quarta-feira, 30 de setembro de 2026

ECOTEOLOGIA, ECOÉTICA E ESG: UM MODELO AVANÇADO DE GESTÃO SUSTENTÁVEL APLICADO ÀS IGREJAS

INTRODUÇÃO A crescente intensificação das crises ambientais, sociais e institucionais que marcam a contemporaneidade tem exigido das organizações humanas respostas cada vez mais integradas, éticas e sustentáveis. Nesse cenário, as igrejas, enquanto instituições de relevância espiritual, social e comunitária, não podem permanecer alheias aos desafios que envolvem o cuidado com a criação, a administração responsável dos recursos e a promoção do bem comum. A reflexão teológica cristã, especialmente em sua vertente ecoteológica, oferece fundamentos consistentes para compreender a relação entre Deus, a humanidade e o mundo criado, reafirmando que o ser humano não foi chamado à exploração predatória da criação, mas ao exercício da mordomia responsável, do cuidado e da preservação. A partir dessa compreensão, este trabalho propõe o desenvolvimento de um modelo de aplicação da ecoteologia nas igrejas, integrando fundamentos bíblicos, princípios de ecoética e práticas contemporâneas de ESG (Environmental, Social and Governance), com vistas à construção de um framework avançado de gestão sustentável aplicável ao contexto eclesial. Trata-se, portanto, de uma proposta que busca unir fé, ética e gestão, demonstrando que a espiritualidade cristã pode dialogar de modo consistente com instrumentos técnicos modernos de organização, planejamento, monitoramento e governança. A relevância deste estudo decorre da constatação de que, embora muitas igrejas apresentem significativo crescimento institucional e ampliem sua presença social, nem sempre dispõem de modelos estruturados de gestão que lhes permitam utilizar, de maneira eficiente, ética e estratégica, os recursos físicos, humanos, financeiros e ministeriais que lhes são confiados. À luz da tradição bíblica, especialmente da noção de mordomia cristã e da responsabilidade ensinada por Cristo em passagens paradigmáticas como a parábola dos talentos, compreende-se que a boa administração não constitui mero recurso instrumental, mas expressão concreta de fidelidade, sabedoria e responsabilidade diante de Deus e da comunidade. Assim, a justificativa deste trabalho está na necessidade de oferecer às lideranças eclesiásticas, aos conselhos e às comunidades de fé um modelo que favoreça decisões mais conscientes, transparentes e sustentáveis, superando práticas improvisadas ou fragmentadas e promovendo uma cultura organizacional comprometida com a excelência, a integridade e a responsabilidade socioambiental. Nesse sentido, a proposta ultrapassa uma leitura meramente empresarial do ESG, reinterpretando seus pilares à luz da missão da igreja e da ética cristã, de modo que as práticas ambientais, sociais e de governança não sejam vistas como modismos administrativos, mas como desdobramentos coerentes de uma cosmovisão bíblica comprometida com a vida, com a justiça, com a dignidade humana e com o cuidado da Casa Comum. Do ponto de vista metodológico, a pesquisa caracteriza-se como qualitativa, exploratória e bibliográfica, fundamentando-se em uma abordagem interdisciplinar que articula contribuições da teologia, da ética, da administração, da gestão ambiental, da governança e da saúde ocupacional. Para a construção do referencial teórico, o estudo dialoga com autores que oferecem bases importantes para a compreensão da ecoteologia, da ecoética e da gestão sustentável, entre os quais Leonardo Boff, Jürgen Moltmann, Pierre Bourdieu, Papa Francisco, Ricardo Ribeiro Alves, Paulo Baraldi, Paul de Backer, Etienne Grandjean e Barreto, J. C. N. 1. Revisão teórica geral Além da revisão bibliográfica e sistemática, o percurso metodológico prevê o uso de estudos de caso, entrevistas semiestruturadas e análise documental, a fim de conferir maior densidade à proposta e aproximá-la das realidades concretas das instituições religiosas. O objetivo é não apenas discutir conceitos, mas propor um modelo prático de implementação, com indicadores, ferramentas