo. Que julgará o diabo e seus seguidores, e os condenará(.Afastai-vos de mim malditos para o fogo eterno.)  Concluo: Na Páscoa podemos exercitar, com o Espírito Santo ,os mistério da fé que remove montanhas , e que faz de um vale de ossos secos, um exército se levantar, consolar os aflitos ,e curará feridas do corpo e da alma humana. Boa Páscoa!

 

José Carlos Nunes Barreto

Pós - Doutor e  Sócio da Debatef Consultoria

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Cheiro de morte, uma Republicação da Desesperança.


  “Hipócritas!Ai de vós condutores cegos! Pois sois semelhantes aos sepulcros caiados”

Jesus Cristo


A semana que passou foi recheada de debates na sociedade brasileira sobre maioridade penal. No congresso e nas mídias, a inteligenttsia nacional mais uma vez dividida ,discute a conveniência ou não de se reduzir a idade de 18 para 16 anos para imputabilidade de penas , principalmente após o crime hediondo ocorrido com João Hélio. O menino de 6 anos foi morto após ficar preso no cinto de segurança em assalto no carro da família, no Rio de Janeiro. Mais histórias semelhantes, presenciamos em Udi, BH,SP, Recife... Dramas que se repetem na sociedade brasileira, envolvendo menores de 18 anos, que no caso em questão, não são só pobres favelados como seria de se esperar, e sim, gente pertencente à classe média, embora também haja ricos protagonistas, destas histórias de barbárie e banalização da vida.

Quando isso acontece, “ nossos guias”se reúnem no congresso, e nos palácios governamentais para mudarem as leis, como forma de aplacar a indignação do povo, que clama por justiça . Pedem até pena de morte, que na prisão, pelos próprios detentos de fato acontecerá, para consolo geral. Matamos mais que o Irã , a China ou Iraque em guerra. Porém com o carnaval , as pessoas vão esquecer ,e esses infanticidas , se não morrerem, logo estarão na rua, e a tal possível lei cairá no esquecimento... E assim vamos, de esquecimento em esquecimento sendo conduzidos ao precipício. Os pilotos cegos desta nave à deriva, estão preocupados em dividir o butim de dezenas de ministérios e milhares de cargos de livre provimento, além de verbas que farão o próximo escândalo(que também será esquecido) de dólares na cueca, em malas etc...A impunidade é nossa marca. A Hipocrisia também.

Estamos no centro de uma crise moral em todas as esferas da sociedade. Do dirigente partidário que ordenou a compra de um dossiê, com dinheiro sujo, passando pelo cidadão corruptor de guardas de trânsito, até ao garoto criminoso que não parou o carro porque não quis(era um boneco de Judas, responde com chocante frieza).Neste cenário, empresas de telefonia fazem contratos de fidelização em massa, sem  terem condição estrutural de atender a todos clientes( Termos de ajuste de conduta do Ministério público, e o PROCOM multando ,e estes são lampejos de cidadania).Empresas aéreas vendem passagens demais, aproveitando o caos operacional dos controladores de vôos. Escolas particulares de ensino superior fingem ensinar , e tratam mal alunos e professores(Há honrosas exceções ).

Nossa elite está perdida. Sem foco. Sem visão . Sem outra estratégia, a não ser levar vantagem em tudo. A famosa Lei de Gerson- que ensina furar fila de vacina, para usar um exemplo atual. Ou seja, o ganha –perde: Para ela ganhar todos temos de perder. Numa era em que a motivação só acontece no sistema ganha –ganha. Em que as pessoas são chamadas de Capital Humano. E o antigo RH virou Talentos Humanos.

É triste. Como educador e consultor, ministrando conhecimento, nunca as ferramentas da qualidade foram tão requisitadas, para inovação e criatividade, como agora. Todavia, quem nunca nos procura, é exatamente quem mais precisa: o poder público. A cegueira desse pessoal, pode levar Minas Gerais a outra derrama. E o País ao enfarte.

