domingo, 5 de maio de 2019

SOS Segurança

"Os jornais costumam noticiar a queda de aviões Bandeirantes com mais de 30 anos de fabricação, e superlotados, em uso corrente na Amazônia, matando famílias inteiras"

Após a pane, uma saída é o  piloto tentar repetir o pouso heróico no rio Hudson em Nova York, mas aqui, na maioria das vezes, encontra toras de madeiras submersas, precipitando os desastres. Nas mídias, aparecem os dramas familiares, agravados pelo fato de que, normas de segurança são constantemente desrespeitadas, ao não se contabilizarem dezenas de crianças viajando em colo de parentes. O órgão que deveria fiscalizar não faz seu papel, ou faz vista grossa , numa região carente de transporte, e em que uma viagem fluvial, também insegura, com gaiolas superlotadas, leva vários dias.

Este fato, tipificado como acidente, infelizmente é uma rotina no Brasil, seja no ar, seja na água, seja em terra firme: estradas, chão de igreja, chão de fábrica, chão de loja ou chão de escola. Nas ruas, temos algumas dezenas de milhões de veículos, e chama a atenção o número cada vez maior de carros, rodando sem a mínima condição de segurança. Sem manutenção de freios, com pneus carecas, e sistema de suspensão vencido, e sujeito a quebras repentinas(situação agravada pela recessão e ausência de recursos por parte do usuário, para fazer os reparos tempestivamente).

O País flerta com o abismo na questão de acidentes. Não deveria. E há muito parou de contabilizar os prejuízos com a falta de prevenção de acidentes, na contramão do Mundo, que acaba de celebrar o lançamento da ISO 45001, em meados de 2018, justamente para estancar esta sangria...Refletida nas incontáveis perdas de vidas, subtraídas de nosso capital humano, além do elevado custo social das sequelas de acidentes. Vide Mariana e Brumadinho - histórias tristes e recentes, de como grandes empresas brasileiras, players mundiais, não investiram adequadamente em avaliação de risco e segurança, gerando mortes, destruição de valor ,e ,prejudicando estas e futuras gerações, o que é absolutamente imperdoável.

Pois até as pequenas e médias empresas, já estão operando a gestão integrada da saúde e segurança do trabalho, do meio ambiente e da qualidade, baseadas nas normas internacionais, ISO9001, ISO 45001 e ISO 14001. Onde os empresários fizeram as contas,  e perceberam o enorme retorno que uma empresa tem ,quando passa a eliminar as causas de acidentes e quase acidentes, utilizando-se para isso, as Ferramentas da Qualidade, e as boas práticas de gestão.

Schopenhauer, em 1860,afirmava:" Podemos pensar o que ninguém pensou, sobre algo que todos veem". Há uma cultura de descaso com a segurança no País, no dia a dia, principalmente nas famílias: Crianças morrem afogadas em baldes dágua, ou, ficam marcadas para toda vida por queimaduras, devido a falta de prevenção e educação para segurança, das mães; Marquises de prédios e tetos de igrejas, hospitais , e escolas, desabam como castelo de cartas, por  falta de manutenção e cuidado técnico básico, enfim, por pura falta de gestão.

Por isso palmas para pastores de almas, que renovam telhados de igrejas, e cuidam de extintores de incêndio; para prefeitos, que reformam marquises de velhos mercados municipais, recuperando a arquitetura do século passado, como SP, BH e Uberlândia. Tal modelo de gestão evita acidentes, preserva vidas, e, no caso das cidades, cria espaços culturais e de lazer fundamentais à Polis urbana.

             José Carlos Nunes Barreto
Pós doutor e Sócio diretor da DEBATEF Consultoria


domingo, 28 de abril de 2019

Carta aberta à Câmara municipal de Uberlândia

                         
Prezados vereadores:

Como Suas Excelências sabem, o poder legislativo, apesar de independente, é corresponsável pela gestão sócio- política- econômico-administrativa do município, onde investimos e vivemos. Votei em um dos senhores, que aplaudo quando acerta, e censuro pessoalmente quando erra...mas esta carta é dirigida ao poder, e esta é uma prerrogativa do cidadão que paga impostos, e, espera retorno desta casa, que tem condições de melhorar, ou piorar sua vida. Segundo Berthold Brecht, sempre atual, o pior analfabeto, é o analfabeto político, e peço vênia para cita -lo nas próximas linhas:

" O pior analfabeto, é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, não participa de acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel. do sapato, e dos remédios, depende das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro, que se orgulha  e estufa o peito, dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil, que de sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, o assaltante, e,  o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, corrupto e lacaio das empresas nacionais, e multinacionais".