de avaliação e diretrizes aplicáveis, permitindo que as igrejas possam estruturar ações sustentáveis nos eixos ambiental, social e de governança. Desse modo, este trabalho pretende contribuir academicamente para o campo da ecoteologia aplicada e, ao mesmo tempo, oferecer um instrumento útil e inovador para a gestão eclesiástica, conciliando fidelidade bíblica, responsabilidade ética e eficiência administrativa. O desenvolvimento deste trabalho tem por finalidade construir uma proposta teórico-prática de gestão sustentável aplicada às igrejas, articulando a ecoteologia, a ecoética e os princípios de ESG em uma estrutura conceitual e operacional coerente. A organização deste capítulo parte da compreensão de que a igreja, embora essencialmente voltada à missão espiritual, também se constitui como organização social dotada de patrimônio, recursos humanos, processos decisórios, atividades comunitárias e impactos concretos sobre a sociedade e o meio ambiente. Por isso, sua atuação pode e deve ser pensada à luz de critérios de responsabilidade, planejamento, monitoramento e boa governança, sem que isso implique perda de sua identidade religiosa, mas, ao contrário, aperfeiçoamento de sua fidelidade institucional e ministerial. Para atender a esse propósito, o desenvolvimento foi reorganizado em dois grandes eixos complementares. O primeiro reúne os fundamentos conceituais, bíblicos, teológicos, éticos e gerenciais que sustentam a proposta do estudo. O segundo apresenta o modelo aplicado, isto é, a estrutura do framework ESG-EcoChurch, seus instrumentos, indicadores, etapas de implementação e possibilidades de aplicação prática em igrejas. Com isso, o capítulo avança da fundamentação para a operacionalização, preservando unidade argumentativa e permitindo que o trabalho tenha consistência acadêmica, clareza estrutural e viabilidade prática. Ecoteologia: conceito e campo de estudo A ecoteologia pode ser compreendida como o campo da reflexão teológica que analisa a relação entre Deus, a criação e o ser humano, reconhecendo que o mundo criado possui valor por sua origem divina e por permanecer sob a soberania do Criador. Essa perspectiva amplia a compreensão tradicional da teologia ao demonstrar que a criação não constitui tema periférico, mas realidade diretamente relacionada à revelação, à responsabilidade humana e à missão da igreja. Boff publicou em 2012, o texto “Não há sustentabilidade sem o cuidado” e, no mesmo período, publicou O cuidado necessário, dedicado à vida, saúde, educação, ecologia, ética e espiritualidade. No texto de 2012, Boff estabelece explicitamente uma relação entre sustentabilidade e cuidado, afirmando que o cuidado deve acompanhar a ação humana diante das consequências ambientais e sociais. Seu campo de estudo abrange temas como criação, mordomia, cuidado com a terra, crise ecológica e responsabilidade cristã diante dos desafios contemporâneos, propondo uma espiritualidade que una fé, cuidado e responsabilidade histórica (BOFF, 2012; MOLTMANN, 1993). Bases bíblicas da ecoteologia As bases bíblicas da ecoteologia encontram-se em textos que relacionam criação, cuidado e responsabilidade humana diante de Deus. Em Gênesis 2:15, o homem recebe a incumbência de cultivar e guardar o jardim, o que indica uma vocação de cuidado e administração; em Salmos 24:1, afirma-se que a terra pertence ao Senhor, reafirmando a soberania divina sobre toda a criação; e, em Romanos 8, a própria criação aparece vinculada à esperança da redenção. Esses textos evidenciam que o cuidado com a ordem criada não é estranho à fé bíblica, mas desdobramento da doutrina da criação e da mordomia cristã, reforçando a responsabilidade da igreja perante o mundo criado (BÍBLIA SAGRADA; TASKER, 2006). Ecoteologia contemporânea Ecoteologia contemporânea ganhou maior relevância à medida que a crise ambiental passou a ser compreendida não apenas como problema técnico, mas também como questão moral, espiritual e civilizatória. Nesse contexto, Leonardo Boff destaca a necessidade de uma espiritualidade do cuidado