José Carlos Nunes Barreto

Pós- doutor e sócio da Debatef Consultoria

 

 


domingo, 21 de março de 2021

A quarta revolução2- Nova Releitura


 “A vida só é possível reinventada/Anda o sol pelas campinas/ E passeia a mão dourada/ Pelas águas, pelas folhas…/Há! Tudo são bolhas/ Que vêm de fundas piscinas/De ilusionismo… mais nada/Mas a vida, a vida, a vida/ A vida só é possível reinventada. ”Cecilia Meireles

 

 

A função da Academia e Think Thanks em tempos de crise, é apontar caminhos para a sociedade. Aliás, antever as crises, e evitá-las, está entre as metas que estes players teimam em não cumprir, imobilizados em abraços de afogado, com políticos e governantes cegos. Agora mesmo o auxílio emergencial para cerca de 25% da população brasileira – necessário, mas não disponível em termos de recursos públicos, o que pode fazer o Estado quebrar- após sucessivas quedas de arrecadação, por fechamentos na economia para conter a Covid 19.

O Estado ocidental, ao conceder vários benefícios para os indivíduos (não só para os pobres), se tornou “inchado”. “Nos Estados Unidos, os gastos públicos aumentaram 7,5% do PIB em 1913 para 19,5% em 1937, para 27% em 1960, e para 49% em 2011. (…) Em países ricos, a proporção média dos gastos cresceu de 10% para 49%”Segundo o excelente livro “A quarta Revolução”, dos autores John Micklethwait e Adrian Wooldrige,. Observação:  o BID sugere o gasto público brasileiro em ralação ao PIB, na ordem de 42%.


Os autores em tela,   anunciam a falência próxima do estado, e alertam para as grandes transformações previstas em escala global, em função do uso massivo de inovações tecnológicas, de tal monta ,que com os novos usos, as democracias correrão perigo.


E esta é uma boa leitura, que recomendo para os próximos feriados, pois quem lê um livro assim, muda primeiro a si mesmo, depois muda o mundo. Principalmente ao constatar, algo desesperador, pois ontratamos para a Nação mais uma década perdida, a pior delas, ao juntar a derrocada lulopetista à crise sócio sanitária global, acontecida no governo Bolsonaro. Governantes do mundo  em  todos os casos, tiveram  miopia estratégica, fazendo crescer o desemprego estrutural entre os jovens, que ajudamos a formar,  o que ,infelizmente está, entre os subprodutos desses tempos de ilusionismo, a que se refere a poetisa em tela.


O Brasil figura, ao lado da África do Sul, Itália, e sudeste asiático, na lista de países e regiões onde os impactos da quarta revolução industrial, serão predominantemente negativos, informaram os painéis de discussão do fórum econômico mundial de Davos  já em 2017.
Para contornar esta situação, será necessário investir primeiro em qualificação de pessoas, e depois reformar o estado, utilizando de forma mandatária, os orçamentos legislativos para investir em inovações tecnológicas e sustentabilidade – temos massa crítica para isso, todavia o congresso brasileiro, e mesmo o governo federal , estão presos à  agendas clientelistas e ao atraso institucional da máquina pública, que se tornou um fim em si mesma. 

Não dando espaço, por exemplo, para as inovações como as  start ups , em curso no universo de produção de energia, e no uso de tecnologia da informação. As mesmas já  em 2020, impactaram a mão de obra no Brasil, segundo os autores, reduzindo-a em 6% pela otimização dos postos de trabalho, e em outras revoluções  em andamento, como as fintechs que fazem descer  drasticamente os custos operacionais de transações financeiras.

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Todavia, segundo os especialistas, há um contraponto, e ele  aquece a alma: o setor de mobilidade e logística no Brasil, e notadamente em Uberlândia, terá uma janela de oportunidades jamais vista até hoje, e poderá ser o trator a nos tirar do limbo nesta fundamental área- haja vista o tamanho do País. O governo de Uberlândia, reeleito em novembro, , deve aliar gestão e inteligência para explorá-la para liderar esta nova era, e sair dos labirintos de escândalos na área de saúde, saneamento e justiça, que corroem energias e recursos, ao invés de incrementá-los.


Já na área de relações internacionais, as Academias, notadamente a UFU, deveriam, a meu ver redirecionar pesquisas ,patentes e artigos visando países do oriente, como Singapura – um padrão, que reformou o estado, e prepara seus alunos para esta nova era.