 Impossível não poder citar a maioria da família, e amigos ,como sendo este este analfabeto, e, em tempos de lavajato, nomear políticos vigaristas, lacaios de empresas de ônibus, como integrantes dos poderes legislativos, por exemplo, no Rio de Janeiro...Seria diferente aqui em nossa cidade, indago...
A atual crise da dengue, que mata pessoas, e adoece populações, foi construída a quatro mãos com o poder executivo. Se ao invés de ficar perdendo tempo, com tantas homenagens e rapapés, tivessem os senhores parlamentares oferecido leis, para combater o vetor da dengue, como obrigar o uso de verbas da saúde carimbadas para prevenção , ou leis para abrir imóveis vazios, e multar seus proprietários, teríamos outro desfecho para esta triste realidade, tenho certeza...

Também, um poder que pode pautar o futuro da cidade, com elevadas contribuições, ao ouvir especialistas , contratar consultorias, nas diversas áreas, que pululam ao redor do presente, e serão cruciais no futuro, por exemplo- a quarta revolução industrial , em especial as soluções voltadas para logística, estocagem e suas fintechs que financiam as inovações...Sem falar no  meio ambiente, e na educação , temas sempre  desprezados por esta câmara, o que é indesculpável. Não podemos ficar só no discurso nestes assuntos, temos de fazer projetos, esclarecer a população, não pensando na próxima eleição e sim nas próximas gerações.

Como pode esta megacity  ainda não possuir um projeto implantado de energia, proveniente do lixo, e adiar irresponsavelmente , a solução para seu aterro sanitário, mal localizado e esgotado, pergunto...Como não  ter ainda, uma política robusta de resíduos sólidos, incluindo aí, principalmente, os resíduos perigosos, que expõe a população, face ao trânsito dos mesmos na cidade, que é considerada o principal polo de logística do País, exclamo e novamente  indago...

Muitos itens poderiam aqui ainda ser destacados, além da contínua lavagem de mãos tal Pilatos, ante as incúrias administrativas, a entrega do patrimônio público, ao assalto a luz do dia da caixa de aposentadoria dos funcionários públicos municipais, e os contratos espúrios na área de saúde. As prioridades do povo são olvidadas pela corte, desde sempre, e nela, Suas Senhorias são meros coadjuvantes , quando deveriam ser protagonistas, pois para isso foram eleitos.
A história os julgará impiedosamente!

             José Carlos Nunes Barreto
Pós doutor e Sócio diretor da DEBATEF Consultoria


sexta-feira, 19 de abril de 2019

Presentes de Páscoa

"Cores do mar/Festa do sol/Vida é fazer/Todo sonho brilhar/Ser feliz..."Cancioneiro popular

Ainda me lembro dos domingos de ramos de minha infância:eram marcantes e alegres por causa dos presentes, da família reunida após as preces, e também pelos ovos de páscoa que tínhamos de descobrir, escondidos que foram ,pelas nossas tias e avós.O domingo de páscoa era diferente...Muita gente vinha almoçar em casa. E o prato era todo do mar: às vezes, bacalhau com batatas, meu preferido, porém caro como era, e , ainda o é, a maioria das vezes era substituído por corvina, pescada,ou, nas vacas magras, pela velha e mais barata sardinha mesmo.

 Éramos felizes e sabíamos. Pobres,morávamos como agregados na fazenda de um grande plantador de flores alemão que, dizia meu avô, fugira da guerra,(seria um nazista, pergunto e respondo não sei até hoje...) e agora o empregara, graças a Deus, para plantar e cuidar de enormes áreas com flores. E nós fazíamos a festa  sob o sol e entre sempre vivas e girassóis.