com a Casa Comum, enquanto Jürgen Moltmann desenvolve uma compreensão teológica em que a criação participa do horizonte da esperança e da restauração. Essas contribuições ajudam a deslocar a temática ecológica para o centro da reflexão cristã, mostrando que a fé deve dialogar com os desafios concretos da preservação da vida e da responsabilidade humana diante do planeta (BOFF, 2012; MOLTMANN, 1993). Ecoética: conceito e abrangência A ecoética é o campo da reflexão moral que amplia a ética tradicional ao considerar os efeitos das ações humanas sobre o meio ambiente, a coletividade e as gerações futuras. Ela surge da percepção de que a atividade humana contemporânea produz impactos amplos e duradouros, exigindo critérios éticos que superem o plano meramente individual. Sua abrangência inclui responsabilidade institucional, uso de recursos, justiça ambiental, saúde coletiva e sustentabilidade, permitindo analisar de modo mais abrangente a conduta de organizações e comunidades. No caso das igrejas, a ecoética oferece base importante para avaliar práticas administrativas e comunitárias à luz do cuidado com a vida e da responsabilidade coletiva (JONAS, 2006; BOFF, 2012). Princípios da ecoética Entre os principais princípios da ecoética destacam-se a responsabilidade intergeracional, a prudência, o cuidado e a sustentabilidade moral. A responsabilidade intergeracional indica que a geração presente não deve comprometer as condições de vida das gerações futuras; a prudência orienta a tomada de decisão diante de riscos e impactos complexos; o cuidado aponta para a proteção ativa da vida; e a sustentabilidade moral exige coerência entre os fins pretendidos e os meios empregados. No contexto cristão, esses princípios podem ser articulados à noção de mordomia e ao dever de amar o próximo, fornecendo às igrejas critérios mais amplos para orientar sua atuação institucional e comunitária (JONAS, 2006; BOFF, 2012). ESG: conceito, origem e estrutura O ESG, sigla para Environmental, Social and Governance, consolidou-se como modelo de gestão voltado à sustentabilidade, à responsabilidade social e à integridade institucional. Seu desenvolvimento está relacionado à percepção de que o desempenho organizacional não pode ser avaliado apenas por resultados econômicos, devendo considerar também o impacto ambiental das atividades, a relação com a sociedade e a qualidade dos mecanismos de governança. Uma Igreja ESG não deve apenas perguntar: “Que problemas ambientais temos?. Ela deve perguntar: “Quais são os riscos e oportunidades ambientais, sociais e de governança que podem afetar nossa missão?” Ricardo Ribeiro Alves publicou ESG: o presente e o futuro das empresas, pela ed.Vozes, em 2023. A apresentação da obra descreve uma estrutura na qual E e S estão inter-relacionados e têm a governança como base, criando condições para uma adoção ética, transparente e eficaz do ESG. O pilar ambiental trata do uso de recursos e da redução de impactos ecológicos; o social envolve relações humanas, inclusão e compromisso comunitário; e o de governança refere-se à ética, à transparência e ao controle institucional. Embora originado no ambiente corporativo, esse modelo pode ser adaptado ao contexto eclesial como instrumento de gestão responsável (ALVES, 2023). ESG e sua relação com o ambiente eclesial A relação entre ESG e ambiente eclesial torna-se evidente quando se reconhece que as igrejas também administram patrimônio, pessoas, projetos e recursos que geram efeitos sociais e ambientais. O eixo ambiental relaciona-se ao uso consciente de energia, água e materiais; o eixo social conecta-se à vocação assistencial, educativa e comunitária da igreja; e o eixo da governança responde à necessidade de transparência, ética e prestação de contas. Desse modo, o ESG pode ser reinterpretado à luz da missão cristã não como simples reprodução de práticas empresariais, mas como instrumento útil para fortalecer a mordomia, a responsabilidade e a integridade institucional no contexto religioso (ALVES, 2023). Gestão de riscos, saúde, ergonomia