 

 E seus efeitos de benchmarking já atingiram a china e EUA, e estão se irradiando para países da região, como Arábia Saudita, Bahrem, Omã, Quatar, Emirados árabes Unidos, e quem diria? Já chegaram ao Chile aqui pertinho, além do México, Índia e Turquia…Porque estaríamos fora disso? Esta é uma agenda necessária para a pós – pandemia ( vamos pensar positivamente) – a fim de voltarmos à rota de nosso destino de grandeza, após vencermos a inércia da maior recessão da história deste País, e reinventar a vida, como sugere com leveza , Cecília Meireles

 

 

José Carlos Nunes Barreto

 

Pós Doutor  e Editor Executivo da Revista Sciencomm

 

 

domingo, 14 de março de 2021

SOS serviços

ESTADO DE MINAS (MG)

SOS serviços

Tive a honra de ter meus artigos publicados, na era da impressão via papel de imprensa, durante vários anos, por este ainda  influente meio de comunicação, cuja logo estampo acima, durante os anos 2000, quando tive parceria com um dos seus editores. Com sua aposentadoria, todavia, as portas se fecharam, e assim é a vida, não reclamo...Segui meu caminho...mas fica aqui minha gratidão, pela veiculação de minhas idéias ,e,  pelo aprendizado... Espero que gostem da releitura, mais de 10 anos depois:


Quando terminei meu doutorado na maior na universidade de São Paulo, fui obrigado a dar 40 aulas por semana em um centro universitário particular. Economia foi uma delas. Resolvi estudar Samuelson, e essa foi uma das melhores coisas que já ocorreram comigo. Hoje, entendo alguma coisa de estruturas de mercado. As mais conhecidas: o monopólio-situação, em que só um fornecedor atende o mercado e nada precisa fazer para atender o range do cliente, que, aliás, desconhece. Também há o oligopólio – poucas empresas que disputam o mercado; se elas combinam preço, eis um cartel; no caso de haver um só comprador para centenas de fornecedores, está caracterizado um oligopsônio.

Em todas estruturas apontadas, sofre quem precisa desses serviços e produtos, porque, sem concorrência, todo produto/serviço, normalmente, é nota zero, porque não precisa melhorar. Lembro-me do monopólio da informática, obra da ditadura que quase nos jogou no limbo do atraso. Dos carros “tramban” da então Alemanha Oriental, horríveis e iguais; do colapso socioambiental e econômico do comunismo; e de outras “preciosidades” germinadas por essas perversas estruturas de mercado, como fraudar leite em cooperativas oligopsônicas.

Fui atendido, dias desses, em uma companhia de telefonia celular – um oligopólio, que gasta fortunas em propaganda, mas não se importa em deixar o cliente esperando duas horas, para depois dizer que não pode resolver o problema. Tudo porque quem devia atender a fila de clientes estava “desviado para outra função”. Você já enfrentou algo parecido? Já voou pelo país afora? Pois é, temos um duopólio. E elas mandavam na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) ao ponto de impor rotas e fazer de Congonhas o aeroporto mais perigoso do mundo. Deu no que deu(acidente da TAM ).

A propósito, voei mais de seis horas, semana passada, quando fui, representando o Ministério da Educação, reconhecer um curso, em Belém do Pará. Surpreendi-me com a sua excelência, mas não com a sempre predatória estrutura de mercado de ensino no país. Está em curso um ajuste que, sem dúvida, estabelecerá oligopólios privados no ensino superior. Infelizmente, a educação neste nível deixou de ser avaliada, como deveria, durante anos, e assusta vermos pessoas estudarem anos a fio e, ao final do curso, verem seus diplomas inúteis. Este absurdo é culpa do Estado, que deveria regular e auditar, uma tarefa impossível de ser delegada. Ocorreu no setor aéreo. Poderá ocorrer na educação um apagão, que nos trará tantos ou mais dissabores que aqueles de triste memória. Dá para aceitar que só 15% dos estudantes de direito sejam aprovados numa prova da ordem? Ou ouvir do Conselho Federal de Medicina (CFM) que, sim, os erros médicos estão aumentando em função da má-formação dos médicos brasileiros, ou que o Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura (Confea) e os regionais correspondentes estão dispostos a fazer um exame, a fim de evitar chamar de engenheiros jovens que mal sabem fazer contas, enquanto o mercado estima um déficit de milhares desses profissionais, a ponto de o país precisar importar indianos e chineses? Precisamos de estadistas que pensem na próxima geração e não na próxima eleição. E cuidar da próxima geração significa planejar a segurança, a saúde e, principalmente, a educação, regulando o mercado e eliminando os predadores e aventureiros.