Meu pai era um motorista de caminhão de refrigerantes "Crush" - Isso mesmo! uma marca de refrigerante de laranja da década de 50-tinha longas jornadasde trabalho,e, quando voltava, trazia muitas balas de chocolate, até hoje minha paixão, mas na época da páscoa trazia pequenos ovos de chocolate, além de caminhões e ônibus de plásticos. Naquele tempo quase tudo era importado...

 Getúlio Vargas, com visão de estadista, negociara a entrada do País no conflito da segunda guerra mundial ,em troca da nossa industrialização, e, aquela atitude , nos permite agora, figurar entre as 10 maiores economias do globo. Na cadeia de valor do chocolate, no entanto, somos o segundo maior, e ,hoje, os presentes de páscoa são mais acessíveis à população, porque são fabricados aqui mesmo, além disso,parcela interessante deles é exportada quando o câmbio favorece.

Cresci, amadureci(já quase caí do pé) ,e me pergunto qual presente me  faria mais feliz na Páscoa, indago.Dormi pensando nisso, e descobri respostas no dia seguinte... Acordei  certo que meu maior presente, seria ter de volta à sociedade brasileira, a confiança no futuro, e a eliminação da impunidade entre os poderosos, como os atuais ministros do STF envolvidos com propinas da Odebrect e vendas de sentenças, verdadeiros gangsters... Seria uma benção proporcionada pelo Cristo da Santa Páscoa , construída com o altruísmo e a integridade do homem-Deus, enquadrar e enjaular estes"supremos" que ,ao invés de defender a Constituição , se colocam, criminosamente acima das leis do País.
   
                                 José Carlos Nunes Barreto
Pós doutor e sócio diretor da DEBATEF Consultoria

quarta-feira, 10 de abril de 2019


Lavando as Mãos...

O Senado de Davi contra Golias se tornou o senado em que David e Golias se uniram para derrotar o povo. Lamentável terem enterrado a CPI da LAVA TOGA!

O Escândalo da Fetransporte no Rio e no Brasil




Vi a cerimônia de entrega de novos ônibus em Uberlândia MG, em época de sérias acusações sobre propinas, de empresas de ônibus no Rio, existente há pelo menos 30 anos , desde a privatização do serviço. Afronta a inteligência média do povo, o fato da falta de transparência estrutural desta “megacity”, uma das piores do país, muito atrás de cidades médias como Uberaba, ao esconder esta operação( e outras) e seus custos, e em  quanto tempo ela se paga, com o preço atual da passagem...

A semi - delação sem prêmios, do ex - governador Cabral, tem jogado luz nesta pirâmide de propinas( as empresas de ônibus – existem outras, clássicas, como empresas de recolhimento de lixo), que colocou na cadeia parte dos poderes  executivo, legislativo e judiciário no Rio de Janeiro, e temo que este modelo esteja em funcionamento em todo Brasil, inclusive em nosso torrão...Triste e rico País, que apesar de tantos propinodutos e lideranças corruptas, ainda não quebrou, e mudamos o voto esperando recuperá-lo, e estamos correndo atrás, dos desvios de rota , seja nos três níveis de gestão do estado brasileiro: município, estado e união.

Com a palavra o ministério público, para exigir seja feita a adequação da transparência , neste município que já é o segundo de Minas,  um dos maiores do Brasil, sendo o maior centro de logística da AL. E esta seria uma vacina contra a tentativa de desviar dinheiro público, nestas operações, ou pelo menos dificultaria muito. Incrível que não tenha sido feito  ainda! Um lugar onde se tem evidências de enriquecimento ilícito de uma elite, que repete, ao que parece, o que se vê em todos os cantos do País na esteira da lavajato. Eles enriquecem, enquanto a economia real anda de lado, quando empresários honestos sofrem para manter seus negócios, e trabalhadores perdem seus empregos aos milhares.

O prefeito atual aproveitou uma época em que estava nas cordas com a crise da dengue, para fazer o anúncio com pompa e circunstância. Esta é a cartilha do poder desde sempre. Isso após culpar a falta de recursos (muito menores, suponho), para manter o processo de controle do vetor da dengue e Shikungunha., que saiu fora do controle segundo seu secretário de saúde. De novo queremos saber, quanto se gastou com ônibus, e quanto se deixou de gastar com a dengue no município. Uma questão elementar de transparência , que através deste artigo coloco em pauta , no Ministério Público, na câmara municipal, que espero, não lave as mãos, como Pilatos.