e gestão integrada A proposta de gestão sustentável para igrejas também requer atenção à saúde ocupacional, à ergonomia, à prevenção de riscos e à integração entre qualidade, meio ambiente e segurança. Muitas comunidades convivem com sobrecarga, improvisação e ausência de processos claros, o que pode gerar desgaste físico, emocional e organizacional. Nesse contexto, a literatura sobre gerenciamento de riscos e ergonomia oferece subsídios importantes para pensar ambientes institucionais mais saudáveis e equilibrados. Segundo Baraldi-2004, “o gerenciamento de riscos deve ser compreendido de maneira integrada, relacionando riscos e oportunidades aos objetivos da organização e aos mecanismos de controle. O gerenciamento não constitui apenas uma reação aos acontecimentos adversos, mas um processo que contribui para orientar decisões e alcançar os objetivos organizacionais. A perspectiva da gestão integrada, conforme Barreto-USP-2000, fortalece essa abordagem ao reunir qualidade, segurança, meio ambiente e saúde em uma mesma lógica sistêmica, favorecendo maior estabilidade e melhor funcionamento organizacional. Para isso Grandejean-1998, ainda defende que a ergonomia procura adaptar as condições de trabalho às características e necessidades do ser humano, considerando os aspectos fisiológicos, físicos e organizacionais da atividade. O trabalho deve ser concebido de modo a favorecer a saúde, a segurança, o conforto e a eficiência das pessoas, atendendo assim ao pilar S do ESG. (OLIVEIRA, 2018). Fundamentação da mordomia cristã e boa administração A mordomia cristã constitui fundamento central deste trabalho, pois estabelece a ligação entre fé, responsabilidade e boa administração. Na perspectiva bíblica, os recursos, dons, pessoas e estruturas confiados à igreja devem ser administrados com fidelidade, sabedoria e zelo, e não com negligência ou desperdício. A parábola dos talentos reforça essa compreensão ao valorizar a administração responsável e censurar a omissão. Assim, a boa gestão não representa concessão ao pragmatismo secular, mas expressão concreta de obediência, serviço e cuidado com aquilo que pertence a Deus. No contexto eclesial, isso significa organizar melhor os recursos e processos da igreja para que sua missão seja cumprida com maior responsabilidade e integridade (BÍBLIA SAGRADA; TASKER, 2006). 2 MODELO APLICADO DE GESTÃO SUSTENTÁVEL PARA IGREJAS: ESG-ECOCHURCH Construção do framework ESG-EcoChurch A construção do framework ESG-EcoChurch representa a etapa aplicada deste trabalho, pois traduz os fundamentos da ecoteologia, da ecoética e do ESG em uma proposta concreta de gestão sustentável para igrejas. O modelo parte da compreensão de que a igreja, além de comunidade de fé, também administra recursos, pessoas, espaços e processos, exigindo organização, planejamento e responsabilidade institucional. Assim, o framework não busca empresarializar a igreja, mas oferecer um instrumento de gestão coerente com sua missão, permitindo integrar espiritualidade, ética, cuidado com a criação e boa governança em uma estrutura prática de administração e acompanhamento. Pilar ambiental do modelo ESG EcoChurch baseia-se na ideia de que a igreja deve assumir responsabilidade concreta pelo modo como utiliza os recursos naturais e organiza seus espaços físicos. Nesse eixo, incluem-se ações como uso racional de energia e água, gestão de resíduos, coleta seletiva, redução de desperdícios e avaliação de soluções mais sustentáveis, como energia solar. Mais do que reduzir custos, essas práticas reforçam a coerência entre fé e cuidado com a criação, contribuindo para formar uma cultura institucional de responsabilidade ecológica no ambiente eclesial. Indicadores ambientais Os indicadores ambientais são importantes porque permitem acompanhar de forma objetiva o desempenho ecológico da igreja e verificar se as práticas sustentáveis estão sendo efetivamente implementadas. Entre os indicadores possíveis estão o consumo mensal de energia, o uso de água, o volume de resíduos reciclados e a redução