Alguém tem dúvida?

 

                  José Carlos Nunes Barreto,

          Pós - Doutor, professor universitário

 

 

domingo, 7 de março de 2021

A Era da Abundância

“O poeta é um fingidor/Finge tão completamente/Que

chega a fingir que é dor/A dor que deveras sente."

Fernando Pessoa

 

 

 Agradecendo a parceria de uma década com o jornal Gazeta do triângulo, de Araguari-MG, republico o artigo de janeiro de 2015, em que pensadores brasileiros iluminavam uma senda escura, em pleno lulopetismo.  Pois esta Luz ainda brilha sobre nós, em momento de pandemia e descrença: espero que gostem:

 

Leitor da Folha de SP, me deparei dia desses, com dois artigos primorosos em termos de ideias e agendas, para o ano que bate à porta. O primeiro, de Ronaldo Lemos, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do RJ, e outro, de Nizan Guanaes, premiadíssimo publicitário e empresário de SP. Ambos abordam, de forma inteligente, agendas para o futuro próximo, além de fazerem análises da atual conjuntura sócio econômico cultural do País, o que me agradou muito, haja vista a desoladora quadra que todos vivemos, na era de escândalos de corrupção e desmandos lulopetistas.

Felizmente o Brasil não é uma Venezuela, e nem Cuba, e nossas Instituições se mostram fortes, a despeito dos ocupantes do máximo poder no planalto central, que aparelham a justiça, corrompem o Congresso nacional, jogam contra a estabilidade econômica, ao ferirem a lei de Responsabilidade Fiscal, e para tanto retiram o povo das arquibancadas e de suas prioridades, ao, com toda desfaçatez, comprarem formalmente o voto de parlamentares, através de decreto presidencial.

Nizan Guanaes lembra que nossa força advém da experiência, pois passamos por hiperinflação, ditadura além de várias guerras contra moinhos de vento, e devemos ser otimistas, pois o otimismo fortalece. Faz sentido. O IED (investimento direto estrangeiro) ,apesar dos péssimos indicadores atuais da economia, chega este ano a 66 bilhões de dólares (investidores olham além desta conjuntura), quando se esperava 50 bilhões. O STF (Supremo Tribunal Federal), o MPF(Ministério Público Federal) e a Polícia Federal republicanos, tem prendido e julgado maus políticos, bandidos disfarçados como dirigentes de partidos ou empresas, além de banqueiros corruptores. Agora é preciso prender e julgar ex-presidentes bandidos, após impedi-los. Algo se move: quem viver verá. E isto era impensável há alguns anos, e é, pois, uma obra imaterial realizada por toda sociedade brasileira, a despeito de quem esteja ocupando o poder na vez.

Já Ronaldo Lemos  joga luz sobre as cruciais transformações, que a tecnologia trará para essa mesma sociedade, como um todo, e afirma que, como num enredo, o ano de 2014 representará o fim de um arco narrativo, e 2015 será o início de outro, muito mais significativo, pois apoiado pela base lançada por múltiplos setores, das telecomunicações, aos serviços na internet, onde a universalização da banda larga (onde estamos 30 anos atrasados),a regulamentação do marco civil da internet, aliadas ao acesso de smartfones ,com mais capacidade de acesso e armazenamento de informações , do que   possuía o ex-presidente americano Bill Clinton, elas  criarão a era da abundância, segundo Peter Diamandis em seu livro “Abundance: O Futuro é melhor do que você pensa” citado por Nizan Guanaes.

Estas vantagens competitivas aplicadas em boas escolas, com educação de qualidade para as massas, gerarão, a baixo custo, soluções integradas a grandes centros de pesquisa, ao redor do mundo: mais da metade do que iremos usar no dia  a dia, doravante, será concebida desta forma, nos próximos cinco anos. É um espetacular mundo novo que se descortina.
Com esta visão otimista, porém sem tirar os pés do chão, me despeço do leitor amigo, para, em seguida avançarmos rumo às mudanças, que já estão escritas nas estrelas: Maktub.

 

                                 José Carlos Nunes Barreto

                      Pós-Doutor-Editor Executivo da Revista Sciencomm