        José Carlos Nunes Barreto
Pós – doutor e sócio diretor da DEBATEF Consultor

quinta-feira, 21 de março de 2019

Serrado e Farmacologia


              "Quem vai andando e chorando enquanto semeia , na volta  trará alegre nos braços  sua colheita" salmo de Davi
  

A Embrapa é uma empresa estatal brasileira a quem devemos nossa revolução verde- a explosão da produção de grãos na savana brasileira, a partir de pesquisas e estudos, financiados pelo estado brasileiro, já na década de 70, e  é atualmente responsável pelo nosso superávit na balança comercial. Hoje, salta à vista a importância deste empreendimento, também como como tábua de salvação para as populações rurais do País, e para a crescente indústria de farmacologia nacional, pois há a necessidade de nos apropriarmos de saberes milenares sobre princípios ativos, que curam doenças, e, estão sendo dizimados pelo avanço da destruição do bioma cerrado. 

A propósito, num parêntesis poético,  relato que , no caminho entre Uberlândia e BH, ele agracia a passagem com uma verdadeira tintura  da  floração dos ipês amarelos, sob a exuberância do pôr de sol, a altivez dos buritis enfileirados em intermináveis veredas, e nos encanta por sua generosidade, beleza de suas flores, sabor e fartura de  seus frutos – amostra de sua rica biodiversidade, além da hospitalidade e sabedoria de sua gente, de posse do vigor de suas águas, agora maculadas pelas atividades predadoras do agronegócio e da mineração.

Falando em farmacologia - leia-se pesquisas  em laboratórios  internacionais para remédios do dia a dia, algumas professoras primárias neste meio rural brasileiro, que atinge11 estados, sem farmácias por perto, já produzem em hortas nas escolas, várias espécies de ervas medicinais, infusões e chás  usados pelos alunos, após verificarem que, ao adoecer na escola, os mesmos eram obrigados a retornar para casa para serem atendidos por mães e avós, que, por conhecerem o poder curativo da flora, ministravam esses chás e infusões às suas famílias.

A Embrapa percebeu a janela de oportunidade para mapear estes saberes e encurtar o trabalho de pesquisa.  A partir destes eventos em escolas públicas, nas quais, após estudarem os efeitos curativos dos princípios ativos, ousou decifrá-los quimicamente, além de adotar um plano de ação para disseminar estufas com mudas, que seriam utilizadas em hortas escolares, e em plantações industriais voltadas para o fornecimento de insumos, para laboratórios farmacêuticos estatais ou não. Todavia, como toda área de pesquisa e Inovação do País, sofreu severos cortes antes e após a recessão do governo Dilma, e por isso este projeto anda de lado, à espera de recursos, como milhares de outros, que à exemplo dele, são literalmente, salvadores da pátria.

Haja vista o lobby de laboratórios transnacionais que possuem patentes em andamento, e estão presentes nos corredores dos palácios e do Congresso Nacional, mostrando a poderosa força do vil metal entre os venais do planalto central do País, travando o processo, fraudando dados, trapaceando e podendo vir futuramente a matá-lo, caso a sociedade não haja e se articule a tempo.

Urgente é, portanto. Que os poderes constituídos , casas legislativas, ministérios públicos, judiciário como um todo, Academia e executivos municipais estaduais e federal,  estejam unidos, primeiro, para salvar o cerrado, preservando princípios ativos que nem sequer conhecemos ainda, depois, para fortalecer estas políticas nascentes contra o poder  estabelecido  por estes conglomerados econômicos, que estão dispostos a privatizar este conhecimento em proveito próprio ( Como estão a fazer com os grãos transgênicos ou não,  além do uso do cancerígeno randup ), fomentando uma exponencial concentração de renda, e impedindo que se salvem vidas, pelo poder curativo das plantas que a natureza já nos proporcionou.                

                          José Carlos Nunes Barreto

        Pós – doutor e Sócio diretor da Debatef Consultoria