de desperdícios, além de estimativas simplificadas de emissão de carbono quando isso for viável. Seu objetivo não é burocratizar a gestão, mas fornecer parâmetros concretos para planejamento, monitoramento e melhoria contínua das ações ambientais da instituição. Pilar social do modelo O pilar social do modelo parte do entendimento de que a missão da igreja possui dimensão comunitária e deve gerar impacto concreto na vida das pessoas. Por isso, o framework propõe que ações assistenciais, educativas e comunitárias sejam organizadas de forma mais estruturada, com continuidade e critérios de acompanhamento. Programas de apoio social, segurança alimentar, inclusão e educação ambiental podem ser integrados a esse eixo, fortalecendo o papel da igreja como agente de cuidado, acolhimento e promoção da dignidade humana no território em que atua. Indicadores sociais Os indicadores sociais permitem avaliar a efetividade das ações comunitárias desenvolvidas pela igreja e verificar se elas estão produzindo resultados consistentes. Entre os principais indicadores podem ser considerados o número de pessoas beneficiadas, a regularidade dos programas, o alcance territorial das iniciativas e o nível de participação gerado na comunidade. Esses dados ajudam a igreja a planejar melhor suas ações, identificar fragilidades e ampliar o impacto de seus projetos sociais, sem reduzir sua missão a mera quantificação. Pilar de governança do modelo O pilar de governança é responsável por assegurar que a igreja desenvolva suas atividades com transparência, ética, organização e responsabilidade. Muitas instituições religiosas enfrentam fragilidades nesse campo em razão da informalidade administrativa, da concentração de decisões e da ausência de mecanismos claros de supervisão. O modelo propõe, portanto, a criação de conselhos ou comissões de acompanhamento, códigos de ética, rotinas de prestação de contas e definição mais clara de funções, fortalecendo a credibilidade institucional e reduzindo riscos de desorganização e conflitos internos. Indicadores e metas do modelo A definição de indicadores e metas é fundamental para transformar o framework em instrumento efetivo de gestão. No eixo ambiental, podem ser estabelecidas metas de redução de consumo e desperdício; no eixo social, metas de ampliação do alcance dos programas; e, no eixo de governança, objetivos de transparência, regularidade documental e fortalecimento dos controles internos. Esses parâmetros permitem acompanhar a evolução da igreja, orientar decisões e promover ajustes ao longo do processo, tornando a gestão mais objetiva e consistente. Alves, portanto, fornece a arquitetura ESG, enquanto Boff fornece o fundamento ético, Baraldi fornece a gestão de riscos e controles, e Grandjean fornece uma base para o cuidado com as pessoas. Isso permite formular o Modelo ESG para Igrejas assim: Boff dá o “por quê”; Alves o “o que”; Baraldi o “como gerenciar”; e finalmente Grandjean ajuda a definir “como cuidar das pessoas”. 3. ESG EM IGREJAS-Estudo de caso da Presbiteriana Central de Uberlândia Ambiental • Energia da implantação de placas fotovoltaicas; • Expectativa de melhoria na gestão de resíduos, após implantação da coleta seletiva. Social • Projetos comunitários :ajuda com 12 cestas/ano básicas à Casa de Recuperação-Jesus Nazareno; • Inclusão social: consolidação de melhoria para o caixa da Casa Betesda (com a gestão junto à CEMIG para desconto de doações na conta de luz) e doação de 12 cestas básicas ao ano; • Doação de mais 12 cestas básicas/ano para famílias carentes cadastradas através da diaconia da igreja. Governança • Relatórios e comissões sobre ESG; • Auditoria. MODELO PROPOSTO Framework ESG para Igrejas Indicadores Pilar Indicador Meta Ambiental Consumo de energia -20% Social Projetos sociais +30% Governança Transparência 100% 4. PLANO DE IMPLEMENTAÇÃO CONFORME METODOLOGIA (PMI/PMBOK) Fases 1. Diagnóstico 2. Planejamento 3. Execução 4. Monitoramento 5. Encerramento Cronograma Fase Duração Diagnóstico 2 meses Planejamento 2 meses Execução 6 meses CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente trabalho partiu da necessidade de refletir sobre a relação entre fé cristã, responsabilidade socioambiental e gestão institucional, propondo, para isso, uma articulação entre ecoteologia, ecoética e ESG aplicada ao contexto das igrejas. Inicialmente, foram examinados os fundamentos teóricos e conceituais do estudo, com destaque para a ecoteologia como campo de reflexão sobre a relação entre Deus, a criação e a humanidade, através da ecoética viabiliza-se a ampliação da responsabilidade moral diante da vida, do meio ambiente e das futuras gerações, e com o ESG como modelo contemporâneo de gestão, orientado pelos pilares ambiental, social e de governança. Em seguida, o trabalho desenvolveu a proposta do framework ESG-EcoChurch, estruturando seus eixos de atuação, seus indicadores, suas metas e seus mecanismos de acompanhamento, de modo a demonstrar que, é possível traduzir princípios bíblicos e éticos, em práticas institucionais concretas. Assim, o percurso do estudo, avançou da fundamentação teórica, para a proposição aplicada, mantendo unidade entre reflexão conceitual, coerência teológica e viabilidade administrativa. Conclui-se que a integração entre ecoteologia, ecoética e ESG, oferece uma base consistente para a formulação de um modelo de gestão sustentável voltado às igrejas, sem descaracterizar sua identidade espiritual, todavia, ao contrário, fortalecendo sua fidelidade à mordomia cristã, ao cuidado com a criação e à responsabilidade comunitária. O estudo permitiu verificar que, a adoção de práticas ambientais, sociais e de governança no ambiente eclesial não representa mera assimilação de linguagem empresarial, mas pode constituir importante instrumento de organização, transparência, prevenção de desperdícios e qualificação da ação institucional da igreja. Quanto às possíveis aplicações, o modelo ESG-EcoChurch pode servir como referência para igrejas de diferentes portes e contextos, desde comunidades locais menores até instituições religiosas com estrutura administrativa mais ampla, sempre com as adaptações necessárias à sua realidade. Sua utilização pode favorecer a implantação de práticas como uso racional de recursos, gestão de resíduos, organização de programas sociais, fortalecimento da transparência institucional, criação de conselhos de acompanhamento e elaboração de relatórios internos de desempenho. Além disso, o framework pode contribuir para a formação de lideranças mais conscientes quanto à importância da boa administração, da saúde organizacional, e da responsabilidade socioambiental, ampliando o papel da igreja como agente de transformação ética e comunitária. Nesse sentido, a proposta apresentada não se limita ao campo teórico, contudo, oferece uma possibilidade concreta de aperfeiçoamento da gestão eclesial, promovendo uma atuação mais responsável, coerente e alinhada aos princípios cristãos de cuidado, serviço e fidelidade. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALVES, Ricardo Ribeiro. ESG: o presente e o futuro das empresas. Petrópolis, RJ: Vozes, 2023. BARALDI, Paulo. Gerenciamento de riscos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. BARRETO, José Carlos Nunes. As ferramentas da qualidade e seu uso no gerenciamento ambiental do Polo Sídero-Petroquímico de Cubatão. São Paulo: USP, 2000. BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. [s.l.: s.n.], [s.d.]. BOFF, Leonardo. Ecologia: grito da Terra, grito dos pobres. Petrópolis, RJ: Vozes, 2015. GRANDJEAN, Etienne. Manual de ergonomia: adaptando o trabalho ao homem. 4. ed. Porto Alegre: Bookman, 1998. JONAS, Hans. O princípio responsabilidade: ensaio de uma ética para a civilização tecnológica. Rio de Janeiro: Contraponto, 2007. MOLTMANN, Jürgen. Deus na criação: doutrina ecológica da criação. Petrópolis, RJ: Vozes, 1993. OLIVEIRA, Ailton Luiz de; TSANHU, Oswaldo Ramos. Gerenciamento do ciclo da qualidade. Rio de Janeiro: Alta Books, 2018. TASKER, R. V. G. Mateus: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 200